Internacionalização do Ensino

24/03/2014 - O ranking da consultoria Britânica Times Higher Education divulgou resultado, não classificando qualquer das universidades brasileiras entre as 200 melhores do mundo. Embora as conclusões desses rankings devam sempre ser, de alguma forma, relativizadas, esse resultado dá espaço à pergunta: como melhorar? Parte, ao menos da resposta, está no desenvolvimento de estratégias de internacionalização das universidades brasileiras. Programas governamentais começam a estimular o envio em massa de estudantes brasileiros para universidades estrangeiras. O exemplo mais significativo ultimamente é o programa “Ciências Sem Fronteiras”, que viabiliza o envio de milhares de bolsistas para programas estrangeiros de engenharia e ciências exatas. O movimento de saída de alunos cresceu. Mas e o movimento de chegada? As universidades brasileiras resistem a iniciativas mais agressivas de internacionalização. Poucas faculdades oferecem cursos em inglês, tornando inviável o recebimento de alunos estrangeiros em maior escala. Com demanda por mão-de-obra qualificada, o país seria um forte candidato a receber um número substancial de alunos estrangeiros. E o curso seria uma porta de entrada para o mercado de trabalho brasileiro. Mas a língua é um impeditivo para essa estratégia. Aliás, não só faltam professores qualificados a dar aulas em inglês, como os próprios alunos têm dificuldade em dominar o idioma, o que acaba sendo uma barreira até mesmo ao acesso ao “Ciências Sem Fronteiras”. Lá fora essa dificuldade já foi superada. Universidades como Tilburg, na Holanda, ou a LUISS, na Itália, oferecem programas de pós-graduação inteiros em inglês, justamente buscando uma estratégia de inserção internacional. Na verdade, essas faculdades passam a competir por alunos mundialmente, ao invés de ficarem restritas ao país de origem dos estudantes. As pesquisas e os trabalhos acadêmicos dos professores são também produzidos em inglês (ou traduzidos), a fim de livrar as comunidades acadêmicas de barreiras geográficas. É claro que essa estratégia tem riscos. Não é interessante escrever apenas sobre assuntos globais. E menos interessante ainda é um processo de internacionalização em que o professor brasileiro passa a reverberar apenas a agenda de pesquisa de outros países. Parte do trabalho do acadêmico é entender os problemas do país, oferecendo soluções para a sociedade brasileira. O Brasil tem fenômenos particulares a serem estudados com maior profundidade, como a ascensão rápida de um número enorme de pessoas para a classe média e o impacto disso na qualidade de vida das pessoas na cidade (o que pode ser visto com o aumento do trânsito) e também nos serviços prestados ao consumidor (como telecomunicações e planos de saúde). Aqui, o equilíbrio é a chave do sucesso. As universidades têm que se abrir ao exterior, recebendo e enviando alunos. E também sendo capaz de dialogar com as pesquisas lá de fora. Mas sem perder a identidade. Carlos Ragazzo Blog
Fonte: EXAME.com


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