Novo motor para as PMEs

17/01/2014 - Investimento maciço em tecnologia da informação (TI), sobretudo em novas tendências — como é o caso do modelo de computação em nuvem —, ainda é comumente relacionado a empresas de grande porte. Ocorre a avaliação de que, com orçamentos mais modestos, as empresas de pequeno e médio porte (PMEs) têm de se concentrar no crescimento do negócio e, por essa razão, faltam recursos para aplicar em inovação. Estudo recente do Boston Consulting Group (BCG), no entanto, mostra que uma das chaves para o sucesso dos negócios no segmento de PMEs é o investimento em novos recursos da área de tecnologia. Um dos dados mais interessantes trazidos pela pesquisa é que, se mais PMEs fizessem esse tipo investimento, a receita delas poderia ter crescimento conjunto de aproximadamente US$ 770 bilhões, acarretando a criação de mais de 6 milhões de postos de trabalho em cinco anos. Entre as companhias brasileiras consultadas pelo BCG, as PMEs tidas como líderes em inovação tiveram incremento médio de receita anual 16 pontos percentuais maior que empresas com menores níveis de avanços entre 2010 e 2012. Segundo o estudo, se utilizassem tecnologias como softwares de produtividade, internet e serviços baseados na nuvem, PMEs contribuiriam com acréscimo de US$ 122 bilhões na economia. A cifra dá ideia da importância desse segmento responsável por cerca de 40% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O potencial de agirem como espécie de combustível se explica por diversos fatores. Um deles é o fato de recursos de TI (como a nuvem) permitirem que companhias de todos os tamanhos tenham acesso a serviços que antes estavam disponíveis apenas para grandes corporações. É como uma democratização da TI, que põe todos no mesmo patamar e dá chances mais igualitárias de crescimento, independentemente da dimensão ou da capacidade de investimento. Outra implicação prática é que a tecnologia possibilita que funcionários estejam em dia com o trabalho de qualquer lugar — o que facilita, inclusive, a expansão internacional das PMEs. O mesmo estudo mostra que companhias que adotaram a computação em nuvem são seis vezes mais propensas a ter clientes internacionais e 24 vezes mais chances de ter funcionários no exterior. Há ainda redução importante de custos. O empresário concentra mais recursos na principal atividade porque, quando migra o serviço de e-mail para a nuvem, deixa de arcar com os custos de um servidor próprio, muitas vezes fardo pesado para negócio em fase de expansão. Fica claro que, dada a importância e o tamanho do segmento de PMEs, estimular-lhes o crescimento é caminho fundamental para economias como a brasileira. Impõe-se garantir que as PMEs tenham acesso a novos recursos tecnológicos e assegurar que estejam aptas a fazer uso das ferramentas para estimular os negócios. É evidente, no entanto, que não se pode esperar nova onda tecnológica para tomar medidas nessa direção. Os recursos inovadores estão à disposição. O empenho do governo nas mais diversas esferas e a parceria da iniciativa privada para apoiar a empreitada serão decisivos para fazer que os avanços assumam cada vez mais o papel de protagonistas no dia a dia das PMEs. O incentivo à formação de um ecossistema maduro no setor de TI deve ser levado em conta. Muitas PMEs não têm executivos com vasta experiência e competências para a aquisição e implementação de TI. Por isso é fundamental que os grandes líderes de mercado tenham em mente a importância de fomentar fornecedores, parceiros e consultores locais, que cubram parte do deficit de conhecimento e auxiliem as PMES a usarem a tecnologia em benefício próprio. Seja para o pequeno e médio empreendedor, seja para o país que deseja pegar carona no crescimento das PMEs, a lição é simples: para ser competitivo e estar à frente da concorrência, será preciso, cada vez mais, enxergar a tecnologia como importante combustível para o crescimento. Autor(es): MARIANO DE BEER Correio Braziliense
Fonte: Clipping do Ministério do Planejamento


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