Geração Y: dicas para uma trajetória positiva no mercado de trabalho

26/03/2014 - Reconhecidos pela impaciência e pelo desapego à hierarquia, esses jovens profissionais precisam aprender a usar tal comportamento como virtude, dizem especialistas Ao mesmo tempo, é primordial que as empresas e seus líderes compreendam o quanto estes talentos trazem vantagens para o time RIO — Foco de muita polêmica, a geração Y está quase (se é que podemos dizer quase) dominando o mercado de trabalho. Mas o perfil dos jovens nascidos nas décadas de 1980 e 1990, reconhecidos pela impaciência, pelo desapego à hierarquia e pela dificuldade em aceitar regras, pode causar estranhamento ao universo corporativo — normalmente, cheio de processos e estruturas rígidas. E, dizem os especialistas, um dos maiores desafios do mercado de trabalho, hoje, é justamente entender as motivações e o perfil profissional dessa geração jovem que vem ascendendo em várias profissões, mas que tem valores e objetivos muito peculiares. — A ‘velocidade’, no entanto, não pode ser desmedida. A geração Y precisa utilizar esse comportamento como virtude, não como sinal de precipitação — avalia Vanessa Jóia, consultora da Luandre, fornecedora de soluções em RH com mais de 40 anos de experiência na seleção de profissionais. Sócia-diretora da Yluminarh e professora do Ibmec-RJ, Ylana Miller ressalta que esta geração tem uma inquietude natural que pode ser usada, sim, a seu favor, em especial nas competências criatividade e inovação. — São pessoas que pensam “fora do quadrado”, com ousadia, podendo estimular e promover um ambiente de mudanças na organização — diz a consultora. No entanto, enfatiza, para evitar desgastes no ambiente de trabalho, esses novos talentos podem ter mais empatia e resiliência: — A ansiedade em fazer acontecer pode comprometer o equilíbrio emocional e o relacionamento com a própria equipe ou liderança. Vale ressaltar que, por um lado, as empresas estão mudando. Segundo pesquisa da Amcham para reter os jovens talentos, mais de 40% das empresas ouvidas adotam a flexibilidade de horários e 34,5% criam planos de carreira específicos para a geração Y. Segundo os gestores ouvidos pela Amcham, os maiores desafios para lidar com estes profissionais são a necessidade constante de motivação para atuação em projetos e tarefas cotidianas (citado por 52,9%), e ajustes na adaptação aos modelos hierárquicos de gestão (lembrado por 35,6%). Para a professora do Ibmec-RJ, é primordial que as empresas e seus líderes compreendam que este talento traz vantagens para o time: — A troca e a complementaridade entre diversas gerações traz ainda mais riqueza no desenvolvimento dos projetos e desafios da equipe. A geração Y trabalha para viver, se sente atraída por locais de trabalho que sejam divertidos, buscam mentores visando o seu desenvolvimento, além de líderes que ouçam suas ideias. Por isso, diz Ylana, criar um ambiente desejável para esta geração é valorizar o trabalho em equipe, promover um ambiente de aprendizado contínuo e troca de conhecimentos, seja através de programas de treinamento ou no dia a dia de suas atividades. — São profissionais que buscam entender o contexto do negócio que estão inseridos e o motivo pelo qual estão realizando um projeto. Valorizam o contato com a liderança e, por isso, gestores que transmitem confiança e praticam o feedback costumam ser atraídos por esta geração. Diante desse cenário, afirma a consultora da Luandre, os novos profissionais também podem — e devem — tomar atitudes para evitar desgastes no começo de sua carreira. Confira abaixo algumas dicas para que estes jovens profissionais, que, segundo o IBGE, hoje já respondem por cerca de 25% da população brasileira, tenham uma trajetória de sucesso desde o primeiro emprego: PESQUISE A EMPRESA, SEMPRE — É preciso entender cultura, missão, visão e valores da empresa almejada, sobretudo estudar o segmento e avaliar se há compatibilidade com seus objetivos. — Desta forma, o processo de seleção se torna bilateral e o profissional pode e deve escolher sua trajetória — avalia Vanessa. ESTEJA ABERTO A OUTROS PONTOS DE VISTA — Conviver com a diferença é fundamental, pois o jovem encontrará gestores de outras gerações e culturas. Aliar seus conhecimentos com administração de conflitos e adaptação somam competências atrativas, facilitando sua colocação na empresa e no mercado corporativo em geral. VIVA EXPERIÊNCIAS DIVERSAS — A vivência técnica e o contato com gestores de diferentes gerações são fatores decisivos nessa fase de aprendizado. — Muitas vezes, o estágio ou o trabalho temporário podem oferecer um panorama da empresa ou setor que contribuirão para a assertividade na escolha da carreira profissional — propõe Vanessa. FOQUE NAS SUAS QUALIDADES – Quando não se perde o foco, as características marcantes da geração Y —dinamismo, facilidade com sistemas e atividades diversas — podem ser grandes vantagens. — Se o jovem tem clareza nos objetivos, se preparando e entendendo a cultura do empregador, o conhecimento tecnológico é um facilitador — afirma Vanessa. SAIBA RECONHECER AS OPORTUNIDADES – Hoje, há corporações que priorizam o perfil da geração Y na contratação. Em geral, gestores que desenvolvem projetos com prazos bem definidos e oferecem plano de carreira visível são potenciais contratantes dessa geração. Eles buscam profissionais com domínio de ferramentas tecnológicas, multiplicidade de ação e facilidade de realizar projetos inovadores.
Fonte: O GLOBO


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