Por uma revolução na Educação

03/05/2014 - Após algumas discussões sobre o tema educação e suas necessidades para as próximas décadas, republico, em partes, um artigo que assinei neste espaço em 17/01/13. Após algumas discussões sobre o tema educação e suas necessidades para as próximas décadas, republico, em partes, um artigo que assinei neste espaço em 17/01/13, O assunto está mais do que atual e acho que vale a pena refletir sobre os caminhos que queremos para o nosso País a partir deste marco histórico que se transformaram estas manifestações populares. O que teria em comum alguns países tão diferentes como Noruega, Finlândia, Coréia do Sul e Espanha? O que aproxima nações geograficamente e culturalmente tão distantes e diversificadas é a prioridade absoluta que seus governos dão à educação, em todos os seus aspectos e níveis de formação. A Coreia, que vive em constantes conflitos étnicos e políticos, se destaca como um país que se transformou nas últimas décadas através do investimento em educação. Estes países puseram em prática uma Cartilha de Políticas Educacionais contínuas, mesmo com mudanças de governos (o compromisso de manter essas políticas de investimentos da educação, independentemente da ideologia política do governo). E são políticas extremamente focadas: seleção com rigor de professores, reforma das leis educacionais e ampliação do tempo de permanência na sala de aula. Resultados obtidos: maior desenvolvimento social, competição econômica e avanços tecnológicos. No Brasil, investimentos em educação só virou política de governo nos anos 30, com Getúlio Vargas, que criou o primeiro Ministério da Educação. Desta forma, podemos constatar que nossos primeiros indícios de preocupação com educação começaram a surgir com 100 anos de atraso em relação a outros países latino-americanos. Se compararmos com a Europa, esse déficit chega a mais de 150 anos. Resultados: em 1960, cerca de 46% da população brasileira era analfabeta e metade das crianças e jovens de 7 a 14 anos estava fora da escola. Melhoramos muito nos últimos 50 anos, e o índice de analfabetismo caiu para 11%. Criamos políticas de democratização do Ensino Superior, avançamos nos modelos de avaliação de aprendizagem e seleção, aprimoramos o aparato tecnológico das escolas. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Para que esta fase de expansão da economia brasileira se sustente em longo prazo é preciso que os investimentos em educação sejam ampliados e que o País modele uma Política de Estado de Educação. O País ocupa a 53ª posição em uma lista de 65 países, segundo a última avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Alguns modelos podem (e devem) ser copiados. A Cartilha da Educação, já mencionada neste artigo e implementada em países como a Espanha e a Finlândia, seria um bom início. Trata-se de um tratado suprapartidário, que impede que mudanças radicais no sistema sejam realizadas ao sabor das alterações de governos. Afinal de contas, é consenso que investir em educação e pesquisa de ponta é a força motriz do processo de criação e inovação de uma nação e a única ferramenta capaz de tornar o Brasil independente da exportação de commodities. Muitos teóricos da educação acreditam que o Brasil precisa tornar a educação uma prioridade de Estado, não deixando a cargo apenas do Ministério da Educação essa incumbência, mas fazendo com que todos os entes federados também assumam sua responsabilidade. Faz sentido, uma vez que a educação está diretamente ligada à Fazenda, Saúde, Transportes, Energia, Desenvolvimento e outras pastas que possuem atenção específica do Governo. Com o crescimento econômico projetado para as próximas décadas, se pensarmos em um futuro de curto prazo, nós não temos recursos humanos suficientemente preparados para assumir os desafios que o Brasil está assumindo com este crescimento. Estamos crescendo muito, mas sem buscar um desenvolvimento que sustente este cenário. E enganam-se aqueles que acreditam que somente um investimento maior do PIB em educação resolverá este problema. Alguns países investem percentual menor do que o investido pelo Brasil e conseguem resultados expressivos na educação. Mas tem um detalhe importante: estes recursos vão, de fato, para investimentos em educação. Não ficam pelos caminhos... Francisco Resende
Fonte: Gazeta do Oeste - Belo Horizonte/MG


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