Passos: de anônimo a fenômeno

14/04/2014 - Bem antes de ser um escritor premiado, José Luiz Passos já era célebre no meio universitário recifense. No final dos anos 1990, nos corredores do curso de ciências sociais da Universidade Federal de Pernambuco, muito se falava de sua “ascensão napoleônica”. Passos foi para os Estados Unidos em 1995, aos 24 anos, fazer pós-graduação. Em apenas três anos, concluiu mestrado e doutorado e conquistou o posto de professor na prestigiosa Universidade da Califórnia (Ucla) em Berkeley. Mas foi com sua carreira literária que Passos, 42, expandiu suas façanhas para um público bem mais amplo. Enquanto lança seu mais recente trabalho, uma reedição ampliada da coletânea de ensaios Romance com Pessoas - A Imaginação em Machado de Assis, ainda colhe os louros do anterior. Por seu segundo romance, O Sonâmbulo Amador (2012), o hoje professor de literaturas brasileira e portuguesa na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, conquistou espaço de relevo nas letras nacionais. Na última quarta-feira, venceu o Prêmio Brasília de Literatura. No final do ano passado já havia faturado outra honraria de prestígio, o grande prêmio do Portugal Telecom de Literatura. Os críticos, em geral, não pouparam elogios ao livro. O doutor em teoria literária Alfredo Monte terminou assim uma resenha publicada em janeiro do ano passado: “Eu até arriscaria a afirmar que se trata de uma obra-prima. Ainda é prematuro, reconheço, contudo fica a sugestão pairando no ar”. “Esse reconhecimento me deu mais confiança”, conta Passos. “Eu tinha muito medo de ter feito tudo em vão. Escrever exige muito esforço e solidão. Você poderia estar numa praia, tomando uma cerveja, mas está ali, afastado de todos, perdido em si mesmo.” Passos gastou seis anos escrevendo seu primeiro romance, Nosso Grão Mais Fino. O segundo levou igual tempo, elaborado nas brechas entre a sala de aula e a dedicação à família. Era tão discreto em sua produção ficcional que seus colegas professores ficaram surpresos ao saber que era também um romancista -e ainda dos bons. “Acho que a vida acadêmica ajuda muito na consciência da técnica. Não são atividades excludentes. Mas tem uma hora em que você não quer apenas narrar o gol, quer fazer o gol.”
Fonte: O Povo Online - Fortaleza/CE


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