O Coursera e a chave para a nova economia

08/05/2014 - Em artigo, a diretora de desenvolvimento de negócios da plataforma defende os Moocs como forma de aprender ao longo da vida Dois anos após terminar a faculdade, Andy estava trabalhando para um centro de estudos em Washington, nos EUA. Ele tinha se formado em ciência política na universidade de Amherst e, na graduação, tinha recebido a bolsa de pesquisa Fulbright. Ele era inteligente e tinha muita habilidade em pesquisa qualitativa. Mas estava frustrado. O “cara da análise quantitativa” no trabalho “tinha que fazer um monte de coisa engraçadinha”. Andy simplesmente queria apontar sua carreira para essa direção. Procurando uma solução, ele encontrou um curso on-line gratuito de análise de dados no Coursera dado pelo professor Jeff Leek, da Universidade Johns Hopkins. Ele imediatamente se inscreveu, mergulhou no curso de cabeça e, nas manhãs dos oito sábados seguintes, encontrou-se com um colega para revisar as tarefas e trabalhar com problemas desafiadores propostos nas aulas. Andy passou no curso, buscando o que ele se referia como “o ponto crítico de conhecimento autossustentável”. Alguns meses mais tarde, ele se candidatou a um cargo de analista quantitativo em uma empresa diferente. Ele falou sobre o curso em sua carta de apresentação e em sua entrevista. E quando ele começou o trabalho, ele tuitou: “Consegui um trabalho novo porque eu fiz a aula de @jtleek”. Foi assim que eu conheci o Andy. A história do Andy é uma história comum Nem todos os jovens de 18 anos de idade sabem o que querem fazer da sua vida. São poucos os que compreendem perfeitamente a demanda do mercado por diferentes habilidades e competências. E ninguém sabe exatamente como indústrias e suas futuras carreiras vão evoluir. Nosso modelo de educação tradicional tem muitas virtudes, ele não foi concebido para acomodar a volatilidade das aspirações individuais de carreiras ou as do mercado. Uma grande parte do desafio é que o ciclo de vida dos conhecimentos e habilidades está diminuindo. Olho para nossos engenheiros do Coursera, a maior parte deles nos seus 20 e poucos anos, e fico impressionada com todos os códigos que eles estão construindo em linguagens de programação que literalmente não existiam quando eles estavam na escola. O modelo tradicional também sofre com a falta de sincronia com a atual geração Y, que, em média, muda de emprego a cada 3,2 anos nos Estados Unidos, de acordo com as estatísticas do Ministério do Trabalho. Um modelo inicial com foco em transmissão de conhecimentos gerais ainda tem sua relevância, mas está cada vez mais claro que ele precisa ser complementado com um treinamento que seja mais atual e dinâmico. Preenchendo vagas com mão de obra qualificada Em uma economia com níveis elevados de qualificação, o mercado de trabalho requer uma infusão constante de habilidades atualizadas para funcionar bem. Neste momento temos um problema um tanto paradoxal: altas taxas de desemprego e altos índices de empregos não preenchidos. Várias teorias tentam explicar isso, muitas citando indústrias específicas, como engenharia de software, vinculadas a esse paradoxo. Mas o que realmente fica claro é a evidência de que há déficits reais em mão de obra qualificada. Os EUA não estão sozinhos. De acordo com um relatório da Comissão Europeia citado recentemente no The New York Times, até 2015 aproximadamente 900 mil postos de trabalho de informação e tecnologia de comunicação podem ficar vagos na União Europeia. O desafio em mercados emergentes pode ser ainda maior. Segundo um estudo da Aspiring Minds, 47% dos universitários indianos recém-formados são considerados não aptos ​​pelos empregadores. Precisamos de um modelo de educação mais ágil, acessível, que permita aos indivíduos se reequiparem e adquirirem as habilidades necessárias para competir na economia atual. Um despertar urgente Mais e mais pessoas estão acordando para a percepção de que esses jovens não estão contentes com o que aprenderam na escola, e eles não podem confiar inteiramente em seus empregadores para a educação continuada ao longo de suas carreiras. Como Andy, eles veem o borbulhar de novas oportunidades de carreira, mas também veem a ameaça de ficar para trás se não mantiverem suas habilidades atualizadas. O esvaziamento da classe média faz parte desta dinâmica. A renda média ajustada de um trabalhador do sexo masculino em tempo integral com apenas um grau do ensino médio caiu 47% nos últimos 40 anos nos EUA. E até mesmo o aumento da diferença de salário entre as pessoas com o ensino médio completo das com um diploma universitário diminuiu nos últimos 10 anos. Para chegar e ficar à frente, os indivíduos devem assumir a responsabilidade por seu futuro com investimentos contínuos em educação. E novas possibilidades estão surgindo. Opções de aprendizagem mais acessíveis e dinâmicas estão se abrindo – há uma série de Moocs; oportunidades para aprender programação, como o Centro de Treinamento Dev; lugares como Udemy, Codecademy e Treehouse; e um vasto conteúdo no YouTube EDU ao seu alcance. A educação informal é cada vez mais relevante para os indivíduos que procuram diferenciar-se no mercado de trabalho, avançar em suas empresas ou buscar uma nova carreira. E já estamos começando a ver que os empregadores estão prestando atenção nessa proatividade. Agora, possibilitado pelas mesmas tecnologias que estão acelerando a mudança no mercado de trabalho, Andy e toda uma geração de trabalhadores estão moldando uma nova realidade para a educação, para diplomas e para a aprendizagem ao longo da vida no mundo real. No que isso vai se transformar em cinco anos poderia ser muito diferente de onde estamos agora, na encruzilhada entre as fundações tradicionais e modelos alternativos de aprendizado. Para muitos estudantes, as instituições de educação tradicional não serão suficientes para garantir um bom lugar no mercado de trabalho para sempre e nem será possível voltar para a escola ao longo da vida. É por essas razões que eu sou otimista sobre as possibilidades dessas novas formas de educação. Elas permitem que indivíduos tenham acesso às habilidades de que precisam para dar uma vida nova a suas carreiras, acabar com a falta de qualificações e construir um futuro econômico mais forte. por Julia Stiglitz
Fonte: Porvir.org


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