Quais são suas perspectivas para o trabalho e para a profissão de arquitetura?

01/03/2014 - Quais são suas perspectivas para o trabalho e para a profissão de arquitetura? Diante de uma concorrência acirrada e de um mercado cada vez mais seletivo e exigente, o recém-formado em arquitetura e urbanismo precisa driblar a insegurança para correr atrás das oportunidades, de preferência aquelas que tenham a ver com a sua capacidade e perfil. Mas nem todos têm claro o seu propósito e, não raro, muitos jovens terminam a graduação sem saber que rumo tomar. Perante um cenário de tantos desafios - e também de possibilidades -, AU foi atrás de estudantes de arquitetura de todo o Brasil que estão prestes a se formar para questioná-los, nesta virada de ano, sobre suas perspectivas quanto ao futuro. Fernanda Invernise de Moraes estudante da FAUUSP O bom da arquitetura é que ela possibilita diversos campos de atuação. O ruim é que, na maioria dos casos, a profissão não é formalizada (com carteira assinada e benefícios), o que acaba restringindo opções de quem busca certa estabilidade. Assim que sair da faculdade pretendo continuar trabalhando por um tempo com projeto de edificações, como venho fazendo em meus estágios em escritórios de arquitetura. Depois, talvez eu rume para o urbanismo, para uma construtora ou até mesmo preste concursos, para obter visões diferentes da profissão. Se tudo der certo, e eu espero que dê, futuramente abrirei meu próprio escritório. Williane Ferreira de Melo estudante da FAU-UFAL Mesmo ciente de que atualmente o mercado de trabalho para o profissional de arquitetura é marcado pelas poucas oportunidades, pela alta competitividade, pela desvalorização e consequente desprestígio com as construtoras, acredito que exista hoje, no Brasil, um cenário favorável a mudanças. A nova regulamentação e a criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) promove uma expectativa de melhorias e valorização da profissão para os arquitetos. Outro fato que vem favorecer este cenário é a entrada em vigor da norma de desempenho (NBR 15.575), que permite ao arquiteto colocar em prática os conhecimentos adquiridos para propiciar maior conforto para os usuários das edificações habitacionais, sendo assim um importante instrumento para o desenvolvimento de uma arquitetura de boa qualidade, na luta contra os baixos custos impostos pelas construtoras. Mathias SantAnna estudante da FAU-UFRGS Quando ingressei na faculdade, tinha a ideia de que encontraria meu espaço no mercado fazendo a minha própria e egoísta arquitetura. Com o passar dos anos, aprendi que a arquitetura brasileira já esteve bem representada no cenário mundial por importantes arquitetos modernistas, como Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha e Vilanova Artigas, que colaboraram com a criação de uma identidade para a arquitetura do País. Atualmente, percebo que os melhores escritórios que existem no Brasil aprenderam a reconhecer no nosso rico passado arquitetônico o caminho para construir o nosso futuro. Sinto-me empolgado por fazer parte dessa nova geração, que tem o privilégio de dar continuidade ao bom trabalho desses arquitetos que nos precederam. Marina Budib dos Reis estudante da FAU-Mackenzie O momento da formação é minha maior conquista pessoal. Encerra-se um ciclo, um novo se inicia e, junto a ele, vêm as incertezas. Pergunto-me qual seria o meu ideal de sucesso profissional como arquiteta e há apenas uma certeza: a arquitetura é o meu caminho. Jamais me projetei em outra profissão. Com esta certeza, aliada a uma formação com fundamento e conversas com amigos e mestres, entrar para o mercado de trabalho foi um processo natural. Hoje, no meu trabalho, tenho contato com arquitetura esportiva, em plena efervescência no País, o que me traz muito conhecimento e a oportunidade de depositar opiniões próprias. Pretendo conquistar maturidade e autonomia para atuar em outros segmentos do mercado, contribuindo criticamente e participando ativamente na reformulação das cidades, que não podem mais continuar a ser reflexo do desenho para automóveis e condomínios. Thiago Reis estudante da Escola da Cidade Para mim, a profissão de arquiteto é muito grave, séria. Qualquer gesto construtivo é um diálogo e um embate, e o arquiteto, como profissional, deve escolher em quais questões se envolver. Sempre me interessei pelo espaço da cidade como lugar privilegiado do debate e, assim, tenho mais vontade em trabalhar com a dinâmica efêmera do cotidiano e dos espaços públicos. Minhas investigações além- -curriculares sempre trataram dessa forma da arquitetura que dura pouco e que é construída como a imagem cênica do que se pretende representar. De alguma maneira, foi a forma possível de construir enquanto estudante, e foi onde encontrei a possibilidade de atuar como construtor e ressignificar o espaço da arquitetura formal, sabendo que o projeto é um método e não o fim do fazer arquitetura.
Fonte: Revista aU - Arquitetura e Urbanismo - São Paulo/SP.


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