NE tem maior taxa de desemprego do Brasil

18/01/2014 - A Região também tem a maior proporção de pessoas que não trabalham nem procuram emprego A desagregação dos novos dados do mercado de trabalho do Brasil pelas cinco grandes regiões mostrou um País de diferentes realidades em termos de emprego. Na Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o retrato é de uma dinâmica mais aquecida nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto Norte e Nordeste ficam com as mais altas taxas de desemprego. O prolongamento do período de estudos, com o objetivo de se preparar mais para o mercado, é um dos fatores que leva jovens a não trabalhar FOTO: LUCAS DE MENEZES No caso do Nordeste, a desocupação era de 10% dos que estavam na força de trabalho no segundo trimestre de 2013, a maior taxa entre todas as regiões. "Mostra e confirma que, realmente, o mercado de trabalho é bem pior (do que a média nacional)", avalia o professor João Saboia, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ). A taxa de desemprego do Brasil em igual período ficou em 7,4%. Apesar de acreditar que a região ainda evolui em relação a anos anteriores, Saboia ressaltou que é um dado negativo para o País. "É uma região em que a economia é menos desenvolvida, e a população é muito grande", diz. Na visão do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, a amplitude entre as taxas do Sul e do Nordeste, por exemplo, reflete questões econômicas e sociais. "Você tem bolsões de desenvolvimento estrutural que você não consegue resolver assim tão de repente". Fora do mercado Na mesma pesquisa, o Nordeste também lidera na taxa de pessoas que não trabalhavam nem procuravam emprego naquele período. Este dado chega a 43,9% da população com idade para trabalhar (acima de 14 anos). A média nacional é de 38,5%. A faixa etária predominante é a formada por pessoas de 60 anos ou mais, que, em geral, saíram do mercado de trabalho para se aposentar. Eles são 28,8% dos nordestinos que, no segundo semestre do ano passado, estavam fora da força de trabalho, como classifica o IBGE. Mais jovens Apesar disso, o analista de mercado do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita, afirma que esse dado possui considerável colaboração dos mais jovens, não os adolescentes, mas aqueles que estão concluindo a graduação. "Muitos deles estão preferindo adiar sua entrada no mercado de trabalho para continuar estudando ou fazendo uma especialização, para estar mais preparado para o momento de procurar emprego", observa. De acordo com a Pnad, aqueles entre 18 e 24 anos representam uma fatia de 13,5% deste grupo. O economista Marcelino Guerra, 22, se encaixa nessa parcela. Graduado no primeiro semestre de 2013, ele decidiu continuar estudando por conta própria, com o objetivo de entrar em um mestrado na sua área, feito que alcançou no fim do ano passado, na Universidade Federal do Ceará. "Eu penso que alguns anos a mais de estudo podem ter uma impacto na minha remuneração futura e também em como o mestrado me fará um economista melhor", explica Marcelino, que também pretende fazer doutorado, para só depois entrar no mercado de trabalho. Região lidera em número de ocupados sem instrução O Nordeste é a região brasileira com a maior proporção de trabalhadores que nunca foram à escola, com um total de 11,1% de empregados sem nenhum grau de instrução. Ao mesmo tempo, a Região tem a menor fatia de ocupados com grau superior completo - 10,1%. Os dados foram divulgados ontem na Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme o levantamento, os trabalhadores nordestinos com ensino fundamental incompleto correspondem à maior fatia dos empregados na Região - 31,2%. Por sua vez, os que possuem nível fundamental completo são 8,9% do total, enquanto os que tem ensino médio incompleto são 6,0%. Os trabalhadores com nível médio completo e superior incompleto correspondem a, respectivamente, 28,5% e 4,0%. Média nacional No País, a proporção de ocupados sem instrução é de 5,4%, sendo o Sul a região com menor percentual, 2,7%. Entre os trabalhadores brasileiros, 14,9% têm nível superior completo, enquanto 30,7% possuem apenas nível médio completo. A Pnad mostra que o Nordeste tem a menor proporção de empregadores entre os ocupados - 3%. No País, a média é de 4,1% de empregadores, sendo a maior fatia encontrada no Sul, que soma 5,1%. Já a proporção de autônomos, no Nordeste, supera a média nacional, totalizando 29,3%, frente a 23% no País. Homens são maioria Embora, no País, a maior parte das pessoas em idade para trabalhar sejam mulheres, os homens correspondem a 57,6% dos ocupados. No Nordeste, a proporção supera a média nacional, chegando a 59,3%. A disparidade é maior na região Norte, onde as mulheres são 38,9% das pessoas ocupadas, enquanto os homens são 61,1%. Grupos etários O levantamento aponta ainda que o Nordeste é a segunda região com a maior fatia de empregados com idade entre 14 e 17 anos - 3,1% do total. A média nacional é de 2,7% para esse grupo etário. Já entre os que possuem 60 anos ou mais, o Nordeste tem a menor fatia de ocupados, que correspondem a 5,7%. No País, eles são 6,5% do total. Carteira assinada avança no trimestre Rio No segundo trimestre de 2013, 76,4% dos empregados do setor privado tinham carteira de trabalho assinada. O resultado representa uma elevação de 0,9 ponto percentual na comparação com mesmo período do ano anterior, quando ficou em 75,5% e de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. Os avanços mais significativos foram na região Norte (2,6 pontos percentuais) e nas regiões Nordeste e Sul (1,3 ponto percentual de elevação). Os avanços mais significativos foram na região Norte (2,6 pontos percentuais) e nas regiões Nordeste e Sul (1,3 ponto percentual de elevação) Foto: marilia camelo "A Pesquisa Mensal de Emprego e a PNAD mostravam o avanço na carteira de trabalho ao longo dos últimos anos, e isso foi confirmado na PNAD Contínua. Na verdade, estamos a três ou quatro anos em que a carteira de trabalho vem apresentando avanços na comparação anual, algo em torno de 300 mil a 400 mil postos de trabalho, restritos às seis regiões metropolitanas", analisou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, acrescentando que a explicação do movimento é o cenário econômico que está em evolução, com geração de postos de trabalho e melhor qualidade no emprego. Domésticos Entre os trabalhadores domésticos, o levantamento mostrou que 30,8% do total tinham carteira de trabalho assinada no segundo trimestre de 2013. O resultado equivale a uma queda de 0,7 ponto percentual na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
Fonte: Diário do Nordeste - Fortaleza/CE.


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