Cai por terra o estereótipo do bibliotecário

14/04/2014 - Sheila Vieira sheila@rac.com.br O bibliotecário pode atuar como bibliógrafo, biblioteconomista, consultor ou gestor de informação A profissão de bibliotecário está mais dinâmica e não se resume apenas a visão estereotipada da senhorinha de óculos que fica atrás do balcão, encontrando o livro certo na prateleira certa e pedindo silêncio a todo momento. Embora a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) defina o profissional como sendo um liberal que atua com informação, além de documentalista e analista de informação, a maior parte das pessoas desconhece que a gestão da informação e acompanhamento do dinamismo das fontes fazem parte do escopo do profissional de biblioteconomia. Unindo a racionalidade e experiência dos bibliotecários com a capacidade de desenvolvimento dos profissionais de TI, softwares abrangentes e facilitadores do processo de pesquisa e seleção de dados, aprimorados para o mercado, mostram que é perfeitamente possível a interação entre a tecnologia e a atividade na área da biblioteconomia. Bibliotecária há 20 anos, Liliana Giusti Serra atua como profissional da informação em uma empresa de tecnologia, a Prima, responsável pelo software “SophiA Biblioteca”, conta que a profissão acompanha as mudanças da explosão da informação desde outras épocas e não somente como o advento da internet — como a prensa móvel de Gutenberg, em 1439, até chegarmos em 2004, com a criação da web 2.0 que facilitou a produção de informação, impondo ao bibliotecário uma mudança nos critérios de escolha da fonte e confiabilidade da informação. “Com a facilidade de acesso à informação, ele pode recorrer às fontes padronizadas até outros canais abertos e seguros”, explica a bibliotecária. Segundo Liliana, que está fazendo mestrado em Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação na Universidade de São Paulo, na Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP), os registros antes disponíveis somente em papel hoje estão acessíveis como documentos on-line, mas essa disponibilidade não substitui o profissional da área de biblioteconomia, que vai atender a necessidade do usuário a partir da seleção e agrupamento do máximo de dados necessários para atender a demanda e no tempo necessário. “A tecnologia deve ser encarada como uma ferramenta que ajuda o bibliotecário em sua atividade, facilitando a descrição do acervo e auxiliando no controle do banco de dados”, diz a bibliotecária. Na visão de Liliana, a tendência das instituições de pesquisa e centros de documentação e memória é o fortalecimento dos acervos híbridos que unem a biblioteca física e digital, meios que se complementam. A tecnologia, segundo ela, entra como um recurso, mas não significa que a informação será usada indiscriminadamente. Compete ao profissional da área filtrar o conteúdo pesquisado. O uso dos softwares especialmente desenvolvidos para agilizar e facilitar a pesquisa é uma prática cada vez mais adotada pelas instituições. O “SophiA Biblioteca” é uma ferramenta robusta que atende desde o acervo de uma empresa até a demanda da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), com mais de 1,5 milhão de registos no ar. Outros 400 mil estarão disponívis até o final do ano. Segundo César Antonio Pereira, diretor da Faculdade de Biblioteconomia (FABI) da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), o profissional tem excelentes oportunidades no mercado de trabalho, variando desde tradicionais bibliotecas, centros de informação e documentação, a demandas na expansão de instituições de Ensino Superior e de escolas técnicas, escritórios de advocacia, contabilidade e controladoria, ramos que aumentam as oportunidades do bibliotecário, em razão da necesssidade de organização de seus materiais.
Fonte: Correio Popular - Campinas/SP


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