Os efeitos da inadimplência na saúde emocional

De acordo com dados divulgados pelo SPC Brasil, 62,6 milhões de pessoas encerraram o ano de 2018 com contas atrasadas. Para se ter uma ideia, seria possível ocupar um país inteiro da América Latina com este número. Além disso, as taxas de inadimplência seguem em ritmo crescente no país. Mesmo com uma melhora nos índices econômicos, a parcela de consumidores com contas em atraso cresceu 4,41% no ano, quando comparado com 2017, registrando o maior crescimento da inadimplência desde 2012. As pessoas que se enquadram nesse perfil acabam recebendo seus pedidos de crédito negados pelas financeiras e, como consequência, tenham o seu poder de compra reduzido.

Dessa forma, a pessoa passa a abrir mão de pequenos hábitos de consumo que são prazerosos. Diminuir os momentos de lazer pode impactar diretamente no emocional, fazendo com que o dia a dia seja ainda mais cansativo. E, em um contexto socioeconômico em que hábitos de consumo são cada cada vez mais estimulados, essa mudança radical na rotina se torna um gerador de estresse que acarreta problemas emocionais maiores, como ansiedade e depressão.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que 80% das pessoas que acumulam dívidas apresentam sintomas depressivos. Insônia, desânimo e ansiedade também são alguns exemplos de problemas emocionais desenvolvidos por quem sentiu o impacto da inadimplência e da redução no poder de consumo e na qualidade de vida.

Dados de um relatório divulgado pelo SPC Brasil e CNDL corroboram com a pesquisa da USP, aumentando ainda mais a atenção para este problema. Segundo o estudo, 69% dos inadimplentes sofrem de ansiedade por não conseguirem pagar suas dívidas. Para evitar que isso aconteça, é preciso fazer um planejamento financeiro que não afete diretamente nos pequenos prazeres diários e que seja, de fato, eficaz.

Dicas para evitar a inadimplência

Para se precaver do problema, muitos especialistas incentivam a criação de uma rotina de planejamento financeiro. Segundo a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti, “quem está endividado precisa organizar-se financeiramente, registrar todas as entradas e saídas de dinheiro e, para quitar seus débitos, deve cortar gastos e lembrar que isso é temporário.” Algumas dicas para organizar uma situação financeira estável e evitar a inadimplência são:

Mapear dívidas, principalmente saldo devedor e valor de parcela. Neste caso, é preciso entender o tamanho do problema para poder planejar como será possível quitar essas dívidas sem prejudicar o dia a dia, programas de lazer e as contas fixas;

Mapear os gastos para reorganizá-los. É possível fazer economias inteligentes, como começar a utilizar lâmpadas led, por exemplo, que geram uma economia de até 85% na conta de luz;

Renegociar tudo o que for possível para o maior prazo que conseguir. O ideal é ficar com o menor valor de parcelas mensais, porque é preciso reduzir gastos mensais para que a pessoa possa se organizar e não se endividar novamente. Desta forma, provavelmente vai quitar o contrato antes de terminar as parcelas, então, ela não vai de fato pagar todos os meses que parcelou;

Encontrar alguma renda extra para complementar a principal também pode ser uma boa opção. Realizar trabalhos por fora, oferecer serviços específicos em aplicativos ou para amigos ajuda a gerar uma renda extra, que pode ser utilizada em situações emergenciais, por exemplo. Existem muitas possibilidades hoje para aumentar a renda mensal, que podem ajudar bastante a estruturar um bom planejamento financeiro, basta encontrar a mais adequada e saber alinhá-las à rotina atual.


Fonte: https://www.imprenca.com/2019/04/15/os-efeitos-da-inadimplencia-na-saude-emocional/


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