Trabalho de friburguense sobre WhatsApp é destaque em turma de pós-graduação

03/05/2014 - Vinicius Gastin No mundo moderno, de tecnologia cada vez mais avançada, as redes sociais são um verdadeiro fenômeno. Através do Facebook, Google+, Twitter e outras redes, as pessoas emitem opiniões, mantêm relacionamentos dos mais variados tipos e até mesmo fecham negócios. Navegar pela rede, apenas para desejar um simples "bom dia” aos amigos seguidores, tornou-se um hábito no mundo inteiro. Dentre tantas opções, um novo aplicativo ganha espaço e já domina uma fatia considerável entre os adeptos dessas tecnologias. O WhatsApp — que permite trocar mensagens pelo celular incluindo fotos, vídeos e áudios sem pagar por SMS — atraiu o interesse de 500 milhões de pessoas até abril deste ano. A velocidade de crescimento superou a do Facebook, motivo que levou Mark Zuckerberg, presidente e cofundador da rede social, a comprar o WhatsApp por US$ 16 bilhões. E a explosão do aplicativo também despertou o interesse da jovem jornalista friburguense Lívia Assad de Moraes, que decidiu estudá-lo profundamente. "Eu sempre me interessei bastante pelas tecnologias ligadas à comunicação. No ano passado, quando estava me preparando para as provas de seleção para o mestrado, li algumas matérias sobre o enorme salto de usuários do WhatsApp. Então, essa percepção de que o WhatsApp estava se transformando em um verdadeiro fenômeno comunicacional me fez pensar em como o uso desse novo mecanismo tecnológico influi, afeta e modifica a vida das pessoas. Acredito ser de extrema importância avaliarmos e entendermos de que forma a incorporação desse aplicativo ao cotidiano dos usuários implica mudanças em diversos campos, por exemplo, nas relações interpessoais, nos hábitos culturais, costumes, nos momentos em família, na escola, etc. Trata-se, realmente, de um movimento bastante recente e, até mesmo por isso, há poucos estudos e pesquisas nessa área.” O projeto de dissertação "Identidades móveis: sociabilidade e mediações tecnológicas na era da comunicação instantânea” ganhou destaque e rendeu o segundo lugar na turma de pós-graduação em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. Para desenvolver a pesquisa, além da consulta a livros, Lívia baseou-se em artigos recentes sobre mobilidade e novas utilidades do celular. "É um pouco mais complicado que em outros temas. Também farei entrevistas com um conjunto amplo de usuários, além de especialistas em várias áreas. O tema está ganhando importância na mídia, sempre estão falando sobre o crescimento espantoso desse aplicativo. Há poucos dias, saiu uma matéria mostrando que, por dia, são enviados 700 milhões de fotos e 100 milhões de vídeos. Cerca de 72% dos usuários utilizam esse mecanismo em seus celulares mais de uma vez ao dia. Trata-se de algo que realmente está fazendo parte da vida das pessoas e, com certeza, afeta a vida delas.” Redes sociais: perigo ou adaptação? As discussões sobre a importância das redes sociais contrapõem a relação entre utilidade e perigo. Enquanto alguns enxergam o uso dos aplicativos como ferramenta para facilitar a comunicação, outros questionam os benefícios da convivência virtual. Os mais conservadores temem a dependência da rede, ocasionando em uma mudança sensível nas relações pessoais. Estudiosa do assunto, Lívia não enxerga maiores perigos e acredita em um processo de adaptação para o melhor aproveitamento da tecnologia. "Alguns teóricos falam em uma substituição do espaço físico por um espaço virtual. Não acredito nisso. Eu não falaria em ‘perigo’, e sim em um fenômeno novo. Não estamos ainda preparados para lidar com isso. Embora não esteja dentro da minha área de pesquisa, sei, por exemplo, que a forma de lidar com o uso dessas tecnologias nos colégios é uma questão ainda sem solução. É importante saber de que forma isso está reconfigurando as relações entre as pessoas e o modo do usuário de lidar com o espaço a sua volta. Também é legal perceber o desafio de compreender como a convivência virtual com pessoas de outras regiões do país, ou de países que estão do outro lado do mundo, de outras culturas, religiões e com outros hábitos culturais influencia na própria cultura do usuário.” Desta forma, a pesquisadora ressalta que os aplicativos de mensagem instantânea contribuem para diminuir a importância da localização física e geográfica. Adepta aos aplicativos, Lívia Assad lembra que este tipo de comunicação torna-se uma ferramenta interessante em meio à correria cada vez mais intensa. "Abre-se uma possibilidade para que estejam o tempo inteiro conectadas, em qualquer lugar. No ônibus, na escola, no restaurante ou em outro país. E com isso, uma das questões a serem investigadas é como ela lida com esse fato de estar fisicamente presente em um lugar. Você passa a ter um contato, às vezes, mais frequente com alguém, mesmo sem ter tanto tempo disponível. Acho que já aderi a essas tecnologias de vez, talvez eu seja meu próprio exemplo pra pesquisar isso. Olho o celular o tempo todo.”
Fonte: A Voz da Serra.


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