Dólar em alta pode estourar orçamento de intercâmbio

24/03/2014 -Planejamento e poupança em moeda estrangeira reduzem riscos SÃO PAULO - Mesmo com a tendência de alta do dólar, ao menos 232.447 brasileiros vão embarcar este ano para o exterior em busca de um curso de intercâmbio, uma alta superior a 450% em relação a 2004. Calcula-se que estes estudantes vão movimentar uma bolada de US$ 1,1 bilhão em estudos, acomodação e refeições. Especialistas em câmbio avisam, no entanto, que o dólar turismo, usado pelos viajantes, pode encostar em R$ 2,70 até o fim do ano, o que significaria alta de 8% sobre o patamar atual. Quem planeja a viagem com antecedência leva vantagem, sem risco de estourar o orçamento. — Quem já tem dinheiro para o intercâmbio pode antecipar o máximo que puder as despesas em dólar e aproveitar a cotação atual. Este ano, com eleições e problemas na economia, a tendência da moeda americana é de alta — diz Felipe Pellegrini, gerente da mesa de operações de câmbio do Banco Confidence. Pellegrini ressalta, no entanto, que sempre há risco nas operações em outra moeda. Caso o dólar contrarie as expectativas e recue até o fim do ano, quem se antecipa pode pagar mais caro. Gasto de ao menos US$ 4,8 mil Na semana passada, veio dos Estados Unidos mais um sinal de que o dólar tende a ganhar força. O banco central americano (o Federal Reserve, Fed) cortou em mais US$ 10 bilhões a compra mensal de títulos, usada como estratégia para estimular a economia. A partir de abril, a injeção mensal de recursos cairá para US$ 55 bilhões. — Com essa redução dos estímulos, menos dólares vão circular pelo mundo. Desde que esses processo começou, no fim do ano passado, são US$ 30 bilhões a menos em circulação. Como esses cortes devem se estender até setembro, a tendência é que o dólar vá ficando mais caro — diz o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa. Para os candidatos a intercâmbio em janeiro de 2015, a hora de começar a fazer contas é agora. De acordo com dados da Brazilian Educational & Language Travel Association (Belta), associação que reúne instituições que oferecem viagens de estudos, o gasto médio com um curso de inglês de um mês nos EUA chega a US$ 4,8 mil. O diretor da Belta, Marcelo Albuquerque, observa que as despesas com transporte, alimentação e passeios consomem mais US$ 800. Considerando ainda despesas extras e pequenas compras, o viajante terá que ter em caixa US$ 6 mil para essa viagem. Hoje, eles equivalem a R$ 15 mil. O primeiro passo, para quem não vai pagar à vista, é atrelar os gastos em moeda estrangeira a uma aplicação que proteja contra as variações do câmbio. Nessa categoria, estão os fundos cambiais, que aceitam aplicações iniciais de R$ 1.000. Há também os fundos multimercados juros e moedas, que ganham com a alta da taxa de juro e a variação do câmbio. Nesses produtos, a aplicação inicial é um pouco mais salgada — entre R$ 20 mil e R$ 25 mil. Como fazem apostas no mercado futuro, os fundos trazem riscos de perda se a curva de alta dos juros se inverter e o movimento de alta do dólar se inverter. Nos últimos 12 meses, eles renderam, em média, 6,39%, abaixo dos 16,7% de valorização do dólar no câmbio turismo. Os fundos cambiais ganham 19,58% no mesmo período. — Comprar dólares aos poucos ou carregar aos poucos um cartão pré-pago é uma estratégia para ir fazendo uma poupança em dólares — diz Luiz Ramos, diretor da Fitta Turismo. É preciso lembrar que recentemente o governo aumentou o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) do pré-pago de 0,38% para 6,38%. Enquanto na compra de dinheiro espécie, o IOF foi mantido em 0,38%. Gabriela Sousa, de 44 anos, e sua filha Marcela, de 13 anos, moradoras de Barreiras, na Bahia, embarcam em janeiro de 2015 para estudar inglês por quatro semanas, na Flórida, nos EUA. O estudante carioca Yure Veloso, de 19 anos, vai para São Francisco, nos EUA, para um intercâmbio de um mês. Yure pagou 40% do curso e desembolsará os 60% restantes até 30 dias antes do embarque. Eles estão guardando dinheiro na caderneta de poupança para gastos extras. — É um erro comum. A poupança oferece rendimento de 0,5% ao mês, o dólar pode variar isso num dia — avalia Pellegrini, do Confidence. João Sorima Neto
Fonte: O GLOBO


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