Mercado de trabalho piora em 2014

05/03/2014 - As eleições e a Copa devem contribuir para amenizar essa tendência negativa, pois geram empregos temporários, que ajudarão num momento de desaceleração A taxa média de desemprego da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE bateu o recorde de baixa em 2013, registrando 5,4% no ano. A olho nu, os dados parecem indicar um mercado de trabalho ainda pujante, com quedas adicionais do desemprego por vir em 2014. Mas a realidade é diferente. A taxa de desemprego diminui sempre que a geração de empregos supera o ritmo de crescimento da oferta de trabalho (medida pela população economicamente ativa, ou PEA). Isso pode ocorrer tanto com crescimento acelerado da PEA como com a lenta expansão deste indicador. O primeiro caso apresenta dinâmica positiva, pois só uma forte expansão do emprego pode manter a desocupação baixa quando a PEA cresce vigorosamente. Já o segundo cenário, de desemprego baixo devido à fraca dinâmica de entrada das pessoas no mercado de trabalho, que se torna menos atraente, não é tão positivo. A economia brasileira migrou em 2013 do primeiro para o segundo caso, associado ao mau desempenho da economia. A PEA cresceu somente 0,6% em 2013, resultado inferior aos 0,9% de 2009, ano da crise econômica. O rendimento real sofreu forte desaceleração no ano passado, com expansão de apenas 1,9% (pior resultado desde 2007), ante crescimento de 4,1% em 2012. O aumento do rendimento real teria sido ainda mais fraco se não fosse a saída de jovens do mercado de trabalho. Este fenômeno puxa o rendimento médio para cima, devido ao salário mais baixo de jovens comparado ao dos trabalhadores mais velhos. Sem este efeito, o salário real teria crescido somente 1,1% no ano passado, resultado superior somente ao de 2005. A criação de novos postos de trabalho mostrou piora acentuada nos últimos meses de 2013. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indica redução no ritmo de abertura de vagas formais em 12 meses, de 1,9% em setembro para 1,5% em dezembro, movimento similar ao ocorrido com o emprego com carteira da PME (de 3% para 2,6%). Finalmente, a expansão do pessoal ocupado da PME caiu de 1,6% em setembro para 0,7% em dezembro, crescimento insuficiente para manter a taxa de desemprego nos valores atuais. Logo, os dados indicam que o mercado de trabalho inicia o ano de 2014 em desaceleração, com o desemprego devendo crescer em ritmo moderado. As eleições e a Copa do Mundo devem contribuir para amenizar essa tendência negativa, pois geram empregos temporários, que ajudarão num momento de desaceleração do mercado de trabalho. Mesmo assim, este ano será de elevação da taxa de desemprego (ainda que modesta) e baixo crescimento do rendimento real. Fernando de Holanda Barbosa Filho
Fonte: O GLOBO


Comentários da notícia