Copa do Mundo: universidades excluídas

15/04/2014 - Para professor da USP, ausência das academias na organização da Copa causou a postura crítica adotada por elas O professor Marcos Garcia Neira do Grupo de Pesquisas em Educação Física Escolar da Faculdade de Educação (FE) afirmou que a USP e as outras universidades do país não foram convidadas a participar da organização da Copa do Mundo de 2014. O desenvolvimento do conhecimento portanto não foi priorizado e, como consequência, a academia desenvolveu uma postura crítica em relação ao evento. Para ele, com a integração das universidades, jovens pesquisadores poderiam estar desenvolvendo trabalhos tanto na área de tecnologia, quanto das ciências sociais. Apesar dos vários debates organizados na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, a pesquisadora de Estudos Olímpicos, Katia Rubio, concorda dizendo que “EEFE, a Copa do Mundo não produziu impacto”. Segundo a professora, a Copa deixará dívidas para o Brasil, uma lembrança de como não se fazer um evento desse tamanho, que prioriza o estrangeiro em detrimento da população local e passa por cima de outras prioridades do país. “É pior do que fogos de artifício, esses, pelo menos, são a céu aberto para aqueles que quiserem ver, os jogos acontecerão em estádios fechados, dos quais os ingressos custam muito para a população local o que privilegiará o acesso dos estrangeiros. “ A três meses do evento, diversas obras de infraestrutura não foram concluídas. A pesquisadora considera lamentável que se tenha perdido oportunidades como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos para efetivamente transformar a cidade e o país não só do ponto de vista estrutural, mas também social com projetos de utilização desses espaços, de apropriação e de desenvolvimento do esporte no país, “mas isso só ficou no papel para os gringos verem”. Katia Rubio ainda defende que, nas Olimpíadas, a única diferença é que as obras ficarão restritas ao Rio de Janeiro. Entretanto, a infraestrutura necessária é diferente, para a Copa é preciso apenas um Estádio por cidade. No caso dos Jogos Olímpicos é muito mais complexa porque envolve diferentes instalações esportivas concentradas na mesma região. Poderia ser interessante ao Rio de Janeiro se todas as obras prometidas fossem atendidas. Por que o Brasil? Para Marcos, o futebol se modificou de acordo com a sociedade e tornou-se objeto de consumo e espetáculo. Portanto, o Brasil teria se candidatado devido a uma política equivocada de relacionar visibilidade com desenvolvimento econômico, com o objetivo de impulsionar o país no cenário nacional. A FIFA, com intenção de trazer a Copa para a América do Sul, escolhe o Brasil praticamente sem concorrência e responsabiliza o Estado pelo sucesso do grande evento, apesar de ser uma atividade privada. O setor privado, então, saiu ganhando, os meios de comunicação e construtoras, e os desenvolvimentos econômico e social que poderiam ser proporcionados foi deixado de lado. A fim de relacionar a experiência de conhecimento do evento com educação básica, o Grupo de Pesquisa em Educação Física Escolar, está oferecendo o curso Olhares e Análises da Copa do Mundo 2014: subsídios para uma abordagem diferenciada, coordenado por Neira, para professores de qualquer disciplina do ensino básico e o foco das discussões seria o esporte como uma manifestação de cultura. Além da análise dos fatores que influenciaram a organização do evento, o objetivo é discutir propostas alternativas que auxiliem os docentes a romper com a mera reprodução do discurso ufanista em sala de aula. por Patricia Figueiredo
Fonte: Jornal do Campus


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