Educação empreendedora estimula novas ideias em sala de aula

Nunca se falou tanto em empreendedorismo. A expansão da indústria tecnológica tem levado muita gente a colocar ideias em prática: segundo a Global Entrepreneurship Monitor, que realiza pesquisas periódicas sobre o tema, em dez anos o Brasil viu triplicar a quantidade de empreendedores. Hoje são 49,3 milhões de pessoas entre 18 e 64 anos exercendo alguma atividade empreendedora.

Poucos ambientes são tão ricos em ideias e habilidades quanto a sala de aula. Para Maurício Benvenutti, sócio da Startse (plataforma que conecta realizadores, investidores e mentores), o papel da escola neste cenário mudou bastante: “ao sair da universidade, o aluno continua sendo um eterno aprendiz, já que o mundo evolui muito rápido. Por esse motivo, as instituições de ensino devem formar indivíduos capazes de aprender constantemente”. Diante disso, o compartilhamento de expertises e a capacitação voltada à indústria 4.0 vêm mudando a forma de aprender e de ensinar.

Perfil empreendedor

O mercado de trabalho também se adapta às mudanças – e o perfil empreendedor ganha cada vez mais atenção dentro da indústria. Autonomia, múltiplas experiências e capacidade de promover transformação são características essenciais. Para a escola, fica a tarefa de formar esses profissionais do presente e do futuro. Claudio Sassaki, cofundador da plataforma educacional Geekie, diz que o desafio é grande: “85% das profissões que teremos em 2030 não existem hoje. Educadores e pais vivenciam a demanda de formar indivíduos críticos e colaborativos, capazes de compreender o ambiente e criar formas para impactá-lo positivamente”.

De olho em um cenário que ainda será descoberto, o Sistema Fiep tem a educação empreendedora como um dos pilares em todas as unidades de ensino. A instituição conta com uma trilha da inovação para alunos, que inclui a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio nos Colégios Sesi, e também os cursos de ensino técnico do Senai e os de graduação e especialização das Faculdades da Indústria.

A metodologia incentiva que os estudantes passem pelas etapas de mobilização, experimentação, prototipagem, incubação e aceleração, finalizando com a criação de uma empresa. “Considerando o contexto no qual vivemos, decidimos trabalhar com os jovens a criação de oportunidades, para que eles desenvolvam ideias em sala de aula e tenham a possibilidade de entrar em um sistema de mentoria que oferecemos para as melhores ideias”, explica Giovana Chimentão Punhagui, gerente executiva de Educação do Sistema Fiep.

Enfoque social

PCDreams. Esse é o nome de uma equipe formada por 24 alunos com deficiência do Curso de Aprendizagem de Assistente Administrativo, do Senai Campus da Indústria, em Curitiba. Em 2018, participou do Projeto Miniempresa, uma parceria do Sistema Fiep com a Junior Achievement, associação educativa sem fins lucrativos que estimula estudantes de níveis médio e técnico a criarem um negócio próprio.

O grupo desenvolveu uma almofada para encosto de carro que evita o desperdício de matérias-primas durante o processo produtivo. “Com a ajuda dos docentes, conseguimos realizar esse sonho e obtivemos o primeiro lugar na etapa regional do concurso”, comenta a estudante Keller Machado dos Santos. A PCDreams é a primeira startup vinculada à Junior Achievement formada só por pessoas com deficiência. A organização é mantida pela iniciativa privada e trabalha para fomentar o espírito empreendedor em jovens estudantes.

Inovação em saúde

Soluções práticas para problemas reais da indústria: esse é o guia das iniciativas de educação empreendedora do Sistema Fiep. Um ambiente em que produtos e aplicativos dividem espaço com projetos para todas as áreas – saúde é uma delas. E foi o ponto de partida do Safe Meat, iniciativa das alunas Larissa Adams, Melissa Lopes Lunardi e Nicole Adams, do Colégio Sesi, Unidade da CIC, em Curitiba. Nas aulas de Iniciação Científica, as alunas começaram a pesquisar soluções voltadas para a indústria alimentícia. “Durante nossas pesquisas, percebemos que a carne é um dos alimentos de maior destaque econômico no país. Nessa época, surgiram as notícias sobre a Operação Carne Fraca e tivemos a ideia de desenvolver um produto que assegurasse a saúde da população”, conta Melissa.

As estudantes, que têm 17 anos, criaram biossensores nanoestruturados para verificação da qualidade da carne bovina. “O sensor tem o formato de uma película, e contém a antocianina (pigmento vegetal) que extraímos do repolho roxo. A partir do momento que ele entra em contato com uma superfície que já iniciou o processo de decomposição, ele muda de cor e alerta sobre a qualidade da carne”, detalha a estudante.

O projeto foi um dos selecionados durante o programa Impulsiona do Sistema Fiep. Junto com outras quatro iniciativas, entrou para o processo de incubação na instituição, que vai acontecer nos próximos 12 meses. Neste momento, passa por uma fase de aprimoramento. A aluna Melissa Lunardi explica: “agora nosso objetivo é uma integralização maior com os nossos possíveis clientes, que são os consumidores finais”. Para ela, o apoio da equipe do Sistema Fiep foi essencial. “O Impulsiona tem um papel muito grande em tudo isso. Foi a partir dele que começamos a ter consciência sobre o mercado, suas estratégias e todo o impacto social que existe nisso”, comemora.


Fonte: https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/fiep/sistema-fiep/noticia/2019/05/14/educacao-empreendedora-estimula-novas-ideias-em-sala-de-aula.ghtml


Comentários da notícia