Diferenças que começam na base

05/03/2014 - Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que comparou informações referentes à frequência escolar e infraestrutura de escolas pú­blicas e privadas, aponta uma de­sigualdade no acesso e na estrutura da E­ducação Infantil (crianças de 0 a 5 anos). Segundo a “Síntese de Indicadores Sociais - Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira - 2013”, os anos iniciais da criança são cruciais para o desenvolvimento cognitivo. “Nesse período, determinados estímulos ou experiências exercem maior influência, em especial nas habilidades envolvidas no processo de aprendizado da linguagem. Atrasar o estímulo dessas habilidades torna muito mais difícil obter os mesmos resultados mais tarde, podendo significar uma perda de potencial humano, o que não pode ser ignorado na formulação de políticas públicas educacionais”, defende a pesquisa. Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2012, a síntese do IBGE indica que 33,9% das crianças com 2 ou 3 anos frequentaram a creche em 2012. No grupo dos 20% mais pobres da população, a proporção era de 21,9%, quase três vezes menor que os 63% alcançados pelos 20% mais ricos da população. Na faixa de crianças com 4 e 5 anos, o estudo do IBGE aponta que 78,2% das crianças brasileiras frequentam a escola, mas esse percentual cai para 71,2% no caso das incluídas na população com menor renda e sobe para 92,5%, entre os mais ricos. Dados da pesquisa do IBGE revelam ainda a ocorrência de um crescimento substantivo de acesso à Educação Infantil na última década. Comparando-se os anos de 2002 a 2012, a taxa de escolarização das crianças entre 0 a 3 anos subiu 9,5%, enquanto de 4 e 5 anos de idade subiu 21,5%. Apesar do avanço observado, o IBGE avalia como desafiador o cumprimento da meta 1 do Plano Nacional de Educação (PNE), que propõe a universalização, até o ano de 2016, do atendimento escolar da população de 4 e 5 anos, e a ampliação, até 2020, da oferta de vagas nessa modalidade de forma a atender 50% da população de até 3 anos. O atendimento escolar das crianças de até 3 anos, fase determinante para o futuro, dificilmente chegará a 2020 com 50% dos alunos matriculados, como estabelece o plano de metas. pública e privada Ao comparar a infraestrutura entre a pré-escola pública e privada, a partir de dados do Censo Escolar 2012, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o IBGE revela circunstâncias bem desiguais. Nas instituições municipais, o percentual de pré-escola que possui parque infantil é de 46,7% e banheiro adequado à Educação Infantil é de 43,4%. Nas instituições privadas, esses índices sobem para 85,5% e 78,9%, respectivamente. A reportagem do Escola visitou três instituições privadas e um Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) em Goiânia com o objetivo de realizar um comparativo dos espaços oferecidos às crianças da Educação Infantil. O Externato São José, o Colégio Marista e a Comunidade Educacional Pequeno Príncipe possuem amplos parques infantis e dois banheiros (masculino e feminino) em cada uma das salas de aula, adequados às crianças. No município de Goiânia, de acordo com Itatiana Moreira, chefe da Divisão de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação (SME), a maioria dos Cmeis conta com parque infantil com dimensões adequadas ao espaço externo das instituições. Quanto aos banheiros, ela afirma que a maioria atende em quantidade e qualidade ao público infantil. “A orientação é que tenham dois banheiros, um para meninos e outro para meninas. Porém, por falta de estrutura, existem Cmeis com apenas um banheiro”, explica. A chefe da divisão assegura que a SME de Goiânia vem realizando reformas, ampliações e manutenções a fim de sempre garantir o atendimento adequado às crianças da Educação Infantil. Desempenho futuro A primeira infância é considerada uma importante fase no desenvolvimento da criança. Segundo especialistas, nessa etapa estão sendo desenvolvidas as capacidades motora, afetiva e de relacionamento social. Atualmente a Educação Infantil se revela primordial para uma aprendizagem efetiva. A socialização desenvolve habilidades, além de melhorar o desempenho escolar fu­turo, propiciando à criança melhores re­sultados ao chegar ao ensino fundamental. De acordo com a diretora pedagógica do Externato São José, Darlei Padilha, na primeira infância a criança é capaz de construir estruturas cognitivas que servirão para a aprendizagem de todos os conhecimentos futuros. Ela explica que as estruturas para a lógica, linguagem e expressão são construídas durante a primeira infância. “Nessa fase, as crianças têm mais facilidade em aprender outro idioma, por exemplo, pois é um momento em que todas as janelas estão abertas para o aprendizado”, completa Darlei. Além do aprendizado, através das atividades desenvolvidas dentro e fora da sala de aula, a escola proporciona o contato com outras crianças da mesma idade, o que segundo Fabíola Teixeira, diretora pedagógica da Comunidade Educacional Pequeno Príncipe, é essencial para o desenvolvimento da autonomia, que se inicia desde a infância. Para ela, a progressiva independência na realização das mais diversas ações, embora não garanta a autonomia, é condição necessária para o desenvolvimento do aluno. “Isso se desenvolve no contato com as crianças, professores e profissionais da escola”, explica a diretora, que acredita que uma intervenção, de forma sistemática, a partir das abordagens direta e indireta, utilizadas para o desenvolvimento do trabalho em valores humanos, poderá contribuir para a formação de virtudes, tornando os seres humanos mais felizes, criativos e transformadores. Segundo Chyrlen de Almeida, coordenadora pedagógica do Colégio Marista, é dever da escola contribuir para o desenvolvimento do ser humano. Ela defende ser preciso oferecer um ambiente rico em atividades lúdicas, proporcionando um crescimento sadio para o desenvolvimento das habilidades motoras, aumento da integração e estimulo da sensibilidade. “A criança que frequenta a escola infantil demonstra maior autonomia e inicia com antecedência o conhecimento sobre a convivência em grupo. É uma das fases essenciais da aprendizagem”, completa a coordenadora. -------------------------------------------------------------------------------- Família e comunidade A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), em seu artigo 29, dispõe que a Educação Infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até 6 anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Em consonância a esta lei, a chefe da Divisão de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação (SME) de Goiânia, Itatiana Moreira, informa que o ensino oferecido nesse nível educacional nas escolas da rede municipal busca atender as crianças até os 6 anos de idade promovendo, através da ação educativa e pedagógica, o desenvolvimento integral destes sujeitos, uma vez que compreende esta etapa da Educação Básica como direito a ser garantido com qualidade.
Fonte: Tribuna do Sudoeste - Rio Verde/GO


Comentários da notícia