8 princípios da gamificação produtiva

06/03/2014 - Usar jogos para promover a aprendizagem não é uma ideia exatamente nova. Mas o uso ampliado de sistemas adaptativos baseados em jogos educativos, a explosão do número de aplicativos de aprendizagem para celular e tablets e a crescente utilização de abordagens pedagógicas baseadas em games faz da gamificação uma das tendências de ensino mais importantes desta década. De acordo com o Teachers College, da Universidade de Colúmbia (EUA), a gamificação é o uso da mecânica e das dinâmicas de jogos, como as recompensas e os rankings de usuários, para melhorar a motivação e aprendizagem em contextos formais e informais de educação. Deixando para trás a lógica de jogar alguma coisa de vez em quando no celular ou no tablet para se adotar um horário programado em um sistema adaptativo na escola inteira – como a Quest to Learn, que se organizou em torno dos princípios da gamificação –, é provável que os jogos e/ou a gamificação façam parte da experiência de aprendizagem da maioria dos estudantes. Embora o uso generalizado de jogos digitais educativos e abordagens pedagógicas baseadas em games sejam relativamente novos, oito princípios da produtividade da gamificação estão surgindo. São eles: 1. Desafios conceituais Bons jogos incorporam uma pedagogia rigorosa e desafios interessantes, que promovem uma aprendizagem conceitual mais profunda, em vez de somente instigar a memória do estudante. Eles devem possuir tarefas de aprendizado e não são apenas quizzes e games de pergunta e resposta. Games eficazes estão alinhados com os currículos, o que torna mais fácil combiná-los com outras formas de ensino e de avaliação. “Uma das coisas que me chama atenção ao ler a Common Core State Standards [base curricular que vem sendo adotada por estados norte-americanos] para a matemática é que o espírito de questionar e de aguçar a curiosidade está de volta”, afirma o desenvolvedor de jogos Nigel Nisbet. 2. Fracasso produtivo Bons jogos incentivam, dão suporte ao erro e dão feedback instrucional. As crianças aprendem criando e testando hipóteses e recebendo feedback úteis. 3. Calibragem cuidadosa Sistemas de aprendizagem que se mostram eficazes normalmente identificam e mantêm a chamada zona de desenvolvimento proximal, a distância entre o que o aluno sabe e o que ele pode alcançar. Bons games são bem calibrados: não são tão fáceis a ponto de deixar os alunos entediados, nem tão difíceis que possam frustrá-los. 4. Estímulo à persistência Dr. Jane McGonigal, autor, pesquisador e defensor de games educativos observa que a mentalidade de jogo – a possibilidade de falhar e continuar tentando –, aumenta a resiliência, a persistência e, por si só, prepara virtualmente os alunos para lidarem melhor com os desafios do mundo real. 5. Construção da confiança Elizabeth Corcoran, fundadora da organização Lucere, dedicada a ajudar educadores a encontrar e usar a tecnologia mais apropriada para inspirar seus alunos, defende que um dos principais benefícios da gamificação é que ela ajuda os estudantes a ganhar confiança, conforme eles aprendem como ter uma experiência de aprendizagem vencedora. Bons games também desenvolvem nos estudantes a noção de eficiência. 6. Melhora da motivação intrínseca A gamificação engaja e motiva estudantes enquanto desenvolve neles a habilidade de resolver problemas e transmite um sentimento de realização graças ao sistema de feedback contínuo e de recompensa. Cristina Ioana Muntean, especialista em aprendizagem on-line, defende que um bom jogo e uma boa estratégia de aprendizado baseada em games não substituem a motivação intrínseca do estudante pela extrínseca. Mas oferece uma combinação das duas [motivações] para um melhor desempenho. 7. Acessibilidade Em um bom game todos os jogadores têm o mesmo acesso aos recursos e informações e, embora o progresso possa variar, há uma oportunidade contínua para aprender habilidades para o domínio de todas as fases do jogo, argumenta o professor Dave Guymon, que acrescenta: “Como os bons designers de jogos, os professores devem estruturar o ambiente e o processo de aprendizagem para oferecer igualdade de acesso à informação e aos recursos necessários para que os alunos tenham sucesso na aprendizagem”. 8. Aprendizado profundo “Alguns programas inovadores e adaptativos de aprendizagem baseados em jogos incorporam elementos-chave da avaliação de desempenho”, disse Tim Hudson, da Dreambox. “Estes programas oferecem aos alunos situações novas e desconhecidas que estimulam o pensamento crítico e a resolução de problemas estratégicos para atingir metas desafiadoras e significativas.” Segundo Mike Flynn, diretor de Programas de Liderança Matemática no Mount Holyoke College, é preciso dar mais espaço para professores e alunos explorarem a matemática. “Ensinar matemática não é mais só memorizar os procedimentos, mas desenvolver ideias e entendimentos matemáticos que beneficiam os alunos para a vida, não apenas para um teste.” Nossos jogos de entretenimento favoritos são educativos e podemos aprender muito com eles para melhorar os resultados na educação. Se bem estruturados e bem aplicados, games educativos têm o potencial de aumentar a motivação, a persistência e aprofundar o aprendizado dos estudantes. Matéria originalmente publicada no Getting Smart Tom é autor do livro Getting Smart: How Digital Learning is Changing the World e fundador do site GettingSmart.com. Tom é também parceiro da Learn Capital e diretor em instituições como iNACOL, Imagination Foundation, Charter Board Partners, Strive for College, AdvancePath e Bloomboard. por Tom Vander Ark, do Getting Smart
Fonte: Porvir.org


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