08/02/2010 11:15:00
08/02/2010 - SÃO PAULO - A agressão ao estudante da Unicastelo pelos veteranos, em Fernandópolis, no interior de São Paulo, reacendeu a luz vermelha contra os trotes violentos. Em todo início de ano letivo, a recepção aos calouros nas universidades traz histórias dramáticas de agressões, humilhações e até mortes. Como mostra reportagem de Tatiana Farah., publicada pelo Globo neste domingo, o Ministério Público Federal fez, em São Paulo, uma série de recomendações a mais de 160 instituições de ensino superior, e cobrou, de cada universidade, uma política antitrotes.
A chinesa radicada no Brasil Yen Hsuen amarga, pelo 11 ano, a dor do dia em que seu filho, Edison Hsuen, morreu afogado na piscina do centro acadêmico da Faculdade de Medicina da USP. Os suspeitos foram inocentados, e a universidade não precisou pagar a indenização pedida pela família Hsuen.
Ano passado, o marido de Yen morreu. Ela agora mora só e com as despesas apertadas, já que perdeu um filho que poderia ter se formado médico e ser o provedor da família. Como a ação de indenização foi movida contra a USP, mas a área da piscina estava sob os cuidados do centro acadêmico, a Justiça entendeu que a universidade não deveria ser condenada.
Embora existam casos comprovados de abusos e mortes, o Congresso guarda na gaveta, há 15 anos, o projeto de lei que regulamenta o trote universitário. No ano passado, foi aprovado na Câmara um projeto do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) que não criminaliza o trote violento, mas impõe sanções aos veteranos, como multa de até R$ 20 mil e suspensão acadêmica. Também obriga as universidades a combater o trote violento e a estimular o "trote solidário". Mas o projeto ainda aguarda votação no Senado.
O primeiro projeto sobre o trote violento ficou parado na Câmara por 14 anos e só ano passado foi anexado à proposta de Sampaio. Para o deputado, o projeto não afeta a autonomia universitária, uma das críticas de parlamentares:
- O que está em jogo é a integridade física dos estudantes. A lei é um ônus pequeno para a universidade e não interfere em sua autonomia acadêmica, financeira ou técnica.
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Fonte: O Globo on line
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