BC dos EUA corta programa de estímulo para US$ 55 bi mensais

20/03/2014 - WASHINGTON - O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira (19) continuidade às reduções do programa de compra de títulos, anunciando que vai fazer corte de US$ 10 bilhões nas aquisições mensais de títulos, de US$ 65 bilhões para US$ 55 bilhões aos mês. O banco também descartou na tarde de ontem a taxa de desemprego como termômetro definitivo para avaliar a força da economia e deixou claro que vai depender de série mais ampla de medidas para decidir quando elevar os juros. Ao mesmo tempo, informou que abandonar a promessa de manter os juros até "bem depois" de a taxa de desemprego cair abaixo de 6,5 por cento não indica qualquer mudança nas intenções do Fed. "O comitê atualmente espera que, mesmo depois de o emprego e a inflação estarem perto de níveis consistentes com o mandato, as condições econômicas podem, por algum tempo, justificar a manutenção da taxa de juros abaixo dos níveis que o comitê vê como normais no longo prazo", informou o Fed após reunião de dois dias, a primeira presidida por Janet Yellen, que assumiu o banco central em 1º de fevereiro no lugar de Ben Bernanke. Continuidade A decisão representa tanto continuidade quanto um aceno para a realidade econômica. A redução nas compras mensais de Treasuries (títulos da dívida dos EUA) pelo Fed e títulos hipotecários em US$ 5 bilhões cada, como já era esperado, leva o total mensal para US$ 55 bilhões. Além disso, mantem o banco central norte-americano no caminho apresentado pelo antecessor de Yellen, Ben Bernanke, para reduzir o programa em passos medidos de redução dos estímulos. Já com relação à taxa de juros, o banco central tem dito desde dezembro de 2012 que não vai considerar elevar as taxas de curto prazo até que a taxa de desemprego caia para ao menos 6,5%, desde que a inflação permaneça contida. Mas a taxa de desemprego já recuou para 6,7%, em parte em função de pessoas desistiram de procurar emprego, e autoridades acham que a economia ainda está longe de se mostrar pronta para juros mais altos. Autoridades do Fed decidiram descartar o patamar numérico e adotar orientação mais qualitativa, mas exatamente como se dará a mudança ainda não está claro. O desafio que enfrentam é fazê-lo sem alterar as expectativas do mercado sobre quando acontecerá o primeiro aumento dos juros. Atualmente, as estimativas apontam que isso deve ocorrer em meados do ano que vem, em linha com a visão de alguma das principais autoridades do Fed. O economista-chefe do Bank of the West, Scott Anderson, disse que o desfecho provavelmente será "um comunicado qualitativo menos transparente, e talvez menos útil" sobre as condições econômicas que o Fed quer ver antes de elevar os juros. Mercados O Fed tem mantido as taxas overnight quase zeradas desde dezembro de 2008 e comprou mais de US$ 3 trilhões em dívida de longo prazo para manter baixos os custos de financiamento e estimular investimento e emprego. O banco central começou a reduzir o estímulo em dezembro, anunciando corte nas compras mensais de títulos de US$ 10 bilhões. Em janeiro, o Fed informou que reduziria as compras em mais US$ 10 bilhões. Ao mesmo tempo, buscou aplacar qualquer expectativa do mercado de que a alta dos juros acontecerá em breve com sua chamada orientação futura. Mas a marca determinada para a taxa de desemprego pode ser rompida em breve e autoridades querem encontrar uma maneira mais durável de telegrafar sua visão sobre quando apertarão a política monetária. Mesmo autoridades que preferem uma alta mais cedo querem que o comitê de política do Fed evite surpresas que possam levar a turbulências no mercado. "Tenho certeza que este comitê estará interessado em fazer seu melhor para comunicar o que prevemos para a política", disse o presidente do Fed de Richmond, Jeffrey Lacker, neste mês. O Fed anunciará a decisão em comunicado às 15h (horário de Brasília). Trinta minutos depois, Yellen dará sua primeira entrevista à imprensa desde que assumiu o comando do banco central em 1º de fevereiro. "Não há mudança de política" À medida que as bolsas caíam - o Dow Jones descia 200 pontos - Yellen reiterava na sua primeira conferência de imprensa que o comunicado "não contém nenhuma alteração na política monetária". A diretora-presidente do Fed assumiu que entre o momento em que for totalmente concluído o programa de compra de ativos, que os economistas esperam que aconteça até ao Outono, passará um "período considerável" até que haja a primeira subida da taxa de juro. Questionada por um jornalista, Janet Yellen indicou que isso significa "seis meses ou algo assim". O comentário levou os economistas a antecipar uma subida da taxa de juro a cerca de1% ao ano.
Fonte: DCI - São Paulo/SP


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