Rotina dificulta conclusão de cursos de inglês para taxistas

06/05/2014 - Em Porto Alegre, dos 463 alunos matriculados desde que o curso passou a ser oferecido, em abril de 2013, 222 se formaram, uma média de 10 alunos por turma Depois de quase um ano assistindo a aulas de inglês, o taxista gaúcho Rui Moreira finalmente se formou. Porém, as 120 horas do curso gratuito oferecido pelo Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest Senat) de Porto Alegre não foram suficientes para se sentir seguro quando pensa nos turistas estrangeiros que devem desembarcar nos próximos dias nas cidades-sede da Copa do Mundo. Antes de questionar metodologia ou competência dos professores, Moreira faz um mea culpa: "se eu tivesse estudado em casa, eu tinha saído muito melhor". Inseguro, Moreira diz que, se o passageiro falar inglês muito rápido, ele não entende. Tem que pedir para falar devagar. "Eu adoraria falar perfeitamente inglês, mas não fui um estudante exemplar." Em entrevista publicada no Terra em maio de 2013, Moreira falou de sua expectativa em começar o curso para compreender também as histórias de seus passageiros estrangeiros. Ele escreveu um livro, Nem Santos Dumont acreditaria nas histórias de um taxista, sobre os seus três anos no ponto do Aeroporto Internacional Salgado Filho, na capital gaúcha. A dedicação ao projeto, reconhece, também prejudicou os estudos. “Eu levava os livros para estudar em casa, mas sempre tinha outras tarefas. Eu via meus colegas se dedicarem, dentro do táxi, estudando de livro na mão, e eu achava bonito, mas não conseguia fazer." Para o caso de aparecer algum passageiro estrangeiro e ele não conseguir se comunicar, Moreira já tem um plano: buscar o material de tradução das perguntas e respostas mais frequentes que recebeu no curso ou, “na pior das hipóteses", diz, ligar para um colega. Apesar da alta carga horária dentro do táxi e das dificuldades comuns para quem estava longe de uma sala de aula havia 40 anos e nunca tinha tido contato com outro idioma, o taxista conseguiu concluir as aulas. Mas alguns colegas ficaram pelo caminho: dos 463 alunos matriculados desde que o curso passou a ser oferecido, em abril de 2013, 222 se formaram, uma média de 10 alunos por turma. Considerando que o número de alunos por turma varia entre 15 e 25, a desistência é significativa. publicidade Segundo a coordenadora do curso do Sest Senat, Karina Salamoni, a taxa de evasão mais alta está entre os taxistas. “Há uma estimativa que em torno de 40% dos taxistas que se matriculam desistem do curso, mas isso é só um dado preliminar, só teremos os números exatos quando a última turma se formar”, observa, ressaltando que restam 14 turmas para se formar até setembro de 2014. Os cursos são oferecidos também para policiais civis e militares, bombeiros e guardas municipais. Para Karina, as maiores dificuldades de permanência dos taxistas se devem às ausências para atender chamadas de passageiros, às dificuldades próprias da aprendizagem do inglês, a longa duração do curso (120 horas) e à necessidade de deslocamento do aluno até o local da aula - o que não aconteceu para as turmas da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros, oferecidas no próprio local de trabalho. Aplicativo oferece curso online e gratuito até a Copa Desde o anúncio da Copa do Mundo no Brasil, o domínio da língua inglesa se impôs como uma necessidade ainda maior entre profissionais que lidam com turistas. Além do Sest Senat, que oferece gratuitamente cursos de inglês e espanhol no Programa Taxista Nota 10, em unidades localizadas nas grandes cidades em todo o País, iniciativas privadas miram taxistas, garçons e outros trabalhadores de serviços que atendem ao grande público. Uma pesquisa realizada pela escola de idiomas Voxy.com com os quase 40 mil taxistas cadastrados no aplicativo 99Taxis perguntou o que mais ajudaria a melhorar a qualidade dos serviços. O inglês foi o item que apareceu em mais de 90% nas respostas, segundo o fundador e presidente da 99Taxis, Paulo Veras. O aplicativo é um sistema de localização e chamadas de táxis que opera em todo o País, disponível para Android, iOS e Windows Phone. Em parceria com a escola Voxy, todos os taxistas cadastrados no aplicativo poderão aprender inglês online. O curso será oferecido gratuitamente até o dia 13 de julho de 2014, data em que acaba a Copa do Mundo no Brasil, e todos os participantes receberão um certificado de conclusão. "O aplicativo vai gerar códigos para os taxistas interessados em fazer o curso, e todos que tiverem interesse podem fazer, não há limites de vagas", diz Veras. A Voxy elaborou o material do curso especialmente para atender os motoristas de táxi, “com uma linguagem básica para que o taxista aprenda a se comunicar com o turista estrangeiro”, diz o diretor geral da Voxy no Brasil, André Almeida. “O curso foi feito para que possa ser acessado por computador, tablet ou celular, principalmente porque os usuários cadastrados no 99Taxis já possuem smartphones com acesso à internet”, diz. A proposta é que os motoristas consigam acessar os conteúdos também entre as viagens, enquanto aguardam os passageiros. O curso vai oferecer a cada aluno cerca de 10 a 12 horas de conteúdo, em um formato adaptativo, que fica mais fácil ou mais difícil de acordo com o desempenho do usuário. O curso promete ensinar os taxistas desde a conversa básica que permite saber onde o passageiro quer ir, como indicar os principais pontos turísticos, lidar com números e formas de pagamento e até dar informações sobre o tempo. A Voxy vai disponibilizar também o acesso gratuito a 10 mil horas de conteúdo didático no seu site, para todos os estudantes credenciados através do 99Taxis, até o fim da Copa no Brasil. O diretor da escola de idiomas estipula que o curso teria um custo de R$ 250 reais por estudante, caso fosse comercializado. “Existe a demanda, e tem muita gente em busca do inglês para a Copa, mas muitos ainda vão procurar depois, por causa do choque que o contato com os estrangeiros vai gerar”, diz. “A Copa será só um acelerador.” Por meio do aplicativo, o turista poderá escolher um motorista que fale inglês. “Vai ser bom para a Copa, mas depois também, porque o Brasil sempre recebe um número muito grande de turistas”, destaca Veras. Cartola - Agência
Fonte: TERRA


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