UFG discute adesão integral ao Sisu como forma de processo seletivo

06/05/2014 - Atualmente, 50% das vagas da universidade já são destinadas ao sistema. Assunto será debatido em reunião; estudantes se dividem sobre mudança. A Universidade Federal de Goiás (UFG) começa a discutir nesta segunda-feira (5) se adere integralmente ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza exclusivamente a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de processo seletivo. Atualmente, a universidade destina 50% das vagas para esse sistema e os outros 50% para o vestibular tradicional. Se a adesão integral for aprovada, esta passará a ser a única forma de ingresso na universidade. De acordo com o reitor da UFG, Orlando Afonso Valle do Amaral, o objetivo da discussão é definir se a universidade deve manter o sistema atual ou passar a ter até 100% de adesão ao Sisu. “Desde o início do Sistema de Seleção Unificada, a UFG fez uma adesão gradativa e chegamos a 50% das vagas destinadas a ele. Agora queremos discutir se devemos manter os mesmos percentuais atuais ou ampliar, chegando até a usar o Sisu como única forma de processo seletivo”, explicou em entrevista ao G1. Ainda segundo o reitor, se aprovada, a mudança só deve começar a valer no processo seletivo do final deste ano, para início do curso em 2015. “A reunião da Câmara de Graduação desta vez vai discutir esse tema e para isso vamos ter a presença de Custódio Luís Silva de Almeida, que é presidente do Colégio de Pró-Reitores de Graduação das Instituições Federais de Ensino Superior (Cograd), e do professor Miguel Franklin de Castro, ambos da Universidade Federal do Ceará (UFC), que já adotou esse sistema de adesão integral ao Sisu”, explicou o reitor. Além deles, também devem participar do encontro os professores da UFG Wagner Wilson Furtado, que também é presidente do Centro de Seleção (CS), Eliane Stacciarini, coordenadora pedagógica do CS, e Valquíria da Rocha Santos Veloso, diretora do Centro de Gestão Acadêmica. “Nosso objetivo é ficar por dentro de experiências já vividas, como a da Universidade Federal do Ceará, para avaliarmos os prós e contras da adesão integral ao Sisu. Já sabemos que isso não vai interferir diretamente no perfil dos alunos selecionados, mas pode refletir na questão da ocupação de vagas, principalmente daquelas que ficam ociosas”, explicou o reitor. De acordo com Orlando, a maioria das vagas que têm baixa procura é voltada para as licenciaturas. “Isso nos preocupa muito, pois precisamos de professores e registramos pouco interesse em cursos como física, matemática, biologia, química, entre outros, principalmente nos campus da UFG que ficam no interior do estado. Sendo assim, muitas vezes o número de candidatos fica abaixo do de vagas oferecidas. Por isso, queremos discutir se o Sisu pode ajudar a reverter essa situação, uma vez que estudantes de todo o país poderão se candidatar para essas vagas”, afirmou o reitor. Opiniões Os futuros candidatos a vagas na UFG, que são os mais interessados na mudança, se dividem sobre o assunto. Para a estudante Thaís Borges, 20 anos, que pretende estudar engenharia da computação, a seleção apenas pelo Sisu pode facilitar a preparação. “Temos que estudar para o Enem e para o vestibular. Acho que se tudo for avaliado pela nota do Enem, como o Sisu faz, isso será muito bom, pois passaremos a nos preocupar apenas com uma prova só. Acredito que a adesão integral ao Sisu vai ajudar os estudantes”, afirmou ao G1. Já para o estudante Victor Fernando Rodrigues da Silva, 25 anos, que quer disputar uma vaga para medicina na UFG, diz que a mudança vai deixar o processo seletivo ainda mais concorrido. “Hoje em dia do jeito que é feito já é complicado e vai ficar ainda mais difícil quando todos os estudantes do país puderem se candidatar. O Sisu unifica demais os processos seletivos e não acredito que isso será vantajoso”, afirmou. Ainda segundo Victor, a nota obtida no Enem nem sempre condiz com as capacidades do aluno. “O Enem é muito cansativo, a prova é muito longa, então o candidato acaba mais avaliado pela resistência do que pelos seus conhecimentos. Já o vestibular da UFG era muito mais leve e específico. Por isso prefiro que o processo tradicional seja mantido”, concluiu o jovem. Fernanda Borges
Fonte: Do G1 GO


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