Iniciativas sustentáveis que geram renda

15/04/2014 - Empresários brasileiros são exemplo de como sustentabilidade e empreendedorismo podem caminhar juntos RIO — O Relatório Global de Sustentabilidade Empresarial de 2013, divulgado pelo Pacto Global das Nações Unidas, concluiu que, quando se trata de responsabilidade social, as empresas falam muito e fazem pouco. Segundo a pesquisa, que ouviu duas mil empresas em 113 países, 35% dos gerentes recebem treinamento para integrar sustentabilidade às estratégias e operações das empresas. Enquanto as grandes companhias correm para se enquadrar no Pacto Global da ONU, três empresários se destacam no Brasil por iniciativas que aliam bem sustentabilidade e o crescimento de seus negócios. Em 2009, na capital paulista, um jovem de 25 anos, recém-formado em engenharia elétrica na USP, se enfurnou durante meses no sobrado desativado do avô e montou um laboratório de testes de iluminação. O resultado foi uma nova tecnologia que chega a economizar até 80% de energia. Naquele mesmo ano, André Ferreira abriu a Luminae e passou a desenvolver sistemas de iluminação para indústrias e redes de supermercado. — Eu percebia que a iluminação era tratada comercialmente muito mais com apelo estético. Havia uma carência de produção focada na eficiência energética. Hoje, há empresas com uma consciência de sustentabilidade muito forte, e o mercado precisa atender essa demanda. É possível gerar lucro pensando no meio ambiente - garante Ferreira que vê seu negócio crescer 100% ao ano. Recentemente, a Luminae criou o Econômetro, que mede o quanto de energia seus clientes economizaram ao longo do tempo. Em 2013, foram 150 milhões de KWh, o suficiente para abastecer por um ano uma cidade como Marília, no estado de São Paulo, com cerca de 220 mil habitantes. No Espírito Santo, uma iniciativa sustentável levou a empresária Regina Célia a conquistar o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, na categoria microempreendedora individual. Formada em Propaganda e Publicidade, Regina resolveu fabricar sabões de limpeza doméstica para usar em casa e economizar dinheiro, reaproveitando óleo de cozinha. — Eu acabei fazendo 65 litros de sabão. Como era muito, doei para a vizinhança e me surpreendi com o retorno dos vizinhos que adoraram. Percebi ali que eu poderia vender e dar um destino melhor para esse óleo, que nunca deve ser jogado em ralos ou vaso sanitários porque causa contaminação de rios. No Natal, Regina promoveu uma campanha em um jornal local de Vila Velha para estimular o reaproveitamento do óleo de cozinha na região. Em troca de garrafas do resíduo, ela presenteou os vizinhos com barras de sabão em papel reciclado com a mensagem “Seja inteligente, reciclar é preciso, ame a natureza”. — O mais legal é perceber que, no bairro onde moro, as pessoas estão mais conscientes. Mesmo não havendo coleta seletiva, as pessoas põe garrafas de óleo de cozinha na calçada porque sabem que alguém vai pegar para fazer sabão — comemora a empresária. E não precisa ter formação acadêmica para ter ideias lucrativas e sustentáveis. Precisa ter vivência. É o caso de Regina Tchelly, paraibana do município de Serraria que concluiu o ensino médio e saiu de sua cidade natal em 2001 para trabalhar como empregada doméstica no Rio de Janeiro. Moradora da Babilônia, no Leme, Regina logo se espantou quando chegou ao Rio e viu a quantidade de comida que era jogada fora. — Na Paraíba, a gente aproveita tudo. Aqui, eu vejo tanto alimento que não é aproveitado nas feiras livres. Fora as famílias que preparam suas refeições e jogam fora cascas e talos, tanta coisa saborosa e rica em nutrientes. Em Serraria, ela já sabia cozinhar, mas sempre quis ser diferente e fazer comida com respeito ao alimento e aos produtores. Foi assim que desenvolveu a Favela Orgânica, empresa que oferece buffets com cardápios sustentáveis e oficinas em que ensina suas receitas. — Não é uma questão de reaproveitar o alimento, mas de aproveitar totalmente. Entre suas receitas mais famosas, estão o risoto de casca de melancia, a salada de talos e o brigadeiro de casca de banana, que já renderam alguns prêmios a ela. Em março, chefs de diferentes partes do mundo provaram as iguarias da chef sustentável em um encontro da Universidade Ciências Gastronômicas de Polenzo, na Itália. É a segunda vez que Regina visitou a Europa para mostrar seu trabalho. Amanda Wanderley
Fonte: O GLOBO


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