Onde foi parar o avião ?

19/03/2014 - O título deste pequeno artigo é, há dias, a pergunta mais repetida no mundo. Afinal, com tantos equipamentos de localização disponíveis, como é que um moderno Boeing 777-200, com 239 pessoas, pôde simplesmente sumir ? O caso da Malaysia Airlines relança um importante desafio também à gestão: que grau de segurança a alta tecnologia pode garantir ao controle de operações ? Desde 8 de março, há quem critique veementemente a companhia aérea e os encarregados de administrar o tráfego aéreo na região. Mas, afinal, no que falharam ? A mesma pergunta pode ser formulada, por exemplo, aos gestores da usina nuclear de Fukushima, seriamente avariada pelo tsunami que atingiu o Japão, em março de 2011. Fora do campo das tragédias, outras questões podem ser apresentadas. Por que, com tanto conhecimento (e um formidável histórico de acertos), a Microsoft acabou por lançar um sistema operacional tão cheio de problemas como o Windows Vista ? Numa época já marcada por transações efetuadas pelos ágeis robôs do algoritmo, como o tradicional Lehman Brothers foi capaz de arruinar-se ? O escritor e pensador britânico Malcolm Gladwell, que já tive a oportunidade de entrevistar, talvez tenha algumas respostas para essas questões. Ele costuma dizer que a chave para as boas decisões não é o conhecimento em si, mas a compreensão. Ele trata, portanto, do saber aplicado, daquele que nos permite analisar situações específicas e escolher a melhor solução possível. E ele tem razão. Vemos diariamente peritos técnicos, de todas as áreas, tomando decisões que inevitavelmente conduzem ao erro. Segundo Gladwell, o ideal é que, no trabalho, as pessoas compatibilizem a confiança absoluta e a dúvida absoluta. A primeira delas está associada ao fazer, ao executar, ao movimentar. A segunda liga-se à investigação prévia, à checagem, à avaliação constante dos processos e às práticas de aprimoramento contínuo. A administração é, sobretudo, uma ciência humana. O conhecimento técnico, por maior que seja, nunca é suficiente para garantir o pleno sucesso de uma operação. Exige-se, pois, humildade e exercício de compreensão. Mesmo com toda a tecnologia disponível, ainda podemos interpretar dados de forma equivocada, ainda podemos ser vítimas do imponderável. Convém lembrar que dentro do Boeing havia um piloto, humano, cujos pensamentos não foram captados por um GPS, tampouco gravados na caixa preta. Se você já tem o conhecimento, exercite-se para compreender. Afinal, a teoria, na prática, funciona! Carlos Júlio é professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
Fonte: Magia da Gestão


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