Os novos domésticos

29/03/2014 - NYC e RIO — Uma reportagem do New York Times mostra que o perfil dos funcionários do lar está mudando nos Estados Unidos. Munidos de graduação, experiência corporativa e conhecimentos em psicologia, trabalho social e finanças, ele começam a formar um nova geração de empregados domésticos. Um destes exemplos é Dylan Leonard Brown, de 30 anos, que tem mestrado em psicologia, um amplo currículo e agora está trabalhando para uma família abastada na área de Denver, supervisionando seis propriedades e gerenciando uma grande equipe. Brenda, de 51 anos, também é um destes casos. Ela tem MBA e um curso de graduação em contabilidade. Atualmente, é gerente de uma propriedade para uma família com sede em Nova York. Tanto Dylan como Brenda fazem parte deste novo tipo de profissional. Mas não é só lá. No Brasil, os funcionários do lar também está mudando no que diz respeito ao perfil e às exigências de quem escolhe e de quem é contratado. Hoje em dia, entre os requisitos de quem busca um profissional está até mesmo ser universitário ou graduado e ter conhecimento de outro idioma. E do outro lado, as restrições também mudaram. Os empregados já não querem mais dormir no emprego e cada vez mais segmentam suas atividades, como só passar roupa ou só cozinhar. A grande procura por este tipo de perfil acima tanto de patrões locais como estrangeiros para babás, por exemplo, fez com que a psicóloga e diretora do Cuidar Bem, Aline Gomes Rivero, mudasse o planejamento da empresa de recrutamento para 2014. — Mudamos nosso treinamento porque temos recebido muitas solicitações de babás com nível universitário e que fale outra língua, principalmente do fim do ano passado para cá — afirma. A diretora explica que enquanto nos Estados Unidos já é comum o trabalho por hora há algum tempo, no Brasil, apesar das mudanças, é um outro processo: — Primeiro era a mensalista que dormia, depois o trabalho passou a ser quinzenal, e agora é cada vez mais a figura da diarista e quase nenhuma pernoite. As babás também mudaram, pois antes todas dormiam nas casas e hoje não mais. Nós percebemos que houve uma mudança no perfil delas. Estão com mais acesso à educação e como tem conforto em casa, querem retornar para seu lares. Os funcionários do lar estão mais exigentes, assim como quem contrata — diz Aline. Segundo ela, a tendência é que cada vez mais os empregados domésticos cobrem por diária e que aumente o uso de serviços de lavanderia e creches por parte dos patrões. Serviço segmentado exclui dependência da casa Esta mudança no perfil dos funcionários da casa reflete também na concepção de um projeto de arquitetura. Cada vez mais a dependência de empregada ganha novas finalidades, como home-office, estúdio e até mesmo um quarto de hóspedes. Segundo Vicente Giffoni, presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea), embora algumas construções já nem tenham mais o quarto de empregada, hoje, vive-se um momento de meio termo, em que ainda tem-se o cômodo, porém, com plantas flexíveis. — A tendência é cada vez mais o quarto de empregada se tornar outra coisa. Mas também não deixa de existir totalmente, porque depende das dimensões do imóvel e do perfil da família. Mesmo que não seja mais comum dormir no serviço, ainda há profissões que exigem a pernoite como babá, enfermeiros e cuidados — explica Vicente, acrescentando: — E tem a questão da mobilidade também. Alguns funcionários moram muito longe ou tem de enfrentar horas de trânsito e acabam dormindo na casa.
Fonte: O Globo - Rio de Janeiro/RJ.


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