Atendimento ao ensino infantil no Vale está abaixo da média do Estado

08/05/2014 - Apenas 31% das crianças de 0 a 3 anos são atendidas por creches no Vale. Região precisa criar cerca de 24 mil vagas até 2020, aponta Seade. Apenas 31% das crianças de 0 a 3 anos de idade são atendidas em creches na região do Vale do Paraíba e litoral norte. O percentual mostra que o nível de atendimento na educação infantil na região está abaixo da média estadual, que é de 33% e também da meta estabelecida pelo Plano Nacional da Educação (PNE), fixada em 50%. Em Queluz, o atendimento é de apenas 3,83% crianças nesta faixa etária. Os dados são da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), órgão do governo do Estado, e correspondem ao último levantamento feito com base nas matrículas em creches públicas, conveniadas e particulares na região no ano de 2012. O menor índice no Vale é o de Queluz, com apenas 3,83% de atendimento às crianças de até 3 anos. O município – com pouco mais de 11 mil habitantes segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) – contava com apenas 24 matrículas em creche no período levantado. Em todo Vale, foram matriculadas 39.558 crianças em creches públicas e privadas em 2012 – um aumento de 19% quando comparado com 2009. Meta Para cumprir as metas estabelecidas pelo Plano Nacional da Educação (PNE), que tramita no Congresso há três anos, os municípios precisariam atender cerca de 50% das crianças do ensino infantil até 2020. Para atingir a meta na região, será necessária a criação de cerca de 24 mil vagas. A projeção é feita com base no total de crianças na faixa etária que cada município deva ter até o final da década. “Vemos que isso estabelece um desafio financeiro. Os governos estadual e federal estabelecem uma série de programas para construção de creches, mas também é importante o esforço com aumento em infraestrutura e funcionários”, afirma Maria Ferreira, gerente de metodologia e estatística da fundação. Outras cidades Nas principais cidades do Vale, o nível de atendimento está próximo ao do Estado. Em São José dos Campos, 32% da população na faixa etária recebe atendimento e em 2012, 11.747 crianças estavam matriculadas. Em Taubaté, o atendimento é de 31% com 4.684. Dados atualizados do Censo de Educação Básica de 2013, do Instituto Nacional de Estudos ee Pesquisas Educacionais (Inep), mostram evolução nas duas cidades. No ano passado, São José e Taubaté contavam com 13.525 e 5.044 matrículas respectivamente. A cidade de Queluz também demonstrou leve evolução e registrou 34 matrículas em 2013. Segundo o Inep, Natividade da Serra, Redenção da Serra, Lavrinhas e Lagoinha não possuem matrículas na educação infantil. Para a professora de psicologia na aprendizagem da Unitau, Elvira Aparecida Simões de Araújo, a falta de vagas em creches prejudica não só o desenvolvimento da criança como também traz consequências para a mãe, que muitas vezes não consegue conciliar trabalho e cuidado de qualidade a filhos pequenos. "A oferta de vagas não tem sido suficiente para a demanda que surge e o esforço do poder público tem que ser maior. Os governos devem se comprometer e oferecer benefícios reais a população e não ficar somente no discurso. O desafio é assumir esses serviços de educação, por exemplo, como políticas públicas", afirma Elvira. Outro lado A Prefeitura de Queluz informou que no final do ano passado a cidade recebeu uma nova creche pública, que deve oferecer 150 vagas a partir do segundo semestre de 2014. Segundo a secretaria de Educação, já foi realizado concurso público para contratação de profissionais que devem atuar na unidade. A pasta informou que atualmente 112 crianças estão na fila de espera e que o número deve ser suprido com a nova creche. (*) Colaborou: Daniel Corrá
Fonte: Do G1 Vale do Paraíba e Região (*)


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