Empreendedores contam quais foram seus piores erros

24/03/2014 - Eles são unânimes em afirmar que o erro faz parte do processo e que, na maioria das vezes, costuma trazer lições valiosas para o negócio Quando se olha para um empresário de sucesso, é difícil imaginar que ele já tenha passado por alguma dificuldade. Porém, os empreendedores são unânimes em afirmar que o erro faz parte do processo e que, na maioria das vezes, costuma trazer lições valiosas para o negócio. O Boa Chance perguntou a 17 empreendedores, das mais diferentes áreas de atuação, qual tinha sido o pior erro deles e o que haviam aprendido com a falha. Veja quais foram as respostas Tallis Gomes Easy Taxi "No início do Easy Taxi, meu maior erro foi pensar que, por ter uma ideia inovadora, iria conseguir atenção de qualquer investidor. Ledo engano. Gastei seis meses conversando com investidores sobre a ideia, quando ainda estava pivotando o negócio. Perdi muito tempo e só quando resolvi fazer o negócio acontecer, com ou sem investidor, é que realmente aconteceu. E pouco depois conseguimos investimento de um fundo de R$ 10 milhões. A lição é que o investidor não investe em ideia: ele investe em negócio. Então, antes de procurar investidor, é preciso validar o negócio. Mas esse é um erro muito comum no mercado, diria que 95% começam pensando no investimento, mas dificilmente alguém consegue um aporte ainda na fase da ideia. Uma vez que você tem o negocio de verdade, já validado, sabendo para onde vai o dinheiro que entrar, aí sim é o momento de buscar o investidor." Tallis é CEO e fundador do Easy Taxi, aplicativo que permite chamar táxis on-line e está presente em em 26 países e mais de 90 cidades. Dave Goldberg SurveyMonkey "Um medo que tinha era de competir quando se tratava do âmbito profissional. Mas aprendi que a competição é importante. Você deve abraçar a competição. Não deixe que concorrentes o impeçam de prosseguir com sua ideia. Bons concorrentes podem inclusive ajudar seus esforços, caso estabeleçam credibilidade para a categoria de produto em que concorrem com sua empresa. Bons concorrentes podem ainda ajudá-lo a isolar o seu campo de competição e obrigá-lo a trazer o seu melhor para o mercado. Muitas vezes, é a concorrência que ajuda a criar e a educar um mercado. Se você não tem qualquer competição, você tem que fazê-lo por si só. Aprendi a enxergar meu concorrente não mais com receio, mas como alguém que traz a oportunidade da inovação." Dave Goldberg é CEO da SurveyMonkey, empresa de pesquisa online que coleta mais de 1 milhão de respostas por dia. Marcos Ferreira mobCONTENT "Quando a empresa começou a crescer, em termos de funcionários e de funcionamento, tive que pular para um outro nível de administração ao qual não estava habituado e para o qual nem tenho formação. Gestão de projetos, de processos, de recursos humanos: tudo foi sendo implementado aos poucos e, por algum tempo, deixei tudo concentrado em mim, o que resolvia o problema parcialmente. Quando eu estava ausente, tudo desmoronava. Além disso, tive um desgaste pessoal muito grande, com quase dez pessoas se reportando a mim diretamente. Hoje, temos um mapeamento de processos bem preciso e todos sabem o que fazer na minha ausência. Há projetos hoje cujo orçamento simplesmente aprovo e depois vejo o resultado, que tem vindo sempre completando todas as expectativas." Marcos é CEO da mobCONTENT, produtora de narrativas transmídia e conteúdo, com foco no storytelling e em novas mídias. Marcelo Ferreira HelloFood "Meu maior erro foi ter contratado pessoas inteligentes, mas que não tinham espírito empreendedor. Ao contrário do mundo corporativo, no empreendedorismo não há um manual a ser seguido. Precisamos constantemente implementar novos processos, criar novos departamentos e desenvolver novos projetos, tudo isso sem um guia ou mapa. Nesse contexto, não basta que o funcionário seja inteligente. É preciso ter jogo de cintura, iniciativa pra botar a mão na massa, capacidade de se adaptar e coragem para assumir riscos e para tomar decisões num ambiente incerto. Pessoas que não têm esse perfil acabam se frustrando no mundo empreendedor e os projetos costumam nunca sair do papel. Aprendi que, para empreender, inteligência não é suficiente, é preciso ter espírito empreendedor." Marcelo é co-CEO e cofundador do Hello Food, empresa de delivery on-line presente em 28 países. Genau Lopes Júnior Joox "A demora para acreditar nos números do mercado antes de efetivamente abrir a startup. O projeto Joox foi idealizado em 2006. De lá até o lançamento, em meados de 2012, foram seis anos esperando a hora certa de mostrar o plano de negócios aos investidores. Mesmo com um cenário positivo do mercado, uma demanda em busca do produto, acabei focando e atrelando o lançamento ao momento da internet no Brasil. O medo de lançar um produto e uma plataforma inovadora, e um conceito pouco conhecido no mercado brasileiro, me influenciaram a adiar a abertura e criação da empresa. Com isso, seis longos anos foram suficientes para eu perceber que, quando você tem algo inovador em suas mãos e em sua cabeça, o tempo, o momento e as conjecturas do mercado são infinitamente menos importantes do que o projeto em que está trabalhando e que tem certeza de que é viável. Aprendi então algo que levarei para o resto da minha vida: inovar e empreender, são atitudes que devem andar sempre juntas, nunca separadas e em momentos distintos." Genau é fundador da Joox, plataforma de personalização de materiais impressos, como cartões de visitas, mini-cards e adesivos. Pedro Salomão Radio Ibiza "Somos uma empresa de pessoas e valorizamos o ser humano e as relações de amizade. Procuramos criar laços com nossos fornecedores e clientes, trazendo-os para as nossas vidas e participando das deles. Se, por um lado, isso é reconhecidamente um valor da empresa, por outro nos deixa vulneráveis para algumas vezes nos depararmos com situações em que falta profissionalismo. Certa vez, escolhemos um fornecedor por indicação de amigos. Demos a chance para alguém que estava começando e queria trabalhar conosco. Entreguei a tecnologia da minha empresa, o pulmão do nosso business, para um fornecedor sem que tivesse assinado um contrato. O resultado foi trágico! A empresa não tinha capacidade de nos atender. Precisei triplicar o investimento inicial tentando corrigir os erros e, após um ano inteiro de dor de cabeça, foi necessário refazer todo o processo com uma nova empresa. Por valorizar demais as relações e as pessoas, deixei de lado a avaliação profissional. Foi um momento difícil, que me fez repensar muita coisa." Pedro é um dos fundadores da Radio Ibiza, empresa que cria identidade musical, playlists e trilhas sonoras. Dan Strougo 99designs "Quando demorei nove meses para colocar a primeira versão do LogoChef, que não durou nem três meses no ar. O LogoChef, minha primeira empresa, era um sonho de anos. Apenas quando encontrei o Davi Goldwasser, cofundador, é que tomei coragem para entrar de cabeça no universo empreendedor. Como em todo sonho, criamos altas expectativas sobre aquela ideia. Ao criar o primeiro site do LogoChef desenhei cada vírgula, botão e texto tentando reproduzir o meu sonho no produto com uma certeza de que as pessoas navegariam e interagiriam com o LogoChef de um jeito específico. Errei feio! O site vendeu bem no lançamento, mas muito pelo apoio dos amigos. Depois a conversão caiu para quase 0%. Se em vez de ter demorado nove meses, tivesse colocado o site de pé em uma versão bem mais básica, teria alcançado o sucesso muito mais rápido. Aprendemos a agilizar os redesenhos de produto ao ponto de lançarmos a última versão da plataforma virtual do LogoChef em 45 dias." Dan é country manager da 99designs, que adquiriu o LogoChef e é uma plataforma que conecta empreendedores a designers gráficos. Melina Pettendorfer Carinhas Personalizadas "Erramos ao investir alto em "soluções definitivas". Porque não há, nunca, na vida do empreendedor, uma solução definitiva. Tudo muda o tempo todo, então, nos custou caro aprender que, por exemplo, uma máquina X não será a solução definitiva para produção do item Y. Vão surgir novos equipamentos, novas soluções o tempo todo. Aprendemos que o site assim assado não é a solução definitiva para o e-commerce porque, no próximo ano, vão surgir outras tendências, outras demandas dos clientes. Conclusão: continuamos investindo sempre em melhorias, mas passamos a pensar muito mais antes de tomar decisões e diversificar o investimento." Melina (na foto) é criadora do site Carinhas Personalizadas, ao lado do marido, Raphael. Juntos, produzem retratos personalizados, estampam produtos e fazem identidades visuais. Felipe Cataldi Betalabs "É difícil pontuar um erro apenas: nós erramos muito, quase todos os dias. Empreender, hoje, ainda mais no cenário que o país apresenta, é um aprendizado diário. Eu diria que, no começo, nós subdimensionamos o grau de responsabilidade que teríamos sendo empreendedores. Você tem aquela ilusão de que não terá chefe, a sua vida será melhor, mas, pelo contrário, o cliente é o seu principal chefe e, se você for embora do escritório, e não resolver o problema, não há outra pessoa que vá resolver. Apanhamos muito no inicio pra conseguir entender e adequar nossa vida com a realidade de que empreender é muito mais difícil do que parece e que, se você não der o seu máximo, o negócio não vai pra frente." Felipe é sócio-fundador da Betalabs, especializada no desenvolvimento de sistemas de gestão empresarial (ERP), e-commerce e softwares sob medida em cloud computing. Marcio Campos PagPop "Aos 19 anos, montei meu primeiro negócio e vendia livros na faculdade. Tinha certeza do potencial comercial e segui em frente. Era um grande vendedor, mas minha visão sobre gestão de processos e indicadores de desempenho simplesmente não existia. Eu focava muito no volume de vendas e não cuidava com lupa das variáveis de custo e inadimplência. Percebi claramente que meu erro estava na minha formação, pois era um acadêmico de odontologia (curso altamente especializado), lidando com vendas, gestão de pessoas e processos. Aos 23 anos tive que fechar esta empresa por problemas de inadimplência e logo depois complementei minha formação com uma pós graduação em gestão empresarial, que me ajudou muito, mas, principalmente, deu a resposta que eu queria. Precisava saber se a culpa e os erros foram meus. E sim, foram todos meus. Mas os erros viraram fontes de inspiração, e hoje sou fundador e presidente de uma empresa rentável, sólida e que cuida de todas as variáveis." Marcio é CEO do PagPop, empresa de meios de pagamento multicanal, que disponibiliza pagamentos via smartphone. Israel Salmen Meliuz "O Meliuz é uma startup e tem a tecnologia como um dos pontos mais importantes da empresa. Meu erro no início do negócio foi ter contratado uma empresa terceirizada para realizar esse serviço. Isso engessou minhas operações por mais de um ano e atrasava bastante a entrega das demandas, atrapalhando muito o crescimento do site, atendimento a clientes, gerenciamento das operações etc. Ou seja, toda a empresa foi afetada por um único erro, mas um erro crucial para o meu tipo de negócio. A partir do momento que trouxemos uma equipe técnica para dentro da empresa e montamos um time forte e focado, as coisas começaram a fluir e nossa empresa cresceu mais de 60 vezes desde então. Para mim ficou bem claro que, para executar e entregar um serviço de qualidade para os clientes, é muito importante ter um time 100% comprometido e focado nos objetivos." Israel é um dos criadores do Meliuz, plataforma que une programa de fidelização e cupons de descontos gratuitos para lojas on-line. Eduardo L’Hotellier GetNinjas "No começo do GetNinjas, eu demorava um pouco para tomar certas decisões por medo de cometer um erro. Hoje percebo que, muitas vezes, nós temos que tomar decisões de forma rápida e também devemos estar prontos para um "plano B" quando essa decisão não sai como planejada." Eduardo é CEO do GetNinjas, plataforma para contratação de serviços locais como reformas, limpeza, assistência técnica, fotografia e aulas particulares. Tatiana Goldestein Casar Casar "Meu principal erro foi tentar fazer tudo sozinha: eu acabei ficando muito sobrecarregada. Tive que aprender a delegar, mas esse comportamento veio principalmente pela dificuldade em montar uma equipe comprometida." Tatiana é fundadora do Casar Casar, portal de organização de casamentos. Gabriel Gaspar Nibo "Acredito que meu principal erro ao longo de minha vida profissional tenha sido investir tempo e dinheiro em empresas que estavam em setores ruins. Muita competição, margens apertadas, riscos altos, muita necessidade de capital, retornos baixos e falta de ganhos de escala. Não adianta: quando algumas dessas características se combinam, elas formam negócios ruins. Você pode ser o Jack Welch, o Steve Jobs reencarnado, mas não existe milagre. Empresas que têm negócios ruins podem até se manter vivas, mas vão ter muita dificuldade em crescer como gostariam e ganhar dinheiro de verdade. Como diria Warren Buffet “Quando um bom gestor trabalha em uma indústria ruim, geralmente é a reputação da indústria que se mantém intacta”. Perdi tempo e dinheiro em negócios que eram inerentemente difíceis, ruins. Aprendi que não posso me deixar levar pelo meu gosto por desafios, aprendi que não faço milagres e tenho que avaliar muito bem os riscos e as reais chances de sucesso de uma empresa antes de me evolver com ela. Ao contrário do que as pessoas costumam pensar, errar não é necessariamente ruim para um empreendedor. Errar pode fazer parte de um valioso processo de desenvolvimento pessoal e profissional, mas, para que isso aconteça, é preciso que o empreendedor tire lições com seus tiros n"água. Gosto de uma frase que diz que “Se você não experimentou o fracasso é porque não arriscou o suficiente”. O importante não é evitar o erro mas sim aprender com seus erros e continuar avançando." Gabriel Gaspar é CEO e cofundador do Nibo, ferramenta de gestão financeira para pequenas e médias empresas. João Olivério Zendesk "Meu maior erro, ou sequência de erros, aconteceu nos primeiros anos como empreendedor. Criei meu primeiro negócio em 2004, a agência digital Brownbag e, como todo empreendedor, era responsável pelas áreas operacional, administrativa, produto, enfim, tudo, e principalmente pela parte de vendas. Como é natural para qualquer nova empresa, os primeiros contatos são feitos com amigos e familiares. E esse foi o meu maior erro, querer oferecer os serviços e produtos às pessoas de minha confiança e não dar o atendimento adequado. Na empolgação de querer fechar cada vez mais negócios, aumentar a receita e conquistar mais clientes, muitas vezes os clientes existentes eram deixados de lado, até por eu ter começado sozinho e por muitos anos contar apenas com freelancers, em vez de investir em uma equipe mais completa. Eu me considerava um excelente vendedor, mas não era o melhor "entregador". Demorei um pouco para verificar o quão importante era valorizar o cliente já conquistado e poder extrair o máximo deles, ainda mais no caso de pessoas próximas. Corrigi esse erro após algumas decepções, em que assumi essa falha, pedi desculpas e muitas vezes devolvi o valor investido, arcando com o prejuízo. Mas isso foi importante para aprender a não cometer esse tipo de erro novamente. Após isso, resolvi investir na contratação de pessoas competentes para cada área e procurei descentralizar mais a operação. Além disso, comecei a investir ainda mais no relacionamento com os clientes em todos os demais negócios em que participei. Hoje, penso duas vezes antes de envolver amigos e familiares nos meus negócios, a não ser que conte com uma estrutura de atendimento, produto e suporte como a que eu possuo hoje." João Olivério é country manager da Zendesk, fornecedora de software em nuvem para atendimento ao consumidor e gerenciamento de chamados. Jan Riehle Itaro "Um dos erros que cometi quando iniciei a Itaro, em dezembro de 2012, foi subestimar o quão difícil é este modelo de negócio – venda de pneus e autopeças pela web e a oferta de instalação em oficinas conveniadas. Lancei e ajudei outras empresas de e-commerce e sabia que a Itaro seria igualmente difícil de ser construída. Com o tempo, percebi como eu estava errado e que a Itaro se mostraria um desafio diferente e bem maior. E essa conclusão nos obrigou a ajustar a estrutura de capital da empresa recentemente. Tive, então, as seguintes percepções de erros: o mercado de reposição automotiva é mais complexo e muito mais difícil de entrar, estabelecer contatos, parcerias e bons negócios. Buscamos um investidor que tinha muito conhecimento do mercado, um ex-CEO da Pirelli, que nos ajudou tanto financeiramente quanto com expertise e contatos. Com a ajuda, conseguimos abrir as portas juntos aos fornecedores do mercado. Outro ponto importante é que tivemos que reajustar foi a logística. Vender pneu pela internet não é tão simples quanto imaginávamos, e nosso modelo de negócio – entregando os pneus diretamente para os oficinas conveniadas e não para o usuário final, complica ainda mais essa logística. A execução das entregas e da comunicação/sincronização com as oficinas precisam ser coordenadas e bem efetuadas, processos que achei que seriam bem mais simples. Com os erros e dificuldades, vêm o conhecimento e a aprendizagem. Alinhamos tudo e hoje temos uma bons índices de entrega e processos bem desenhados, além de portas bem abertas junto os distribuidores do mercado." Jan é CEO da Itaro, e-commerce de pneus e autopeças. Daniel Silva VaiMoto "Foi na formação de uma sociedade. No impulso de ver o meu sonho ter uma chance de sucesso, não pensei uma estruturação legal da sociedade e também um alinhamento claro das responsabilidades e expectativas. No começo, tudo era alegria, mas, conforme o negócio foi crescendo, tivemos que profissionalizar a empresa. Surgiram atritos com os sócios e ficou claro que não haveria sinergia para continuar. Por falta dessa estrutura legal, a negociação de saída foi super complicada e se arrastou por meses. No fim, para seguir adiante e pode começar novos projetos, tive que aceitar a proposta dos sócios e acumular as perdas! Hoje sou sócio em três empresas e em todas existe um planejamento e regras de saída do negócio." Daniel é CEO e fundador do VaiMoto, aplicativo para contratação de motoboys.
Fonte: O GLOBO


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