Como educar para um futuro incerto?

Em um mundo que muda rapidamente, formar jovens é uma tarefa cada vez mais desafiadora

Vivemos em um mundo em constante – e acelerada – mudança. Segundo estudo da empresa de consultoria americana The Emerging Future, em apenas 20 anos a tecnologia estará um milhão de vezes mais avançada do que a atual, uma transformação equivalente a toda a evolução ocorrida nos últimos 2.500 anos. Com base nessa projeção, é possível dizer que em 2032 o mundo será tão diferente do de 2018 quanto o mundo atual é diferente do de 480 a.C., ano em que ocorreu a Batalha das Termópilas, uma das três Guerras Médicas travadas entre a Grécia e o Império Persa.

O mercado de trabalho, evidentemente, será afetado por essa acelerada evolução tecnológica. Estima-se que 85% das profissões que existirão em 2030 sequer foram inventadas. Nesse contexto de rápidos e profundos avanços, como a escola de hoje pode formar jovens para um futuro ainda desconhecido?

Segundo Rafael Araújo, diretor do Ensino Médio do Colégio São Luís, a chave está em priorizar uma formação mais voltada ao desenvolvimento das competências e habilidades de cada estudante, tendo como ponto de partida os conteúdos planejados para as diferentes etapas formativas. “As reformas do Ensino Médio e da Base Nacional Curricular Comum deixam de lado a mentalidade puramente conteudista e se pautam nas habilidades e competências esperadas. Se nosso ritmo de evolução social e política fosse como o dos anos 70, os conteúdos dariam conta de formar plenamente o aluno, pois seria mais fácil visualizar o que ele enfrentaria em 10 ou 15 anos. Hoje, não sabemos o que os jovens vão enfrentar daqui a dois ou três anos! É muito mais importante preparar um aluno capaz de ser inventivo diante de um problema do que oferecer soluções prontas, formuladas anos atrás. O conhecimento dos conteúdos continua sendo importante, mas deve ser utilizado de maneira criativa para que os estudantes consigam lidar com situações imprevistas”, explica ele.

REFORMULAÇÃO EM CURSO NO CSL

Desde 2016, com o lançamento do Projeto Educativo Comum (PEC) da Rede Jesuíta de Educação, o Colégio São Luís vem trabalhando na reformulação de seu currículo e adotando novas práticas pedagógicas para atender aos desafios de ensino-aprendizagem impostos pelos tempos atuais. “Nosso ponto de partida para essa mudança foi uma análise do agora, sob o ponto de vista da formação de jovens para um mercado de trabalho em rápida mudança, no qual as inovações tecnológicas crescem em ritmo acelerado”, afirma Rafael Araújo.

O trabalho começou com uma ampla pesquisa, na qual o Colégio ouviu alunos, pais, comunidade educativa e realizou benchmarkings tanto em escolas da Rede Jesuíta, quanto em outras instituições de ensino nacionais e internacionais. Um dos dados revelados foi a necessidade de um modelo de aulas mais dinâmico, compatível com o ritmo de aprendizado do jovem de hoje. Nessa nova visão de educação, estudante e professor redimensionam seus papéis: enquanto o primeiro assume uma participação mais ativa na construção de sua aprendizagem, o segundo desenvolve a capacidade de articular seus conhecimentos com aqueles trazidos pelos estudantes.

Rafael conta que o Colégio buscou o que havia de mais avançado na pedagogia atual e nas tecnologias educacionais, o que inclui não apenas softwares, mas métodos. “Vimos na Aprendizagem Baseada em Projetos um encaixe perfeito com os pontos levantados pela pesquisa”.

Metodologia derivada do Problem Based Learning (PBL), a Aprendizagem Baseada em Projetos propõe que os alunos formulem problemas de pesquisa a partir de temas de seu interesse. Sob orientação do professor, eles devem desenvolver soluções criativas relacionando os conteúdos de diferentes disciplinas. Ao fim do processo, um produto é apresentado e avaliado. O diretor do Ensino Médio diz que, com Aprendizagem Baseada em Projetos, o Colégio almeja “um estudante que saiba olhar um problema em toda a sua complexidade e contextualizá-lo. Nesse método os conteúdos não entram de modo forçado, mas ao longo do processo de pesquisa. Desse modo, fica mais fácil para o aluno entender o motivo pelo qual está aprendendo aquilo e sua aplicação prática”.

Com o novo método também se espera que os jovens saiam da escola mais preparados para lidar com circunstâncias próprias do mundo do trabalho. “Imagine uma situação de conflito em uma empresa, por exemplo. Que ensinamentos da Sociologia, da Filosofia ou da História o jovem poderá usar para lidar com a questão de maneira coerente? O perfil que queremos de um egresso do ensino básico é o de alguém que saiba enfrentar situações desconhecidas e solucionar problemas de maneira criativa”.

MERCADO DE TRABALHO

Além da Aprendizagem Baseada em Projetos, outras duas iniciativas transversais do CSL auxiliam na formação do jovem para o mercado de trabalho: o Projeto de Vida e o Projeto Democracia e Participação.

O Projeto de Vida compreende diversas ações de sensibilização e desenvolvimento de habilidades socioemocionais dos estudantes, estimulando-os a discutir, analisar e refletir sobre seus comportamentos, relacionamentos e escolhas nas mais diversas esferas, não apenas na acadêmica.

O Projeto de Vida também engloba o trabalho de Orientação Profissional. Os alunos, especialmente os do Ensino Médio, são incentivados a se autoconhecer e a refletir sobre suas potencialidades e pretensões, o que pode ajudá-los a identificar os caminhos profissionais mais adequados ao seu perfil.

Já no Projeto Democracia e Participação, alunos do 6.º ano do Ensino Fundamental II à 3.ª série do Ensino Médio experimentam a formação política, prática e teórica, no ambiente escolar. Por meio de um sistema de representação estudantil dividido em três níveis (Representação de Sala, Conselho de Representantes e Grêmio Estudantil), eles entram em contato com diferentes aspectos do processo democrático. Também aprendem a formular projetos, a debater as propostas de forma qualificada e a votá-las, sempre dentro dos limites da representação e com transparência e respeito às opiniões divergentes.

“Esses projetos complementam o desenvolvimento das habilidades socioemocionais e socioambientais do estudante na medida em que dão a ele repertório para lidar com as diferenças e instabilidades emocionais da sociedade e o preparam para ser um profissional capaz de enfrentar os desafios de qualquer área que escolher”, conclui Rafael Araújo.

A Orientação Educacional do Ensino Médio promove regularmente eventos com o objetivo de informar os estudantes sobre carreiras e profissões, ampliando seus horizontes e perspectivas sobre a escolha profissional.

A equipe também realiza atendimentos para apoiar a melhoria dos resultados acadêmicos, organiza visitas (individuais e coletivas) a empresas e universidades e auxilia os estudantes no processo de inscrição no Enem e nos maiores vestibulares do País.

FÓRUM DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL

Evento que reúne universidades e profissionais de diversas áreas em mesas redondas e palestras. Antigos alunos do CSL também participam do Fórum, conversando com os jovens sobre a rotina e os desafios de diferentes carreiras.


Fonte: https://educacao.estadao.com.br/blogs/blog-dos-colegios-sao-luis/como-educar-para-um-futuro-incerto/


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