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Cassia Cassitas: ganhando o mundo com a literatura


13/12/2012 - Escritora atuou por 20 anos em grandes empresas

Crédito: Dico Kremer

Cassia Cassitas nasceu em Arapongas, norte do Paraná. Hoje, vive com a família em Curitiba e é de lá que ela vem conquistando os leitores. Mas, embora a literatura estivesse muito presente em sua vida, Cassia fez carreira em grandes empresas.

Formada pela Universidade Federal do Paraná com especialização em Engenharia de Software e Didática do Ensino Superior, Cassia trabalhou com informática por quase 20 anos, tempo em que guarda experiências marcantes: participou da impantação das primeiras redes, da apreensão pelo chamado "bug do milênio" e muitas outras.

Nessas duas décadas no mundo corporativo, Cassia atuou também na aplicação de novas tecnologias e coordenou equipes no Brasil e exterior. Toda sua experiência é repassada cursos de MBA, onde costuma dar palestras. Na sua rotina também estão aulas de francês por influência do marido e inglês para ampliar seu mundo.

Entre uma coisa e outra, ideias para colocar no papel. Sua primeira obra, Domingo, O Jogo, publicada em 2010, alcançou o topo do ranking dos livros eletrônicos mais vendidos no Brasil e onde ficou por 33 semanas. O livro já tem versão disponível em inglês.

Agora, chega às livrarias - em versão impressa ou digital - Fortuna A Saga da Riqueza (Editora KBR Digital), que aborda a trajetória de uma família que conheceu as evoluções socioeconômicas do século XX abalado pelas guerras mundiais, embalado pelo capitalismo e consolidado pela sociedade de consumo, onde, afinal, o que importa é enriquecer.

Atenta às críticas, a autora diz que lê todas. “Sou muito grata a quem, além de ler, dedica seu tempo a comentar meu trabalho”, observa.

Nessa entrevista ao Executive News, Cassia Cassitas fala sobre sua viagem na literatura, seu processo criativo e comenta um pouco sobre a crise econômica, pano de fundo de uma de suas obras. Veja:

Executive News - Você construiu sua carreira na área tecnológica. Como se interessou pela literatura?

Cassia Cassitas - A literatura sempre fez parte da minha vida. Leio todos os dias, desde criança. Tenho livros e anotações em todos os cantos. Em decorrência da minha formação em tecnologia, cada livro, cada ideia é um projeto ao qual me dedico com muita pesquisa e estudo. Publicar meus trabalhos é um projeto antigo resultado de muito trabalho.

Executive News - Nesse campo, quem te influencia?

Cassia Cassitas - Leio desde os clássicos até os best sellers. Procuro diversificar os assuntos e estilos. Normalmente ao mesmo tempo. Estou terminando Eugenie Grandet (Balzac) e A Cor da Palavra (Salgado Maranhão). Gostei muito de “O Matador” da Patricia Melo e de “Aqueronte” da Marcia Belfort. E tudo de Drummond.

Executive News - De onde surgem suas ideias para iniciar uma obra? Como é o seu processo criativo?

Cassia Cassitas - Do interesse público. Tive a oportunidade de conviver com muitas pessoas, grupos com interesses e formação muito diferentes. Percebo que alguns temas são atemporais, estão presentes para todos com conotações diferentes. Determinar essas semelhanças e peculiaridades são fundamentais para se ter êxito em qualquer contexto. Gosto de escrever sobre o Brasil utilizando uma linguagem técnica. Meu primeiro livro, Domingo O Jogo utiliza conceitos de administração na abordagem das relações familiares e o ambientei no almoço de família aos domingos. Em Fortuna A Saga da Riqueza, o impacto no Brasil do estouro da bolha imobiliária americana em 2008 é o cenário adotado para analisar a relação das pessoas com o dinheiro, como a economia interfere e define suas trajetórias.

Executive News - Para o seu mais recente livro Fortuna A Saga da Riqueza, houve muita pesquisa. Como tudo começou?

Cassia Cassitas - Para entender a proporção que a busca do sucesso e do enriquecimento atingiu no início do século XXI, iniciei um estudo sobre a geração de riqueza e a pobreza. Essa pesquisa passou pela reestruturação da sociedade brasileira republicana, o Estado Novo, a expansão imobiliária e econômica no Brasil. Quando a bolha imobiliária americana estourou, incorporei os fatos à narrativa, analisando os episódios sob a perspectiva de economistas e filósofos sobre o século XX. A realidade brasileira foi afetada, era o contágio. No romance, os personagens reagem de acordo com sua formação sociocultural. Há o empreendedor com seus recursos alavancados, o impacto do desemprego, o processo de tomada de decisões difíceis. Daí a importância dos elementos históricos da sociedade brasileira e da família dos personagens. Como eram as leis? Por que tantas famílias optavam pelo trabalho ao invés de mandar os filhos para a escola? Qual o significado daquela convivência de crianças nas ruas jogando e brincando, o trabalho dos pequenos aprendizes? Quando essas pessoas colocam gravata e assumem um cargo de gestão como elas agem?

Executive News - O que você pretende com essa obra?

Cassia Cassitas - Fortuna A Saga da Riqueza é uma historia de cidadãos que vivem na era dos financiamentos, dos fundos de aplicação de risco e da busca absoluta pelo dinheiro e poder. Que apesar das bolhas imobiliárias, títulos subprime e desemprego vislumbram e perseguem caminhos de prosperidade. Acho importante que as pessoas percebam que as coisas são resultados de algo muito maior, de uma historia que começou lá trás. Por exemplo, esse desejo pelo carro de luxo, pela casa própria, de onde vem esse apego e essa necessidade que às vezes nos leva a desenvolver patologias? De onde vem a satisfação de dirigir aquele carro, frequentar aqueles lugares? Se conhecermos um pouco mais sobre os fundamentos da sociedade brasileira, vamos nos tornar mais aptos a enxergar o que nos enriquece e seguir por lá, pelo caminho que realmente nos interessa. Na década de 70 houve um momento assim, de muita consciência e ação. Sob outro aspecto, Fortuna é um livro vivo, é uma historia que não acabou, continua nos países que lutam contra a instabilidade e o desemprego, assim como na ficção. Os personagens de Fortuna vivem sua ficção em meio a fatos reais. São o retrato da sociedade desse início de século com seus dilemas éticos. O personagem principal é um executivo da área financeira que vive entre a própria pujança econômica e o conflito ético de colocar em risco um segmento da sociedade em prol da lucratividade de sua agência de investimentos. Esse dilema está presente todos os dias no mundo corporativo em maior ou menor escala. E o que é ser ético? Na esteira desse personagem, Ricardo, o leitor vai conhecer um pouco das regras da economia, das alternativas que os governantes dispõem para jogar esse jogo.

Executive News - Como a crise de 2008 - pano de fundo do livro - impactou na sua vida?

Cassia Cassitas - Em 2006 e 2007 eu investia na bolsa de valores. Cheguei a alocar 100% de nossa poupança em ações. Como já estava dedicada à pesquisa que resultou em Fortuna, parte do capital foi direcionada para a construção civil em meados de 2007. Deu tudo certo. O impacto positivo me deu a certeza que as ideias dispostas nesse romance seriam proveitosas para as pessoas.

Executive News - Essa crise nos EUA ainda traz consequências mundiais até hoje. Você vê a crise na Europa como uma extensão desses acontecimentos?

Cassia Cassitas - Estamos enfrentando uma crise que eclodiu em 2008, mas que, segundo Nouriel Roubini, o economista que previu os acontecimentos recentes, reserva desdobramentos importantes para 2013. Deixamos para trás um século marcado pelo êxodo e as grandes guerras nas primeiras décadas, e instituímos a engrenagem do consumismo como instrumento de prosperidade. Nas últimas décadas financiamos quase tudo, através de sofisticados mecanismos de distribuição de risco. Tudo isso para chegarmos ao século XXI frente a uma das maiores crises financeiras de todos os tempos. De certa forma, somos personagens revisitando capítulos já vividos por nossos antepassados. A comparação com a grande depressão da década de 1930 é inevitável, pois há muitas correlações entre esses dois períodos da historia. Há dias tomei conhecimento do incentivo da Espanha para que seus jovens venham fazer fortuna no Brasil. É o mesmo discurso da Itália recém-unificada na virada do século passado. Se vamos refazer os passos, entender a historia recente pode ser um aliado poderoso.

Executive News - Você costuma ler alguma resenha dos seus livros? Como você recebe as críticas?

Cassia Cassitas - Leio todas. Recebo as críticas com atenção. Quando eu escrevo, quero transmitir ideias ao leitor, tirá-lo de sua zona de conforto e reformular suas certezas. Sou muito grata a quem, além de lê-las, dedica seu tempo a comentar meu trabalho.

Executive News - Você já foi professora e é mãe. Isso influencia na forma como você escreve?

Cassia Cassitas - Meus alunos me ensinaram que a melhor forma de ganhar atenção é dizer algo interessante. Com meus filhos eu aprendi que é preciso deixar interessante o que precisa ser dito. Resumi em parágrafos assuntos sobre os quais poderia ter escrito capítulos, para manter o ritmo da historia de Ricardo e Carolina. Se o leitor quiser, poderá aprofundar o conhecimento que Fortuna aborda nos livros especializados. Mas se eu perder sua atenção numa página, terei desperdiçando a oportunidade de introduzir as demais ideias, pois ele não voltará ao livro.

Executive News - Nas grandes empresas pelas quais passou, você atuou em momentos importantes como nas primeiras redes e na virada do milênio, quando se temia os bugs. Quais foram os momentos mais marcantes dessa trajetória?

Cassia Cassitas - A implantação das primeiras redes com seus projetos de offloading e “reengenharia” deixaram marcas na carreira profissional dos que participaram e dos que conviveram com os resultados. Muitas questões abordadas recentemente na biografia de Steve Jobs eram aguardadas para a tomada de decisões técnicas nos projetos. Foi um período de muito trabalho e transformações. No “bug do milênio”, o trabalho de equipe foi imprescindível para o sucesso. Depois veio a internet e o data mining, dois projetos que alteraram a compreensão de cliente e produto.

Executive News - Como foram suas experiências internacionais nessas empresas?

Cassia Cassitas - De forma mais acentuada, em projetos internacionais a qualificação técnica não basta. É preciso aprender e flexibilizar todos os dias, pois as diferenças vão do fuso horário para o agendamento das reuniões ao entendimento do que é factível um profissional realizar em sua jornada de trabalho. As diferenças culturais precisam ser transformadas em facilitadores e isso não é fácil nem simples. Foi uma grande experiência.

Executive News - Deixar o mundo corporativo foi uma decisão acertada?

Cassia Cassitas - Em qualquer decisão, deixam-se coisas para trás. Ao mesmo tempo que o mundo corporativo exige do profissional uma dedicação muito além de qualquer contrato, possibilita uma relação de pertencimento a algo importante. Quase tudo que você poderia estar fazendo se não estivesse ali, parece menor frente à realização profissional proporcionada por uma grande instituição. Quando essa relação se inverte, a realização se esvazia e aquele pertencimento se mostra uma posição a ser revista.

Executive News - Existe algo de que você se arrependa?

Cassia Cassitas - Mais que um arrependimento, a constatação que ter, em certo momento, perseguido objetivos irrelevantes a meu projeto de vida se mostrou um desperdício de energia e tempo. Valorizo muito o tempo, priorizo atividades todos os dias.

Executive News - Que coisa os leitores se surpreenderiam de saber sobre você?

Cassia Cassitas - Uma pessoa que adora viajar nos livros e no mundo e se cercar de pessoas corajosas nesses dois ambientes. Atualmente com 46 anos, casada e mãe de dois adolescentes, especializada em Didática do Ensino Superior, Engenharia de Software e Filosofia e Existência, acumula 20 anos de atuação na área tecnológica e muitas perguntas (e respostas), muitas vezes suportadas pela Filosofia, minha outra paixão.


Fonte: Executive News

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