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08/02/2010 11:23:00

Ações lideram os incentivos aos executivos

08/02/2010 - Após as turbulências vividas com a crise econômica, as empresas brasileiras voltaram a conceder participações acionárias aos seus executivos com o objetivo de alinhar as práticas de remuneração com a estratégia de negócios. De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Deloitte, com 127 empresas que atuam em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Sul do país, 13% delas disseram conceder incentivos de longo prazo como forma de salário variável.

De acordo com o gerente sênior da Deloitte, Fabio Mandarano, o que chama a atenção não é o número, ainda considerado baixo, mas sim o perfil das empresas que começaram a oferecer esse benefício. "Até 2004, esses planos eram quase que exclusivos de subsidiárias brasileiras de grandes multinacionais, que repetiam as estratégias de remuneração no mundo todo. Agora, temos muitas empresas 100% nacionais fazendo IPOs (oferta inicial de ações) e adotando esses modelos", explica.

A modalidade de stock option, que dá ao funcionário o direito de exercer a compra de um lote de ações no futuro por um preço pré-fixado no momento da concessão, é a preferida das companhias para os altos executivos. O parte variável concedida aos presidentes, diretores e gerentes é formada por, no mínimo, 80% de stock options.

Em relação aos supervisores e aos demais níveis, há um equilíbrio entre as stock options e as stock purchase -concessão de um lote de ações ao empregado. "A participação acionária é positiva, mas os planos devem ser bem elaborados para evitar problemas", afirma Mandarano. Ele lembra que em 2008, quando os índices na economia batiam recordes de crescimento, muitas companhias criaram planos agressivos de remuneração e acabaram se complicando depois.

Nessa fase pós-crise, portanto, as empresas estão cautelosas. Cerca de de 40% estão atrelando a parte variável dos salários aos indicadores corporativos e apenas 23% aos individuais. "Os pagamentos dependerão mais do faturamento, do resultado operacional e do lucro líquido", diz o gerente sênior.

Rafael Sigollo, de São Paulo



Fonte: Valor Econômico

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