Internet é o negócio da China

08/05/2014 - Os números da internet na China, como tudo por lá, são de tirar o fôlego. A oferta pública de ações pela Alibaba nos EUA traz para primeiro plano essa dimensão pouco discutida da sinergia ecossistêmica entre EUA e China. A internet foi inventada nos Estados Unidos, mas é sua expansão na China que agora anima os mercados financeiros norte-americanos. Não é por acaso que o IPO (“initial public offering”, ou seja, lançamento de ações no mercado de capitais) da Alibaba foi planejado para acontecer nos EUA, não em Hong Kong. O Alibaba é um mercadão online. O maior volume de transações é de comida e bebida, seguido por transações imobiliárias. No total, a rede sócio-comercial chinesa negocia um volume de mercadorias que ultrapassa os US$ 500 bilhões. É mais que o PIB da maioria dos países do mundo. Seu sistema de pagamentos é tão avançado e parrudo que o Yu’e Bao, o fundo de investimentos criado a partir do serviço de pagamentos Alipay, já investiu US$ 87 bilhões, tornando-se o quarto maior fundo no mercado monetário global, com retornos que podem chegar a 8% (outros bancos são limitados pelo governo a um retorno de 3% anual sobre os investimentos). Enquanto isso, o mercado de IPOs de alta tecnologia esfriou nos últimos meses, levando gigantes como Facebook, Twitter e Amazon a perder valor. O faturamento da Alibaba, no entanto, é majoritariamente o resultado do consumo dos próprios chineses. Em suma, o consumidor chinês ajuda a dar fôlego ao mercado de capitais americano, desde que as redes sociais e serviços que empolgam milhões de brasileiros (como o Facebook ou o Google) sejam devidamente impedidas de atuar livremente na China, em benefício de empresas que abrem seu capital no mercado de capitais dos EUA. É uma sinergia semelhante à que anima a circulação mundial de títulos da dívida pública norte-americana. É o sucesso comercial chinês que gera os bilhões de dólares em reservas e financiamento da dívida norte-americana. Seja na montagem de tablets e celulares, seja na reserva de mercado para comércio eletrônico e redes sociais, a internet é o grande negócio da China, para chineses e americanos. Gilson Schwartz Blog
Fonte: EXAME.com


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