Copa impulsiona a venda de geradores

05/05/2014 - Órgãos públicos, como o Serpro, têm recorrido a equipamentos extras para se proteger de cortes no fornecimento de energia (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 4/2/13) Órgãos públicos, como o Serpro, têm recorrido a equipamentos extras para se proteger de cortes no fornecimento de energia A ameaça concreta de racionamento de eletricidade, diante da escassez de chuvas, está fazendo a festa do segmento de venda de equipamentos geradores de energia, que vem crescendo ao ritmo de 10% ao ano, cinco vezes mais que o Produto Interno Bruto (PIB). A clientela, formada por indústrias, hospitais e comércio em geral, teme ser surpreendida pela falta de luz. Nem mesmo os órgãos públicos, como o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), têm se furtado de buscarem proteção ante uma possível interrupção no fornecimento. A procura por geradores se intensificou nos últimos dias, devido à proximidade da Copa do Mundo. Além de shopping centers, por onde transitam milhões de pessoas diariamente, e hotéis, prédios residenciais passaram a demandar equipamentos para evitar transtornos aos moradores nos momentos de pico de consumo de energia. Teme-se que, justamente na hora dos jogos, falte energia, e as cobranças resvalem para um quebra-quebra. O presidente da Stemac, Jorge Luiz Buneder, explica que, com o apagão de 2001, os grandes consumidores de energia se prepararam para não serem pegos de surpresa em caso de racionamento, que sempre resulta em perdas. Na avaliação dele, um novo corte no fornecimento trará prejuízos para os negócios e reduzirá a atividade econômica do país. Buneder avalia que, além das oportunidades de negócio que surgiram com a Copa do Mundo, os consumidores residências, que hoje representam apenas 1% do faturamento da empresa, devem demandar mais equipamentos nos próximos anos. “As pessoas querem manter o conforto de ter a televisão e o ar-condicionado ligados, mesmo com a interrupção no fornecimento de energia. Outro fator que pesa é o fato de que muitos brasileiros fazem investimento em segurança com câmeras de monitoramento, cerca elétrica e não querem abrir mão disso”, detalha. Complemento O diretor-geral da Aggreko Brasil, Pablo Varela, avalia que o país é atrativo para a comercialização de geradores pela diversidade de setores que demandam soluções. Conforme ele, equipamentos da companhia são demandados para projetos de mineração, petróleo e gás, mercado imobiliário, agronegócio e tecnologia. Ele explica que essa pulverização de negócios é essencial para sustentar o crescimento da empresa, de 10% ao ano. Para Varela, até mesmo o setor de geradores pode ser afetado no caso de o governo decretar o racionamento de energia. “Nossos equipamentos são alternativas para o fornecimento de eletricidade e não as principais fontes de abastecimento. Temos soluções de vários portes, mas o ideal é que a matriz hidrelétrica funcione bem”, comenta. Enquanto as grandes companhias disputam contratos para fornecer equipamentos para vários setores da economia, empresas de menor porte também têm crescido em cidades onde os serviços prestados pelas distribuidoras são precários. O diretor comercial da WAT Equipamentos, Wanderley Alves, conta que, no Distrito Federal, a demanda pelos geradores aumentou desde 2001. Ele, que possui oito geradores de diferentes potenciais, conta que os principais clientes são organizadores de eventos, postos de gasolina, supermercados e prédios comerciais. “O aluguel de um equipamento por 12 horas custa R$ 1,2 mil e, às vezes, não temos condições de atender a demanda. Mas, mesmo assim, o ideal é que a distribuição de energia na cidade e no país funcione bem, porque, sem eletricidade, ninguém faz negócio”, diz. » ANTONIO TEMÓTEO
Fonte: Correio Braziliense / DF


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