Papel e digital se complementam

25/03/2014 - A Herly Parente é a única escola da rede municipal de Natal a participar, desde 2011, do projeto piloto Um Computador por Aluno (UCA), do governo federal. Lá todos os 347 alunos matriculados tem um netbook personalizado. Rayane Mainara Na Escola Herly Parente, cada aluno possui um computadorNa Escola Herly Parente, cada aluno possui um computador Os aparelhos são usados diariamente como ferramenta de pesquisa e apoio com jogos didáticos, exercícios, vídeos das disciplinas, em sala de aula e em atividades de campo, explica coordenadora do UCA, Conceição Barros. Blogs para cada turma foram criados pelos professores e oferecem aulas virtuais - apesar da presença do educador em sala de aula - com imagens, vídeos, hiperlinks além de textos de apoio ao conteúdo que tornam as aulas mais interativas. Se por um lado há a garantia de tornar a escola e ensino mais interessante ao aluno, por outro, o uso de tablets, notebooks e smartphones na sala de aula pode levar a dispersão frente ao abrir um mundo de informações em sala de aula. Nas duas instituições de ensino visitadas para esta reportagem, os professores passaram por capacitação para saber operar e melhor orientar a exploração das novas plataformas. O controle de acordo com a coordenadora da UCA na Escola Herly Parente, Conceição Barros, é feito por meio da instrução fiscalizada dos educadores para evitar visitas a redes sociais e sites fora do contexto da aula. A professora de inglês, Givênia Fonseca, do Colégio Salesiano, conta que dá resultados conscientizar para um uso responsável. “Não temos muito problema com essa distração. É evitada”, afirma. Adriano Abreu Eduardo Lucas, do Salesiano, usa conteúdo digital em sala de aulaEduardo Lucas, do Salesiano, usa conteúdo digital em sala de aula “A gente sabe que não é para usar o Facebook aqui, só em casa. Aqui é para estudar”, reitera o estudante da rede municipal Gabriel Orikasa, de 10 anos. Modernizar o ensino em sala de aula é desafio Para o doutor em educação e professor do Departamento de Práticas Educacionais e Currículo, do Centro de Educação da UFRN, Marcos Aurélio Felipe, “a mudança do livro impresso para outras tecnologias deve vir acompanhada de mudança de contexto social, econômico e, sobretudo, educacional, o que nem sempre acontece”, frisa ele que considera ainda “prematuro” falar em substituição definitiva, apesar de inevitável o uso de plataformas midiáticas no ambiente educacional. Seja do ponto estrutural, seja do pedagógico, a modernização da escola e sistema ensino-aprendizagem é um desafio, analisa o especialista em educação. Para ele, o processo não se reduz a questão de decisão se a escola deve ou não se preparar para absorver, compreender e fazer uso das tecnologias no aprendizado, uma vez que a presença das tecnologias no cotidiano da sociedade é real e “irreversível. “É uma questão de compreensão de uma necessidade e de preparação de seus sujeitos para um processo que já chegou a escola”, enfatiza. Há ainda a confusão formada entre linguagem e suporte, o que acarreta uma tendência em querer utilizar as tecnologias de hoje da mesma forma que usávamos as de ontem. “A questão é perceber, do ponto de vista da interatividade ou convergência, ou da publicidade, ou do conceito de rede, como as linguagens confluem, interagem, imbricam-se e se transformam e, nesse contexto, se perceber onde novas subjetividades, sociabilidades e percepções do real se diluem, ou se fortalecem, ou se transformam”, analisa o professor. Escolas municipais de Natal receberão lousas digitais Escolas da rede municipal de Natal receberão lousas digitais no projeto de modernização do ensino e de processos necessários a inclusão digital de alunos e professores. Da Secretaria Municipal de Educação. Ao todo, são 220 equipamentos em um investimento de R$ 900 mil, que estão sendo instaladas até o final de abril para uso a partir do segundo semestre. Oficinas de capacitação estão sendo realizadas em 38 escolas que receberão os equipamentos através do ProInfo, programa do Governo Federal. Rayane Mainara Maria Clara é uma das alunas da rede pública com acesso digitalMaria Clara é uma das alunas da rede pública com acesso digital A lousa digital interativa, com tecnologia sensível ao toque (touchscreen) e conectado a um computador, permite que até quatro pessoas escrevam ou desenhem simultaneamente. “Isso irá proporcionar maior diversidade as atividades desenvolvidas com os alunos”, afirma a coordenadora do Setor de Tecnologia Educacional da SME, Vera Poletto. O segundo semestre também é a previsão dada pela secretária estadual de Educação, Betania Ramalho, para que os 1.775 tablets, que permanecem encaixotados no Centro de Trânsito de Materiais da secretaria desde abril de 2013, cheguem às escolas do ensino médio. Essa é a estimativa dada pelo MEC para finalizar a negociação com a empresa vencedora da licitação. Os tablets fazem parte de um kit com um projetor Proinfo e lousa digital, que não foi entregue porque a empresa contratada pediu um reajuste, devido o aumento do dólar entre o período do pregão e o da compra. O material só pode ser entregue completo.
Fonte: Tribuna do Norte - RN


Comentários da notícia