Bons sinais na economia

19/03/2014 - Em 2013, o Brasil cresceu 2,3%, superando as apostas dos analistas. O carro-chefe foi o investimento (6,3%), com máquinas e equipamentos superando 10%. As despesas familiares e da administração pública ficaram em 2,3% e 1,9%, respectivamente, desautorizando a interpretação de que o modelo econômico é baseado exclusivamente no consumo. Turbulências externas afetaram a economia internacional. A má comunicação do Fed e a demora para implementar a redução dos estímulos monetários provocou instabilidade cambial. As indagações sobre os bancos chineses e a acanhada recuperação europeia adicionaram incertezas. E a situação econômica da Argentina afetou diretamente nossa balança comercial. A despeito desses impactos, continuamos a crescer e a gerar empregos. O desempenho ficou abaixo do que aspiramos, mas o crescimento superou o da maioria das grandes economias. Foram criados mais de 1,1 milhão de empregos com carteira assinada e a taxa de desemprego caiu para 4,3%, em dezembro, o menor da série histórica. Mesmo assim, 2013 ficará marcado pela avalanche de críticas à política econômica. Textos alarmantes foram se disseminando, mudando o foco à procura de uma crise, passando do suposto descontrole da inflação para a trajetória pretensamente explosiva da dívida pública. A postura pessimista alimentou-se das manifestações das agências de rating à gestão fiscal e das críticas da OCDE e da revista The Economist. Por fim, o FMI, equivocadamente, relacionou o Brasil entre os mais vulneráveis, sem amparo em dados: a relação dívida externa/PIB (29,6%) é das menores entre os emergentes e a que tem o menor duration, exibindo a confortável relação dívida de curto prazo/dívida total de 9,4%. O argumento sobre o desequilíbrio fiscal enfatizou a evolução da dívida bruta inaugurando uma nova moda, deixando de lado a dívida líquida. Mudaram a trave do gol, pois não podem fugir da constatação de que, há anos, essa se reduz, saindo de 60% do PIB, em 2002, para os atuais 34%. Os empréstimos de bancos federais foram censurados, desconsiderando-se o papel do crédito na política anticíclica que permitiu à nossa economia preservar a produção e o emprego. Tais recursos destinados a investimentos e à infraestrutura, atenuaram as restrições dos acanhados mercados de capitais locais para o financiamento de longo prazo. Um ponto importante e esquecido refere-se às operações compromissadas do Banco Central para ajuste da política monetária e que lastreiam as aquisições, desde 2008, de cerca US$ 170 bilhões para nossas reservas. Elas pesaram na dívida bruta, mas não geraram desequilíbrios. Como revela o Banco Central, essa dívida que está em 57,2% do PIB é menor do que a de 2008 (57,4%). Enfim, os críticos mantêm-se avessos a reconhecer avanços. Alguns chegam ao extremo de enunciar que 2014 repetiria o caos de 2002, que eles ajudaram a fabricar. A distância deste cenário de devastação daquele do Brasil real é de fazer inveja ao saudoso Nelson Rodrigues, quando se referia ao nosso futebol e ao tratamento que lhe davam os críticos esportivos às vésperas de se sagrar campeão mundial.
Fonte: O Globo Online - Rio de Janeiro/RJ


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