Para você que escolheu a profissão jornalista

15/04/2014 - Por Erika Zuza Curioso como em tempos digitais, em que as informações circulam numa velocidade impressionante, falar sobre o dia do jornalista (7 de abril) após a data soa até como algo extremamente atrasado. Afinal a pauta jornalística vive do agora, do hoje, e mesmo quando o fato aconteceu no passado, sempre haverá algum indício que o torne atual, que justifique a sua retomada às manchetes. Pois bem, retomo o dia do jornalista para dar destaque a alguns pontos que acredito que são relevantes para a reflexão de quem escolheu esta profissão e também para os que a exercem todos os dias. No início desta semana quem é jornalista ou tem algum amigo que trabalha no setor ou estuda comunicação, deve ter se deparado com homenagens e opiniões sobre a profissão. Nunca é demais lembrar a importância desta atividade para nossa democracia, assim como é sempre interessante perceber o quanto o jornalismo atrai pessoas apaixonadas, idealistas, gente curiosa, indagadora, que se não tem como salvar o mundo (como o Clark Kent no cinema), se sente realizada por contribuir para a manutenção de uma sociedade informada, ciente de suas características, direitos, deveres, e também conscientes sobre os seus problemas, suas lutas e esperanças. Nós jornalistas, somos movidos pela curiosidade eterna de entender o mundo que nos cerca e compartilhar isso com todos, com agilidade e eficácia. Somos incentivados por uma força interior que só quem é jornalista pode tentar explicar; algo que remete ao cognitivo, ao psicológico, aquele arrepio do furo da notícia, a atenção redobrada durante uma entrevista, a correria contra o tempo num fechamento de um programa ao vivo. São motivações que vão além dos horários de trabalho, que nos fazem observar temas para pautas em todos os lugares, de onde brotam perguntas sobre o que menos se espera; ou aquela vontade em permanecer na redação até altas horas, só para ter mais tempo para contar aquela história com todos os detalhes possíveis. Talvez é exatamente por esses motivos que muitos jornalistas se conformam com as condições que lhe são impostas no mercado de trabalho, reclamam sim, e muito, mas se acostumam e ponto. Sim, por que aos olhos do público, jornalista é bem de vida, ganha bem, é conhecedor de tudo, não tem problemas, não sofre e vive uma vida diferente dos mortais. Trabalhei no campo jornalístico por 10 anos, passei por vários cargos, fui repórter (com orgulho), editora e apresentadora, posso afirmar com segurança que ser jornalista é um prazer! Mesmo com todas as dificuldades impostas pelo ‘sistema’, ainda assim, é possível se fazer jornalismo com qualidade. Hoje, na carreira docente, como professora e pesquisadora em comunicação social, me sinto extremamente feliz em poder contribuir para a formação dos futuros jornalistas, e tranquila em perceber que o idealismo não morreu, mesmo com todas as dificuldades impostas por um mercado de trabalho massacrante e cujos salários são indignos, muitos jovens seguem a profissão por vocação. Você, querido leitor, deve torcer para que os jornalistas e os futuros jornalistas sigam com suas motivações guiadas pela vocação, pois é somente através dela, que teremos condições de todos os anos comemorar o dia do jornalista e lutar por mais respeito por esta profissão. Mais respeito aos jornalistas Torço por um Brasil onde os jornalistas sejam respeitados pelos empregadores. Que recebam condições e salários dignos para exercer esta profissão tão importante para a nossa democracia! No Rio Grande do Norte, por exemplo, o piso salarial do jornalista, segundo informações da Fenaj é de R$ 1.050,00. Muitos profissionais acumulam mais de um emprego para conseguirem pagar as contas no fim do mês. Torço por um mundo onde as pesquisas jornalísticas em mestrado e doutorado também sejam valorizadas por toda a cadeia de produção midiática, pois o conhecimento não se produz somente no hard news diário, mas também através das leituras, reflexões e debates que ultrapassem a superficialidade do lead! Algo que infelizmente o mercado insiste em ficar de fora, com muitos profissionais criticando os que buscam qualificação! E por outro lado, os jornalistas que se qualificam não veem resultados práticos no contra-cheque, os incentivos são mínimos, quando raramente existem. Uma vez trabalhei numa empresa jornalística em que recebi adicional de R$ 120,00 a mais no meu salário, devido a uma especialização, é isso mesmo, caros leitores, cento e vinte reais! No âmbito da academia, que o dia do jornalista sirva para lembrar que as dissertações e teses em comunicação não devem ficar encalhadas em gavetas, ou em pastas virtuais, e sim, que possam servir para evoluir os processos de trabalhos jornalísticos e para ajudar as empresas de comunicação a refletirem sobre o seu papel social diante de uma sociedade contemporânea marcada pela era digital, com tantas inovações e mudanças de comportamento que exigem mais de todos os profissionais da comunicação! Feliz dia do Jornalista para você estudante da área, para você profissional e também para os professores de comunicação social que atuam diariamente em prol do crescimento deste campo de pesquisas teóricas e práticas sociais!
Fonte: Observatório da Imprensa


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