Iniciativas estimulam o empreendedorismo desde a escola

07/05/2014 - Amanda Wanderley - Alunos do segundo ano do ensino médio do colégio Santa Marcelina criaram uma miniempresa e aprendem empreendedorismo fora do horário das aulas Foto: Simone Marinho Alunos do segundo ano do ensino médio do colégio Santa Marcelina criaram uma miniempresa e aprendem empreendedorismo fora do horário das aulas Simone Marinho RIO A idade mínima para ser empresário no país é de 18 anos (ou 16, caso a pessoa seja legalmente emancipada), no entanto, não é necessário ser maior de idade para empreender. Apesar de empreendedorismo ser encarado como sinônimo de abertura de empresas, o significado dessa palavra vai além do universo dos negócios. Tanto é assim que algumas escolas de ensino fundamental e médio participam de projetos que visam estimular o empreendedorismo em jovens e crianças. Presente em 123 países do mundo, a Junior Achievement desenvolve no Brasil algumas atividades em salas de aula públicas e particulares com o objetivo de despertar o espírito empreendedor nesse público. A principal delas é a Miniempresa, em que alunos do segundo ano do ensino médio se reúnem para montar uma empresa, desenvolver e vender um produto. De 1999 para cá, já foram centenas de miniempresas, no Rio de Janeiro, em que estudantes aprenderam os fundamentos da economia de mercado e da atividade empresarial através do método aprender-fazendo destaca Keila Bilatto, coordenadora da Miniempresa que é realizada em todos os estados do país. Por meio dessa iniciativa, desenvolvemos, com a ajuda de voluntários treinados, o comportamento empreendedor, estimulamos ainda o trabalho em equipe, a liderança e a capacidade de botar em prática uma ideia. No colégio Santa Marcelina, na Zona Norte do Rio de Janeiro, a Miniempresa passou a fazer parte da rotina dos estudantes a partir de 2011, com a chegada da coordenadora Katia Piffer, que já conhecia o projeto. Estimular o empreendedorismo em jovens dessa idade é fundamental porque ajuda a trabalhar a autonomia e a pró-atividade deles. Além disso, eles aprendem a lidar com frustrações, porque percebem que nem sempre podem impor suas ideias. Esse aprendizado é importante para a vida. Não importa se eles se tornarão empresários ou não acredita. Segundo a coordenadora, práticas como essa ajudam tanto os alunos introvertidos quanto os extrovertidos. Os mais calados desenvolvem a capacidade de liderança, por exemplo. Muitos, ela diz, surpreendem colegas e professores nas atividades extraclasse. Por outro lado, os mais expansivos aprendem a ouvir melhor os colegas. O projeto é realizado uma vez por semestre, e cada escola tem um limite de 30 alunos. Não é obrigatória a participação nos encontros que acontecem fora do horário escolar. A atual turma do Santa Marcelina está com a capacidade máxima de participantes. Os estudantes montaram uma miniempresa que vende canga-bolsa. Um produto que une as funcionalidades de uma canga, artigo muito usado por mulheres para cobrir a cadeira de praia ou deitar na areia, e de uma bolsa. Ana Clara Andrade, de 17 anos, faz parte desse grupo e diz que o maior aprendizado que ela teve até agora foi o trabalho em equipe. Tem colega que a gente não interage tanto no dia a dia da escola, mas, na empresa, a gente acaba se conhecendo melhor. No meu caso, na miniempresa, eu me dou muito bem com uma menina que, em sala de aula, não tenho afinidade revela a estudante. A psicóloga Andréia Calçada aconselha o ensino de práticas de empreendedorismo em jovens e crianças, mas faz ressalvas sobre como ele deve ser executado. O perfil daquele funcionário padrão que fica 30 anos na mesma empresa acabou. Em contrapartida, há um excesso dos jovens da geração Y que deixam um emprego quando não alcançam rapidamente seus objetivos. Estimular o empreendedorismo na escola é importante para formar adultos capazes de construir e de se projetar para a frente avalia a psicóloga. Porém, esse trabalho tem que ser feito sem exigir cobranças e sem os excessos da mentalidade capitalista. Em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, o colégio Objetivo implementou este ano uma disciplina semanal obrigatória de empreendedorismo para todas as turmas entre 2º ano do ensino fundamental e 3º ano do ensino médio. As crianças mais novas a terem contato com o tema têm seis anos e começam aprendendo para que servem as moedas. No 9º ano, os adolescentes conhecem o funcionamento do sistema bancário. No último ano da escola, os estudantes montam modelos de empresas e visitam órgãos como o Sebrae. A novidade recebeu uma aceitação muito positiva dos pais, porque as crianças passam a entender o contexto econômico em que se inserem e que até o simples lápis que elas usam têm um valor explica Priscila Moreira, professora de empreendedorismo das turmas do ensino fundamental. A Escola Americana do Rio de Janeiro promove todo ano o projeto Destination Imagination com alunos do oitavo ano do ensino fundamental que competem com escolas de outros países. Este ano, o tema é responsabilidade social, e os estudantes escolheram ajudar um asilo no Cosme Velho. As crianças, que têm em média 13 anos, elaboraram um documento de apresentação da iniciativa e saíram em busca de patrocínios e apoio. Com a arrecadação de dinheiro e de cosméticos, elas realizaram um dia de beleza para os idosos da casa. A partir de projetos como esse, os alunos desenvolvem a pró-atividade, busca de soluções e criatividade. A liderança e o empreendedorismo são características fortes desses grupos de trabalho. Os estudantes também se mostram mais à vontade ao correrem riscos e tendem a ter mais autonomia analisa Ana Melo, professora à frente do Destination Imagination da Escola Americana.
Fonte: O Globo - Rio de Janeiro/RJ


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