Lições de carreira da geração Y aos jovens Z (e vice-versa)

15/04/2014 - Camila Pati Geração Z: eles olham para a geração Y como referência do que não fazer, segundo especialista São Paulo Eles sucedem a geração Y, começam a dar os primeiros passos em direção à vida profissional e já há quem especule sobre seus futuros rumos de carreira. É a geração Z se revelando ao mundo corporativo. Nascidos a partir do fim da década de 1990, aprendizes e estagiários se preparam para mostrar ao mercado de trabalho a que vieram, enquanto especialistas começam a desvendar seu jeito de pensar, que, em última instância, é o que define uma geração. Muito do que se fala da geração Z ainda é especulativo e o próprio conceito de geração não é científico, diz Sidnei Oliveira, especialista em conflitos de gerações. Ele e outra especialista no assunto, Eline Kullock, presidente do Grupo Foco, defendem que é o modelo mental que permite distinguir uma geração de outra. Embora haja controvérsias no que diz respeito à etapa exata de vida em que se encontram os primeiros expoentes Z (já que a maioria ainda está, sim, atarefada com as provas do Ensino Médio), é fato que, em um futuro próximo, a geração Y passará a conviver de perto com estes seus sucessores na hierarquia corporativa. E oque a geração Z tem a ensinar e aprender com seus predecessores da Y? Veja algumas possibilidades levantadas pelos especialistas: O que a geração Y pode ensinar para a Z 1 As dores do conflito geracional Menos adaptada às mudanças, a geração X (nascidos do começo de 1960 ao fim dos anos 1970) foi, em um primeiro momento, a pedra no sapato dos jovens Y no mercado. E este conflito tem muito a acrescentar à estreia da geração Z no mundo corporativo. A geração Y teve um aprendizado dolorido no convívio com a geração X. A Z pode aproveitar isso, se tiver a habilidade de aprender, diz Julio Amorim, sócio fundador. Para justificar esta lição, o especialista usa uma metáfora. Para ele, é como se a geração Y fosse o filho mais velho e a Z, o irmão menor. Geralmente, o filho mais velho teve que se adaptar a regimes mais rígidos, enquanto o filho mais novo já cresceu sabendo lidar com este aprendizado, diz. Na opinião dele, tudo leva a crer que a geração Z, observando o conflito geracional, saberá lidar melhor com as diferenças de idade no ambiente de trabalho. Se esta geração entender isso logo, poderemos ter, em breve, mais líderes da geração Z do que da Y, diz. 2 A referência do que NÂO fazer Exposta mais tarde às frustrações do mercado de trabalho, a geração Y enfrenta hoje uma infelicidade latente, segundo Sidnei Oliveira. A geração Y começa a sentir o peso de suas escolhas e sente-se frustrada por não ter, na casa dos 30 anos, alcançado o que seus pais, da geração X, já tinham nesta idade, diz o especialista. Assim, o jovem Z pode perceber os tropeços de seus colegas Y como exemplo do que Não fazer e mudar de estratégia. Ele (jovem Z) vê a geração Y pagar um preço alto por ter se colocado expectativas que não condiziam coma realidade e ter se acomodado ao excesso de proteção dos pais, diz Oliveira. A entrada tardia no mercado, mudanças de curso universitário, um sem-número de empregos até os 30 anos e os custos da maturidade profissional tardia são alguns dos aspectos que podem fazer a geração Z repensar estratégias de carreira, na opinião dele. 3 O valor a partir de entregas e resultados efetivos Eles da geração Z mudam a toda hora, não pensam em longo prazo, diz Felipe Cataldi, sócio fundador da Betalabs. Exemplo de sucesso na geração Y, Cataldi diz já sentir grande diferença de modelo mental entre a geração Y e Z. Para ele, uma grande lição da geração mais velha à mais nova está relacionada à importância da execução das tarefas e de fechar ciclos. Está todo mundo no mesmo barco, ele precisam entender que não são tão especiais assim e que vão mostrar o seu valor ao mercado a partir do trabalho, diz Cataldi. Lição essa que a geração Y, segundo os especialistas, vem aprendendo a duras penas.
Fonte: Exame Abril


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