Brasil, Marília, 25 de junho de 2012
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- Pioneiros tinham até acesso grátis a clube
- Pesquisas inovadoras surgiram no campus
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- Índice de Satisfação do Estudante - ISE

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Central do Conhecimento
Índice de Satisfação do Estudante - ISE
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:33 hs.
25/06/2012 - Assista ao Prof. Carlos Monteiro falando sobre Índice de Satisfação do Estudante - ISE.

Clique aqui para assistir.





Fonte: CM Consultoria
Destaques
Pesquisa de Satisfação do Cliente nas IES
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:30 hs.
25/06/2012 - A qualidade da prestação de serviços educacionais implica diretamente na satisfação do discente, considerado como cliente. Da mesma forma, o sucesso institucional, a reputação e imagem das IES dependem do nível dessa satisfação.

Torna-se necessário que os setores de atendimento ao discente, os processos acadêmicos e administrativos auxiliem os alunos no processo de ensino-aprendizagem, ambientação, adaptação ao curso e na sua participação nas atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Exemplificando, o apoio psicopedagógico é imprescindível para que o atendimento discente seja eficiente, uma vez que diminui a ansiedade e o medo que podem interferir tanto no desempenho acadêmico, quanto na qualidade de vida do acadêmico.

A satisfação discente se manifesta, quando se verifica a adequação das políticas de acesso, seleção e permanência de estudantes (critérios utilizados, acompanhamento pedagógico, espaço de participação e de convivência) praticadas pela IES.

Neste sentido, a CM Consultoria está desenvolvendo uma pesquisa sobre a satisfação do cliente nas IES, abrangendo:





Esta pesquisa ficará disponível durante 10 dias. Após a mensuração dos resultados, estes serão disponibilizados em nosso Portal.

Acesse, dê sua contribuição e participe: http://www.cmconsultoria.com.br/enquete2012a.php
Fonte: Portal CM Consultoria
Destaques
Seminários CM Consultoria - 2012
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:06 hs.
25/06/2012 - Administração Universitária

Mudança & Sociedade do Conhecimento

Discuta com os grandes especialistas os temas:

• a importância Planejamento Institucional Estratégico
• a gestão da Universidade para resultados
• a necessidade de realizar o Diagnóstico Institucional
• os indicadores acadêmicos, financeiros, mercadológicos e de RH
• a tendência da Universidade voltada para o mercado
• o aluno como cliente e consumidor do conhecimento
• a importância da captação e fidelização de clientes
• a visão Holística do sistema acadêmico
• o desdobramento do Projeto Pedagógico de Curso em Ensino e Planos de Aulas, em uma Sociedade 3.0
• conhecer as características da Sociedade 3.0
• a importância do Planejamento Estratégico Tributário, em organizações com ou sem fins lucrativos.
• cases de sucesso de IES vencedoras

Palestrantes:

Carlos A. Monteiro
Advogado, Administrador, Conselheiro do CRA-SP e Presidente da CM Consultoria de Administração.

Tório Barbosa
Administrador, CEO da Educa Comunicação.

Marcelo Aparecido Batista Seba
Especialista em Direito Tributário, Presidente da SEBA Advogados Associados.

Raulino Tramontin
Doutor em Educação, Mestre em Planejamento Educacional.

Sofia Esteves
Fundadora e Presidente do Grupo DMRH e Cia de Talentos

Cases de Sucesso: Apresentação de IES Vencedoras
O modelo PUCPR de Gestão
Apresentador: Prof. Nélio Mauro Aguirre de Castro
Pró-Reitor PUCPR

Próximas Cidades e Datas:

• 23 de Agosto - Porto Alegre – RS
• 20 de Setembro - São Paulo – SP
• 30 de Outubro - Florianópolis – SC
• 22 de Novembro - Fortaleza – CE

Investimento com Almoço, Coffee Break e Material Didático Inclusos:

• Individual: R$ 1.500,00
• Institucional (para duas pessoas): R$ 2.000,00

Inscrições:
http://www.cmconsultoria.com.br/seminarios_eventos.php

Para mais informações:
0800-701 3332 / (14) 3402-3333
eventos@cmconsultoria.com.br
Fonte: CM Consultoria
Ensino Superior
Empréstimo de bikes ganha força nas universidades
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:19 hs.
25/06/2012 - Maior parte dos projetos de expansão é dos próprios estudantes que têm como desafio facilitar acesso. Unicamp liberou R$ 50 mil para protótipos de bikes mais leves, que contam como trabalho de iniciação científica.

NATÁLIA CANCIAN
ENVIADA ESPECIAL A CAMPINAS (SP)

De segunda a quinta, o estudante de engenharia química Reginaldo da Silva, 20, corre para pegar uma das bicicletas amarelas que ficam embaixo de uma marquise da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Sem o equipamento, o trajeto de Reginaldo até outro edifício do campus, onde tem aulas no período da tarde, leva 15 minutos. Com a bicicleta, são menos de cinco.

O empréstimo de bicicletas começa a se disseminar por universidades brasileiras.

A maioria das iniciativas surgiu dos estudantes. Em Campinas, são eles que assumirão a nova etapa do projeto, que funciona há um ano em fase experimental.

Nove alunos vão desenvolver um sistema de engate dos equipamentos e um controle automático de identificação dos usuários por meio do reconhecimento do chip no cartão universitário.

Em seguida, devem projetar a própria bicicleta - a ideia é passar de dez para 150 até o fim do ano que vem. "Queremos diminuir o peso e usar um material mais sustentável", diz Tiago Henrique Sossai, 23, aluno de engenharia mecânica. A universidade liberou R$ 50 mil para os protótipos, que contam como trabalho de iniciação científica.

"Queremos fazer também um aplicativo que permita saber, pelo celular, qual o número de bicicletas disponíveis em cada ponto e qual deles está mais perto", diz o estudante Sylvio Cardoso, 21.

Hoje, só há um ponto parar retirar e devolver as bikes, uma das principais queixas dos alunos - a outra é a necessidade de manutenção, o que reduz o número de bicicletas. "Parece legal. Mas toda vez que eu cogitei usar, não tinha mais [bicicleta disponível]", diz a aluna Sarah Rossetti Machado, 21.

EMPURRÃOZINHO

Em São Paulo, são 16 bicicletas disponíveis para empréstimo.

Na Furg, em Rio Grande (RS), alunos têm 50 bicicletas para usar por uma hora. Segundo a pró-reitora de assuntos estudantis, Darlene Pereira, a ideia é dobrar o número de bikes e aumentar os pontos no segundo semestre.

"Além de facilitar o acesso e a locomoção, incentiva o hábito saudável", diz.

As bicicletas também devem voltar a circular em breve na UnB, em Brasília. Lá, o equipamento, que era doado, ficava espalhado em vários pontos da universidade - era só passar e pegar.

Mas o projeto derrapou por causa do vandalismo. Segundo o voluntário Douglas Paignez, várias peças das bikes foram furtadas.

Agora, alunos estudam reorganizar o empréstimo através de uma parceria com os centros acadêmicos. "Queremos fazer um contrato para que cada um deles seja responsável. Assim podemos ter mais controle", afirma.
Fonte: Folha de São Paulo
Ensino Superior
Língua portuguesa atrai jovens nos EUA
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:51 hs.
25/06/2012 - Cresce a procura pelo idioma entre profissionais norte- -americanos de olho no mercado de trabalho brasileiro

ISABELLE MOREIRA LIMA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE CHICAGO

A língua portuguesa vive o seu momento de maior popularidade nos Estados Unidos. Entre 2006 e 2009, o ingresso de norte-americanos em cursos de português de nível superior cresceu 10,8%, com um total de 11,6 mil alunos matriculados, segundo dados da Modern Language Association (entidade de professores e escolas de língua).

Neste ano, uma nova pesquisa -com base em estatísticas de 2011, mas que ainda não foi concluída- deve apontar alta nos números do ensino de português, afirma a entidade.

Quem deu essa "mãozinha" para a língua foi a crise internacional, aliada ao modo com que o Brasil passou a ser noticiado fora do país -sede de eventos de importância mundial e um oásis de economia aquecida. Hoje, o norte-americano que se matricula em um curso de português está menos interessado em samba e Carnaval e mais atento ao mercado de trabalho.

"HABLAS ESPAÑOL?"

A língua é a quinta que mais cresce e a sexta mais falada no mundo. Nos EUA, ocupa o 13º lugar no ranking dos idiomas mais procurados. Por conta do aumento na demanda, os departamentos de línguas de muitas universidades norte-americanas reformularam seus cursos de português.

Foi o caso da Universidade Northwestern, em Chicago, que passou a oferecer aulas para quem já fala espanhol. Em um ano, diz a professora Raquel Amorim, o programa recebeu o dobro de alunos. "Como são línguas parecidas, com gramática semelhante, fica mais fácil aprender."

Outra mudança foi a criação de uma especialização secundária para a graduação. Assim, um aluno pode estudar, por exemplo, medicina e língua portuguesa. "Antes, tínhamos alunos das áreas de língua e literatura. Neste ano, dei aula para estudantes de relações internacionais, música e engenharia, mas não tive nenhum de literatura", diz.

Elizabeth Schulze, 22, que acaba de se graduar em jornalismo, cursou essa especialização atraída pelo mercado de trabalho brasileiro. "Nasci no Brasil porque meu pai trabalhava lá e saí do país com menos de dois anos. Não aprendi o idioma quando criança, mas tenho documentos brasileiros, o que facilitaria minha entrada no mercado de trabalho", afirma Schulze. Ela diz ter se surpreendido com o quanto gostou do idioma. "É uma língua que pode ajudar na minha carreira."

Em 11 anos de ensino de português em diferentes universidades dos EUA, Ana Williams, que hoje também leciona na Northwestern, diz ter visto o interesse pelo idioma crescer. "Quando se fala em Brasil, o que vem à cabeça são os biocombustíveis e a economia. A melhor propaganda para a língua portuguesa é a imagem do país", afirma.

Williams acha que o aumento dessa demanda, entretanto, pode enfrentar barreiras. "Não há muitas opções para quem quer se preparar para ser professor de português nos EUA. Temos um boom de escolas, mas não sabemos quem são esses professores, que preparo tiveram e o que vão ensinar. Outro problema é o material usado. Não há, por exemplo, um bom livro para ensino intermediário."

Marcelo Jarmendia, que comanda a escola Brazil in Chicago, diz que o número de alunos cresceu 40%, em média, nos últimos anos, mas acredita que o interesse só será mantido se o Brasil continuar a apresentar um cenário econômico favorável. "O aumento se deu pela maior projeção do país. Muitos alunos vieram procurando as oportunidades de trabalho e de negócios que o português apresenta."

10,8%

Foi quanto cresceu a busca por aulas de português nos EUA
Entre 2006 e 2009

11,6 mil

É o número de alunos matriculados nos cursos em 2009
Segundo a associação de escolas
Fonte: Folha de São Paulo
Ensino Superior
Na ponta da língua
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:50 hs.
25/06/2012 - Brasileiro busca aliar conhecimento de idiomas, cultura e turismo viajando em família para o exterior

DOMINGOS ZAPAROLLI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

É cada vez maior o interesse do brasileiro em aperfeiçoar seus conhecimentos por meio de cursos no exterior. A Belta (Associação Brasileira de Operadoras de Viagens Educacionais e Culturais) estima que 282 mil estudantes participem de algum tipo de intercâmbio neste ano, gerando US$ 2 bilhões em negócios para agências, companhias aéreas, escolas e meios de hospedagem. Em 2011, foram 215 mil viajantes.

Os cursos de idiomas são os mais procurados para intercâmbio, representam 60% das matrículas. Programas de "high school" (ensino médio) aparecem em segundo lugar, com 22,5%. A realização de cursos de férias nas mais diferentes áreas de interesse, como culinária, cinema, arte e moda, respondem por 11% dos embarques (confira 21 opções de cursos na pág. 12).

O crescimento acelerado do setor, segundo os especialistas, é observado há cinco anos, embalado, entre outros fatores, pela economia estável, pelo ganho de poder aquisitivo da população e pela preocupação do brasileiro em se preparar para um mercado de trabalho mais competitivo.

Embora os preços sejam atrelados ao dólar, a recente desvalorização da moeda brasileira ainda não refletiu no setor. A justificativa é simples: é possível pagar a viagem em até 24 vezes.

Os adolescentes e os jovens, entre 18 e 28 anos, são os que mais participam de intercâmbios, respondendo por 95 % das viagens. Mas, nos últimos anos, a opção de fazer turismo educacional e cultural tem despertado o interesse de novos públicos. Entre os novatos, estão executivos, viajantes com mais de 50 anos e profissionais liberais, além de famílias.

O intercâmbio familiar é uma tendência que ganha força a cada ano. A administradora de empresas Helga Gentil, 34, o marido, Luiz Eduardo Perez, 50, e os filhos Bernardo, 9, e Maria Clara, 5, passaram 40 dias entre janeiro e fevereiro de 2011 em Londres. Luiz Eduardo domina o inglês, mas Helga sentia necessidade de um aperfeiçoamento.

Em Londres, a administradora realizou um curso matinal no Eurocentres (escola de idiomas) durante 30 dias. Nas tardes, uma professora particular, que não falava português, acompanhava a família em atividades pela cidade, ao custo de 35 libras a hora.

"Foi uma imersão. As aulas eram muito dinâmicas e todos se envolveram", diz Helga. "Voltei ao Brasil confiante a ponto de fazer uma apresentação no idioma para clientes estrangeiros."
Fonte: Folha de São Paulo
Ensino Superior
Sem vestibulinho, colégio usa até sorteio em seleção
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:32 hs.
25/06/2012 - Justiça proibiu provas que determinam quem ingressa no ensino fundamental. Restrição faz com que Santa Cruz não aceite mais novos alunos para 1º ano; Gracinha usa idade como desempate.

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

Sob pressão do Ministério Público e da Justiça, colégios particulares de São Paulo decidiram alterar as seleções de novos estudantes -o tradicional Santa Cruz é um deles.

Os vestibulinhos para ingresso no ensino fundamental têm dado lugar a sorteios e filas por ordem de inscrição.

Em abril, a Justiça proibiu como critérios para ingresso no ensino fundamental métodos que considerem situação pedagógica ou conteúdos aprendidos pelos estudantes.

Segundo o Ministério Público Federal, autor do pedido judicial, os exames "podem causar transtornos psicológicos às crianças".

O caso mais emblemático de mudança é o do Santa Cruz. Citado nominalmente na ação judicial que veta as provas para ingressos no primeiro ano, a escola não aceitará estudantes novos para a primeira série de 2013.

A escola entende que, como não pode avaliar o "mérito" da criança, novos alunos na série podem prejudicar os demais da turma, uma vez que a alfabetização começa no seu ensino infantil.

Por outro lado, decidiu ampliar vagas na pré-escola. Os postos adicionais serão ocupados por meio de sorteio. Até então, preenchiam todas as vagas dessa etapa crianças com vínculo com o colégio (como irmão de aluno).

Para a escola, apesar de não ser o ideal, o novo formato consegue atender à legislação e dar diversidade ao alunato, sem prejudicar o trabalho pedagógico.

O Porto Seguro, também citado na ação judicial, informou que prioriza irmão de alunos e filho de ex-estudantes. Se sobrarem vagas, considera a ordem das inscrições.

Em nota, a escola citou também que há atividades lúdicas aos alunos e entrevistas às famílias interessadas, mas não informou se o aluno que não atingir as expectativas poderá se matricular.

Último colégio citado na ação, o colégio Nossa Senhora das Graças (Gracinha) definiu que, caso os alunos com vínculo com a escola não preencham todos os postos, os próximos estudantes a serem chamados serão os mais velhos da lista de pretendentes.

O Gracinha já havia entrado em acordo com o Ministério Público Federal em 2007.

Há ainda outros formatos. O Móbile, que no passado já aplicou avaliações, agora afirma usar o sorteio, caso haja mais demanda que vagas.

O colégio Elvira Brandão disse inicialmente que faz avaliação diagnóstica para "analisar se o aluno tem condições de acompanhar o aprendizado". Após questionamentos da Folha, disse não existir seleção -busca só conhecer os futuros alunos.
Fonte: Folha de São Paulo
Especiais
Aos 60 anos, medicina da USP tenta se reumanizar
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:39 hs.
25/06/2012 - Faculdade muda currículo para deixar o curso voltado à saúde comunitária. Instituição de Ribeirão tenta aproveitar a estrutura do complexo do HC, com seis frentes de atuação na região.

ELIDA OLIVEIRA
DE RIBEIRÃO PRETO

No ano em que a FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto), da USP, celebra 60 anos, a instituição está concluindo uma alteração no seu currículo que tem como meta deixar o curso mais voltado à saúde comunitária e à formação humanística.

A ideia é capacitar melhor o jovem médico para lidar com o diagnóstico de doenças mais recorrentes e colocá-lo em contato direto com a população. Há seis anos, um grupo de professores iniciou os trabalhos para a reformulação.

Antes, a crítica que se fazia ao curso de medicina da USP local era a de que os alunos se formavam sabendo tudo de casos complexos porque tinham aulas práticas no HC (Hospital das Clínicas), mas não sabiam lidar com sintomas de gripe, por exemplo.

Agora, a ideia é preparar melhor o aluno para situações de diagnósticos cotidianos, aproveitando a estrutura do complexo do HC, ampliando o internato, o estágio ou a residência.

Segundo Francisco José Candido dos Reis, presidente da comissão de graduação da FMRP, a proposta formará profissionais mais reflexivos.

O complexo do HC envolve os hospitais estaduais de Ribeirão e Américo Brasiliense, a Mater (saúde da mulher), o Centro de Saúde-Escola, o centro comunitário de Vila Lobato e os núcleos de saúde da família. O Hospital Estadual de Serrana também vai compor a estrutura.

"Precisamos usá-lo [o complexo] para formar os futuros profissionais", disse Reis. Antes, os alunos já utilizavam as estruturas, mas o que muda, segundo ele, é a forma de capacitá-los e o tempo de contato com esses universos.

No caso da saúde comunitária, pelo currículo antigo os estudantes só tinham contato com o paciente a partir do quinto ano, segundo Juliana Muñoz, 24, aluna do quinto ano de medicina. Agora, já nos primeiros anos eles são convidados a visitar as famílias para saber como vivem.

"É um contato com a realidade para não receitarmos remédios sem saber se a pessoa tem ou não água em casa."

No caso da saúde da mulher, a partir do quarto ano o estudante já começa a discutir casos de aborto e violência. "O objetivo é capacitá-lo técnica e eticamente", afirma o presidente da comissão de graduação da FMRP.

Nas aulas práticas, os estudantes são supervisionados. Juliana Muñoz, por exemplo, que atua no núcleo de saúde da família, visitou o paciente João Dantas de Oliveira, 72, que sofre dos males de Parkinson e Alzheimer.

Na conversa, pôde saber quais remédios ele toma e os efeitos colaterais.
Fonte: Folha de São Paulo
Especiais
Pesquisas inovadoras surgiram no campus
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:46 hs.
25/06/2012 - Composto de medicamento contra pressão alta e tratamento de diabete com células-tronco se destacam na FMRP

Só no ano passado, pesquisadores de Ribeirão captaram R$ 64 milhões em agências de fomento

DE RIBEIRÃO PRETO

Quem sofre de pressão alta pode não saber, mas o composto que resultou no medicamento mais usado para o controle da doença foi descoberto pelo professor e pesquisador Sérgio Ferreira, que chegou à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto em 1958 e desenvolveu a pesquisa nos anos seguintes.

O método inovador de tratamento da diabetes do tipo 1 a partir do uso de células-tronco foi outro avanço alcançado por pesquisadores da instituição, comandados a partir de 2003 pelo imunologista Júlio César Voltarelli, morto em março deste ano.

Desde o surgimento, a instituição formou 4.601 médicos, com inúmeras pesquisas desenvolvidas -só em 2011, por exemplo, foram captados R$ 64 milhões junto a agências de fomento à pesquisa.

A história começou a ser escrita quatro anos antes da criação da FMRP, em 1948, quando a demanda por cursos universitários fez com que a USP pensasse em criar unidades no interior do Estado.

Jornalistas, advogados e políticos se uniram numa campanha para trazer a unidade para Ribeirão, segundo Rubens Zaidan, autor de "Memórias de Monte Alegre", sobre a história do campus.

Na USP, a figura primordial para isso foi Zeferino Vaz, então docente na capital.

Ele foi o relator do processo de interiorização da universidade, afirma Zaidan, e responsável por "convencer" colegas a lecionar em Ribeirão.

Vieram ainda docentes da Áustria, França, Chile e Argentina, entre outros. "Na época, vir de São Paulo a Ribeirão era aventura, não uma viagem", diz Benedito Carlos Maciel, diretor da faculdade.

Em meio à decadência da cidade após a crise do café, a chegada de uma universidade reanimou a população.

A lei de criação da faculdade foi publicada em 1951 e, no ano seguinte, a faculdade iniciou as atividades nos porões de uma casa alugada na rua Visconde de Inhaúma, 757, hoje já demolida.

INOVAÇÃO

De acordo com Maciel, o curso oferecido em Ribeirão Preto foi inovador em dois aspectos principais.

Um foi a inclusão de disciplinas que anteriormente não eram estudadas, como a psicologia, para ajudar no diagnóstico de doenças de cunho emocional. Outro foi o regime de dedicação exclusiva dos professores, aliando o ensino à pesquisa.

O decreto que institui a dedicação exclusiva em toda a USP só foi publicado em 1966, pelo ex-governador Adhemar de Barros. No entanto, a universidade informou que não é possível afirmar se antes disso outras faculdades também seguiam a norma.

Atualmente, os professores podem escolher se vão ou não se dedicar integralmente -98,2% dos 332 de Ribeirão optam pela modalidade.
Fonte: Folha de São Paulo
Especiais
Pioneiros tinham até acesso grátis a clube
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:47 hs.
25/06/2012 - A primeira turma de calouros de medicina em Ribeirão Preto trouxe ao município muitos estudantes de outras cidades que, segundo Oswaldo Munhoz, 82, e Denizard Rivail Gomes, 81, alunos à época, gozavam de benefícios.

"Éramos muito bem tratados, convidados para todas as festas. Ganhamos até acesso gratuito ao clube Recra durante um ano", contam.

Entre os 50 aprovados no vestibular, só quatro eram da cidade, afirma Gomes.

A tradicional boina amarela, que os calouros da faculdade utilizam no primeiro ano do curso, existe desde a turma inicial.

Segundo eles, os calouros da capital já usavam o acessório, mas verde. Quando foram comprar as de Ribeirão, não encontraram da mesma cor e trocaram pela amarela.

No segundo ano, um grupo com "quase todos" os alunos da turma resolveu comemorar o encerramento das aulas no Pinguim, já famoso.

"Nos demos conta de que não tínhamos dinheiro e seguimos o exemplo dos alunos da São Francisco de São Paulo: decretamos o "Dia da Pendura"", afirmou Gomes.

De acordo com Munhoz, no dia seguinte o responsável pelo bar foi à faculdade e cobrou a conta de Zeferino Vaz, que pagou a dívida dos estudantes -que foi acompanhada de uma bronca aos participantes do ato.

Além dos 4.601 médicos, a FMRP formou outros 972 profissionais de fisioterapia, ciências biomédicas, fonoaudiologia e nutrição, entre outras áreas da saúde.
Fonte: Folha de São Paulo
Gestão Educacional
Desembargadores julgam constitucionalidade do FAP
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:08 hs.
25/06/2012 - Assunto recorrente em nossa coluna diz respeito à conhecida Contribuição ao SAT, hoje conhecida como GILRAT (grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos do ambiente de trabalho). Em duas oportunidades tratamos do ponto que talvez seja considerado o mais polêmico do mencionado tributo, o índice conhecido como Fator Acidentário de Prevenção, ou FAP veja os artigos em: http://www.tributacaonoensino.com.br/fator-acidentario-de-prevencao-%E2%80%93-tributacao-irregular/ e http://www.tributacaonoensino.com.br/gestao-de-fap-e-corte-de-custos/

Até a época em que escrevemos os dois artigos citados, destacavam-se decisões dos Tribunais Regionais Federais da 3ª e 5ª Região (o primeiro alcançando os estados de SP e MS, e o segundo respondendo pelo nordeste, exceto MA, PI e BA) entendendo inexistir qualquer irregularidade na sistemática do FAP, de modo que o fator de multiplicação das alíquotas poderia ser determinado por normativos infralegais (recomendamos a leitura dos mencionados artigos supra para melhor compreensão da sistemática do FAP).

Ocorre que, recentemente, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (abrangendo as Regiões Norte e Centro-Oeste, além dos estados de MG, BA, PI e MA) entendeu inconstitucional a incidência do FAP conforme estabelecido na Lei Ordinária 10.666/2003, cujo artigo 10 atribui ao regulamento a diminuição ou aumento da alíquota do tributo conforme resultados obtidos a partir dos índices de freqüência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social.

Mencionado entendimento partiu da 8ª Turma do TRF da 1ª Região, para quem a lei, ao criar flutuações na alíquota conforme discricionariedade do Fisco, violou o princípio da legalidade tributária, que exige que as alíquotas sejam pré-fixadas em lei. Contudo, a decisão ainda não é definitiva no Tribunal, devendo ser levada ao plenário para apreciação, consoante estabelece a Constituição Federal.

Na prática, a decisão possui grande importância, pois reacende uma discussão que parecia adormecida, e que se relaciona diretamente com as prerrogativas dos contribuintes. Os TRFs da 3ª e 5ª Região costumavam aplicar jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que entendia constitucional a atribuição, por regulamento, das categorias de grau de risco leve, médio e grave na determinação das alíquotas de 1, 2 e 3 por cento, respectivamente. Entretanto, a situação atual é diversa, apresentando questões ainda não apreciadas pelo Supremo.

A prevalecer, na configuração plenária do TRF da 1ª Região, o entendimento quanto à inconstitucionalidade do FAP, certamente a questão será levada ao STF, ocasião em que os contribuintes terão, novamente, a chance de discutir as particularidades da exação, como, por exemplo, a kafkiana regra da posição da empresa no seu CNAE, desprovida de qualquer possibilidade de aferição de regularidade por parte dos contribuintes. Aguardemos o resultado do julgamento.

- Marcio Augusto Campos – Advogado e Consultor Tributário especializado em Instituições de Ensino. Professor Assistente de Graduação e Pós-Graduação da PUCSP. Instrutor da Innovia Training e Consulting. Colunista às segundas-feiras no CM News, e administrador do site www.tributacaonoensino.com.br.
Contato: marcio@tributacaonoensino.com.br
Fonte: Dr. Marcio A. Campos
Gestão Educacional
Legislação Educacional
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:06 hs.
25/06/2012 - A CM Consultoria disponibiliza em seu Portal o hall de legislações educacionais (Portarias, Pareceres, Resoluções, Despachos, Leis e Súmulas) publicadas pelo Ministério da Educação e Cultura. Acesse em: http://www.cmconsultoria.com.br/legislacoes.php
Fonte: CM Consultoria
Gestão Educacional
Atendimento com psicólogo via internet ganha novas normas
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:25 hs.
25/06/2012 - Conselho federal passa a permitir mais sessões, num máximo de 20.

JULIANA COISSI
DE RIBEIRÃO PRETO

O atendimento psicológico via internet, que ocorre por e-mail, MSN ou Skype, poderá ter mais sessões e ganhará maior rigor em seus mecanismos de segurança.

Deve ser publicada hoje pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia) uma nova resolução para disciplinar esse atendimento à distância. Mas as medidas só passarão a valer no final de dezembro.

Regulamentada no Brasil em 2005, a orientação psicológica na web atende problemas pontuais do paciente, como dificuldades de adaptação em uma nova cidade, problemas escolares do filho ou questões afetivas.

Para prestar o serviço, o psicólogo deve ter seu site credenciado pelo conselho.

Atualmente, a orientação na internet se limita a dez atendimentos. Com a nova resolução, poderá ter 20 sessões. O aumento das consultas virtuais era uma das principais demandas tanto de psicólogos quanto dos próprios pacientes, segundo Aluizio Lopes de Brito, coordenador da comissão de credenciamento de sites do CFP.

Continua proibido, na nova resolução, o uso da internet para a psicoterapia -mais prolongada, sem limite de consultas. A exceção é para fins de pesquisa.

O atendimento via internet ainda gera críticas entre alguns profissionais. Além de perder o contato pessoal com o paciente no consultório, o serviço virtual perderia em termos de profundidade.

Mas o maior temor dos críticos é quanto ao sigilo da conversa na web. Segundo Brito, os últimos sete anos da prática mostraram que o atendimento on-line é seguro. "Temos bons programas que impedem que a conversa vaze", diz Brito.

Para Eduardo Neger, presidente da Abranet (Associação Brasileira de Internet), o risco de vazamento de informações tende a ser maior do lado do paciente.

Sem um bom antivírus, pode ocorrer que o cliente tenha em seu computador um programa espião, capaz de gravar tudo o que é digitado.

Outra fragilidade é quanto à rede escolhida. O ideal, segundo Neger, é o paciente fazer o atendimento em sua casa, em computador pessoal, com rede própria ou 3G.

A nova resolução diz que o psicólogo deve buscar programas atualizados de segurança, entre outras medidas.

Em 2005, havia cerca de 30 sites para orientação psicológica na web. Atualmente são 204 credenciados pelo conselho (40, porém, estão com a licença expirada).

A psicoterapeuta Rosana Laiza, de São Paulo, presta o serviço via internet desde 2005. A demanda surgiu por sugestão dos próprios pacientes de consultórios.

Ela aprova a expansão do número de sessões. "É importante, porque há pessoas que necessitam de mais consultas. Dez é pouco."
Fonte: Folha de São Paulo
Gestão Educacional
Barretos treina médicos para cirurgia com vídeo e robótica
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:05 hs.
25/06/2012 - Henrique Prata, vice-presidente do Hospital do Câncer de Barretos, é um homem apaixonado por tecnologia e um dos maiores defensores da popularização das cirurgias minimamente invasivas no Brasil.

Em busca do crescimento deste tipo de procedimento, que diminui em até 80% o risco de infecções, Prata fez em julho do ano passado uma parceria com o Institut de Recherche contre les Cancers de l"Appareil Digestif (Ircad), com sede na França, para treinar os profissionais do país.

Até o final de 2012, cerca de 3150 médicos terão passado pelo centro no ano e estarão aptos a realizar cirurgias deste tipo.

Até hoje, 1,5 mil foram treinados no Brasil, 40% vindos do exterior. Esta é a terceira unidade do Ircad no mundo, depois de Estados Unidos e Taiwan, e segundo Prata o país só foi escolhido após passar por rigoroso crivo de Jacques Marescaux, presidente do Instituto na França.

Itens como a reputação do hospital e o centro de pesquisa em oncologia molecular contaram pontos a favor na decisão da instalação em Barretos.

Nestes centros, as aulas interativas permitem que um procedimento cirúrgico realizado em qualquer outro local do mundo possa ser observado e estudado em tempo real pelos profissionais. Para isso, a equipe do instituto acolhe, além de cirurgiões, engenheiros em robótica e cientistas da computação.

Benefícios

Para se ter uma ideia dos benefícios das cirurgias minimamente invasivas, uma operação convencional para tratamento de apendicite, por exemplo, requer de quatro a cindo dias de internação para que o paciente se recupere, enquanto no modelo defendido por Prata a alta ocorre no mesmo dia.

"Nos Estados Unidos há hospitais em que 95% de todos os procedimentos já são feitos por meio de vídeo ou robótica. No Brasil este percentual não chega a 3%", diz Prata.

No Hospital do Câncer de Barretos, no entanto, a realidade já é diferente. Lá, cerca de 40% das cirurgias já são minimamente invasivas e em casos como os relacionados ao sistema digestivo baixo e alto, o índice chega a 90%, de acordo com Prata.

"O principal entrave para que o número cresça ainda é a falta de profissionais capacitados", afirma.

Médicos do SUS

Não são só médicos do sistemas privados que podem ter acesso aos cursos do Ircad, que custam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil por semana.

Por conta de um acordo com o governo, 30% das vagas são gratuitas e destinadas aos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), designados pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

Ao todo, o Ircad recebeu investimentos de cerca de R$ 60 milhões, aplicados em 7,2 mil metros quadrados de área construída, com auditório para 130 lugares, adequado ao ensino teórico, prático e telecirúrgico.

Empresas como a Covidien, fabricante de instrumentos cirúrgicos, e a Karl Storz, de endoscópios, doaram os equipamentos que estão sendo utilizados no centro.
Fonte: Jornal Brasil Econômico
Gestão Educacional
Portarias de 22 de Junho de 2012 (Enade nº 201-217)
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25/06/2012 - Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), parte integrante do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), tem como objetivo geral avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares, às habilidades e competências para a atualização permanente e aos conhecimentos sobre a realidade brasileira, mundial e sobre outras áreas do conhecimento.

- Portarias 201, 202, 203, 204, 205, 206, 208, 209, 210 e 217. (bacharelados e licenciaturas)

- Portaria 207 - Formação Geral

- Portaria 211, 212, 213, 214, 215 e 216 (Cursos Superiores de Tecnologia)

http://www.cmconsultoria.com.br/imagens/diretorios/diretorio14/arquivo3999.pdf
Fonte: DOU n.º 121 - 25.06.2012
Ministro da Educação
Agenda do Ministro
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25/06/2012 - Segunda-feira, 25 de junho de 2012

09h30 às 15h00 - Abertura da Reunião Técnica com Instituições que organizam Olimpíadas - Part.: Marco Antônio Raupp - Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Local: Mercure Brasilia Lider Hotel - Shn Qd 5 Bloco I - Asa Norte - Brasília
Fonte: Portal MEC
Publicações
Brasil e vizinhos vão suspender Paraguai de Unasul e Mercosul
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25/06/2012 - Reação dos países à destituição de Fernando Lugo visa desencorajar processos similares em parceiros da região. Chamado para consultas, o embaixador do Brasil em Assunção pode ficar em Brasília até o fim da gestão Federico Franco.

NATUZA NERY
JÚLIA BORBA
DE BRASÍLIA

O Brasil e as demais nações da América do Sul decidiram suspender o Paraguai do Mercosul e da Unasul até as eleições presidenciais previstas para abril do ano que vem. Em comunicado ontem à noite, a Chancelaria da Argentina confirmou a suspensão.

A ideia, costurada no fim de semana, é uma resposta ao impeachment-relâmpago do presidente Fernando Lugo, na sexta passada. Os vizinhos querem desencorajar ações similares na região.

Em reunião com ministros anteontem, a presidente Dilma Rousseff foi informada sobre rumores de que Federico Franco -o vice que se tornou mandatário em 30 horas- pretende antecipar as eleições de 2013 para este ano.

Convocado para consultas pelo Itamaraty -sinal diplomático de reprovação- o embaixador do Brasil em Assunção, Eduardo dos Santos, pode permanecer em Brasília até o fim da gestão Franco.

Não se sabe qual efeito terá o isolamento paraguaio do Mercosul e da Unasul (União de Nações Sul-Americanas). Espera-se que a suspensão pressione o atual governo.

Nos bastidores, quase ninguém crê em reversão do quadro paraguaio. Para ministros e a própria Dilma, Lugo não buscou nem conseguiu mobilizar a população -na reunião, ele foi comparado a Manuel Zelaya, presidente hondurenho deposto em 2009, que resistiu por meses.

O encontro que decidirá o destino imediato do Paraguai está marcado para a próxima sexta, durante reunião do Mercosul, na Argentina. O novo governo paraguaio deve ficar de fora, mas Lugo afirmou que participará do evento.

As relações comerciais com o Paraguai são tradicionalmente favoráveis ao Brasil. Por conta do Mercosul, porém, o fluxo comercial se acelerou. Em 2011, as transações entre os dois países bateram recorde (US$ 3,684 bilhões).

Apesar do desejo de Dilma de desencorajar outros países a seguir o caminho do Paraguai, não há no governo brasileiro nenhuma vontade de retaliar sozinho o governo Franco. Por ordem do Planalto, o Brasil só adotará decisões coletivas e no âmbito de organismos multilaterais.

PUNIÇÃO VENEZUELANA

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, suspendeu o envio de petróleo da estatal PDVSA, na primeira sanção econômica a Franco, e decidiu retirar seu embaixador de Assunção, medida também tomada pelo Equador. Chile e Peru convocaram seus embaixadores para consultas.
Fonte: Folha de São Paulo
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Ensino Superior - Pearson quer Universidades
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25/06/2012 - Os britânicos da Pearson, maior grupo editorial do mundo, fizeram as primeiras investidas no mercado brasileiro de ensino superior privado. A primeira tentativa de aquisição foi a Unisa, com 25 mil alunos na graduação. Mas as conversas não resistiram aos balanços financeiros, segundo fontes. Pearson e Unisa negam as informações.
Fonte: O Estado de São Paulo
Publicações
Entrevista Clémence Jouet-Pastré
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:53 hs.
25/06/2012 - Harvard comprova sucesso do idioma

Desde 2001, o número de alunos que querem aprender a língua portuguesa aumentou 60%.

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE CHICAGO

A língua portuguesa é ensinada na Universidade Harvard, uma das mais conceituadas dos EUA, desde 1831. Mas foi na última década que o idioma iniciou sua melhor fase no país.

Desde 2001, o número de alunos interessados em aprender a língua portuguesa aumentou mais de 60%.

Clémence Jouet-Pastré, professora de Harvard e diretora do programa de verão da universidade no Brasil, que traz os alunos norte-americanos para aulas "in loco", diz que o perfil dos estudantes também mudou. Abaixo, trechos da entrevista.

Folha - Aumentou a procura de estudantes de Harvard pela língua portuguesa? Desde quando?

Clémence Jouet-Pastré- Os primeiros registros de cursos de língua portuguesa em Harvard datam de 1831, um dos programas mais antigos do idioma nos EUA. Nos últimos 12 anos, verificamos que as matrículas nesses cursos aumentaram muito. Nos anos acadêmicos de 2001 e 2002, tivemos 127 alunos e, dez anos depois, o total chegou a 207. Outro indicador interessante é o programa de verão de Harvard no Brasil, que dirijo há nove anos. Em sua primeira edição, tivemos apenas 9 alunos e, na última, 29. É importante lembrar que o crescimento do interesse pela língua não se limita somente à Harvard. Nos últimos cinco anos, três outras universidades de grande prestígio, também situadas na região de Boston, abriram programas de português: o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussetts), a Universidade Tufts e a Universidade de Boston.

O interesse dos alunos é pelo português brasileiro ou de outros países?

Procuro incentivar os alunos a apreciarem todas as variações da língua portuguesa. Devo confessar, no entanto, que o destino mais almejado é o Brasil.

O que os alunos buscam alcançar com a língua portuguesa?

Encontrar um trabalho melhor, ser promovido e viajar para o Brasil.

Qual o perfil desse aluno?

O perfil tem mudado bastante nos últimos cinco anos. Temos cada vez mais alunos de MBA e da escola de direito. Esse tipo de aluno, quando se matricula nos cursos básicos, geralmente tem contrato para trabalhar no Brasil ou está empenhadíssimo em conseguir um. Quando a presidente Dilma [Rousseff] veio lançar o programa Ciências Sem Fronteiras, vários alunos da graduação me disseram que era preciso tornar a lei brasileira mais flexível, porque muitos querem abrir negócios no país. Mas, obviamente, temos outros tipos de alunos também, como os interessados na cultura brasileira.

Como costuma ser o desenvolvimento dos norte-americanos no português? Qual o nível de dificuldade da língua?

Meus alunos são incrivelmente bons. Sempre digo que são a melhor coisa de Harvard. A maioria torna-se fluente após dois ou três semestres de estudo.

Muitos alunos primeiro estudam o espanhol e depois o português. Isso é comum entre seus estudantes?

A maioria dos meus alunos entra dominando o espanhol, seja por laços de família, seja porque aprendeu na escola secundária. Não vejo uma hierarquia por parte dos alunos do tipo "primeiro o espanhol, depois o resto". Mas a pergunta é pertinente porque aponta uma mudança significativa na demografia do programa. Quando comecei a lecionar em Harvard, no outono de 2002, havia somente seis alunos entre os que não sabiam espanhol. No último ano, ou seja, no outono de 2011, tivemos 34 estudantes com esse perfil.
Fonte: Folha de São Paulo
Publicações
Idioma é entrave para estrangeiro
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:54 hs.
25/06/2012 - Profissionais de fora que chegam ao país conhecendo a língua relatam vantagens na carreira.

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE CHICAGO

Apesar do aumento do interesse de estrangeiros pelo mercado de trabalho brasileiro ter alavancado o ensino de língua portuguesa no exterior, é justamente o idioma o principal entrave para o sucesso dos que vêm ao Brasil em busca de um emprego.

A opinião é compartilhada por executivos de três empresas internacionais de recrutamento com escritórios no Brasil -Hays, Michael Page e Robert Half. Eles também confirmam o forte aumento da procura de estrangeiros por vagas no mercado brasileiro nos últimos anos.

Por esse motivo, portugueses, espanhóis e latino-americanos acabam levando vantagem na hora de encontrar trabalho no país.

Fábio Saad, da Robert Half, conta que recebe mais de dez currículos por semana, principalmente de profissionais de finanças para vagas com salário mensal entre R$ 15 mil e R$ 50 mil. Segundo ele, a procura cresceu drasticamente com a crise das economias da Europa e dos EUA.

"Há cinco anos, um estrangeiro que queria vir ao Brasil era considerado excêntrico. Hoje, isso mudou, tem muita gente interessada", diz Juliano Ballarotti, gerente da Hays, para quem a vinda de estrangeiros é uma tendência natural e benéfica para o mercado brasileiro.

Segundo ele, a preferência pelo Brasil é econômica e cultural. "Além da imagem econômica bastante positiva, em termos de cultura o Brasil é razoavelmente parecido com a Europa ocidental ou com os EUA. Para o norte-americano, é mais fácil se adaptar por aqui do que em outros Brics (Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul)."

São três as categorias de estrangeiros em busca de oportunidades no Brasil: pessoas que simplesmente querem tentar a sorte, estrangeiros casados com brasileiros e que teriam a facilidade do visto, ou expatriados pela própria empresa.

O norte-americano Michael Barin, 29, encaixa-se na terceira categoria. No ano passado, a agência em que trabalhava em Chicago o enviou para uma temporada de três meses na filial paulista.

"Eu tive muita sorte de receber essa oportunidade depois de já ter estudado português na graduação, na Universidade de Chicago. Conhecer a língua me ajudou a me conectar mais diretamente com os colegas que conheci na temporada brasileira."

A primeira dica que Augusto Puliti, diretor-executivo da Michael Page no Brasil, dá a quem quer vir trabalhar no país é saber usar o idioma.

"Por mais que seja mais comum encontrar executivos que falem um bom inglês, ainda não são todos que dominam a língua", diz.

A segunda é ter em mente que as funções de cada cargo no Brasil não são tão claras como nos EUA ou na Europa. "Aqui, temos que ser mais flexíveis. E eu não estou falando de jeitinho brasileiro, não, e sim de ser "pau para toda obra". É preciso que eles entendam a cultura brasileira para se adaptar ao modo como fazemos negócios aqui."

Para Saad, uma porta para o mercado pode ser cursar um MBA. "O relacionamento com colegas pode ajudar na colocação do candidato e ser um caminho mais eficiente do que via consultoria ou "headhunter"", afirma.
Fonte: Folha de São Paulo
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Leitura de livros reduzirá pena
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:23 hs.
25/06/2012 - Os detentos de presídios federais poderão reduzir suas penas com a leitura de livros. Uma portaria conjunta do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e da Justiça Federal, publicada na sexta-feira no Diário Oficial da União, estabelece a diminuição de quatro dias da condenação a cada obra lida. Caso o preso termine 12 livros ao longo de um ano, e comprove a leitura por meio de resenhas, deixará de passar 48 dias no presídio.

A participação no Projeto Remição pela Leitura é voluntária. O detento terá entre 21 e 30 dias para ler uma obra que, pela Portaria Conjunta nº 276, poderá ser literária, científica ou filosófica. Nas resenhas, serão avaliados estética (uso de parágrafos e de letra cursiva), limitação ao tema e fidedignidade (não serão permitidos plágios). A análise das resenhas e o acompanhamento dos participantes ficarão a cargo de uma comissão nomeada pelo diretor de cada penitenciária.

O projeto será aplicado apenas nos quatro presídios federais do país. Poderão participar detentos em regime fechado e presos provisórios, que ainda não foram a julgamento. Ainda de acordo com o texto da portaria, as resenhas deverão ser enviadas posteriormente a um juiz, que decidirá se haverá remissão da pena.

O advogado Guilherme Nostre, do escritório Moraes Pitombo Advogados, considera o projeto "bem-intencionado", mas critica o fato de a medida ter sido decretada por meio de uma portaria. "Uma nova forma de remissão só poderia ser criada por meio de lei", afirma, acrescentando que a função de fiscalizar as resenhas produzidas pelos presos pode sobrecarregar ainda mais os juizes.

Renato Vieira, do escritório Andre Kehdi & Renato Vieira Advogados, também apoia o projeto, desde que sejam mesmo enviados livros aos presídios. "Não adianta nada o executivo lançar o projeto e não formar um bom acervo nesses presídios", diz.

O advogado Andre Kehdi, que atua na mesma banca, afirma que hoje somente alguns presídios federais e estaduais têm bibliotecas. Na maioria dos casos, segundo ele, os acervos são desorganizados, e não há estrutura para receber as obras. "Às vezes, os livros estão disponíveis só aos funcionários, e não aos presos."

De acordo com a assessoria de imprensa do Departamento Penitenciário Nacional, todos os presídios federais possuem bibliotecas, e o Projeto Remição pela Leitura é aplicado desde 2009 nos presídios de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e Catanduvas, no Paraná.

Hoje, a Lei nº 12.433, de 2011, que alterou a Lei de Execução Penal, prevê apenas a redução de pena por meio de estudo e trabalho. De acordo com a norma, a remissão é de um dia de pena a cada 12 horas de estudo ou três dias de trabalho.
Fonte: Valor Econômico
Publicações
Não é chatice. O nome disso é persistência estratégica
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25/06/2012 - Como o desconhecido programa de fidelidade Dotz conseguiu parceiros de peso como Banco do Brasil e Magazine Luiza.

NAIANA OSCAR - O Estado de S.Paulo

O empresário Roberto Chade nunca soube lidar com rejeição. Quando era mais jovem, sua namorada terminou o relacionamento por quatro vezes, ao longo de nove anos, e em todas ele conseguiu reatar o namoro na teimosia, fazendo plantão na frente da escola para encontrá-la. O esforço deu certo e eles já estão casados há 13 anos. Nos negócios, Chade adota uma estratégia parecida. Como fez com a esposa, vence no cansaço.

Para quem chama isso de chatice, o dono da Dotz, empresa de fidelização de clientes, explica que se trata de "persistência estratégica". Foi assim que ele conseguiu resgatar a marca criada em 2000 como um programa de fidelidade online e colocá-la novamente no mercado há dois anos e meio, com uma nova proposta e parceiros importantes.

Ao contrário de seu principal concorrente, o Multiplus (que tem na venda de passagens aéreas o ponto alto de seu programa de milhagem), a Dotz atua principalmente no varejo. Os clientes acumulam pontos ao comprar nas lojas parceiras e podem trocá-los por produtos nos estabelecimentos ou no site da Dotz. O sucesso do negócio, portanto, depende dessas parcerias.

Chade começou sua peregrinação em 2009, no Canadá. Ele queria convencer uma das maiores empresas de fidelização de clientes no país - a Loyalty One - a ser sua sócia no Brasil, antes de bater à porta das varejistas nacionais. "Precisava de um cartão de visitas", lembra o empresário. A sociedade veio depois de cinco viagens internacionais, quase uma centena de e-mails e uma conta de ligações interurbanas que não tinha mais tamanho. Hoje a Loyalty detém 37% da Dotz e a Ascet Investimentos, empresa da família Chade, os outros 63%.

Em dois anos e meio a empresa conquistou 3 milhões de clientes em 51 cidades nos Estados de Minas Gerais, Distrito Federal e da Região Metropolitana de Campinas e já projeta para este ano faturamento de R$ 200 milhões. Entre os principais parceiros estão Banco do Brasil, farmácias Pague Menos, Atacadão, Bobs, Magazine Luiza e a rede Atlântica de Hotéis.

Levar essas empresas para o programa Dotz exigiu criatividade - e vergonha zero. "Afinal, não estávamos oferecendo nada que eles quisessem", diz Chade. "Tínhamos que criar a necessidade." Os varejistas só precisariam do programa de fidelidade se seus clientes cobrassem os pontos. Chade levou isso ao pé da letra e colocou seus consultores para fazer compras em locais estratégicos. "Quando estamos prospectando alguém, vamos nas lojas, simulamos uma compra e na hora de pagar, perguntamos: "Aqui tem Dotz?" Se não tem, imediatamente devolvemos os produtos", diz o empresário, sem constrangimento. "Mas sem forçar demais, é claro."

A investida nos pontos de venda vem acompanhada de uma marcação cerrada de Chade na cúpula dos potenciais parceiros. "Só recebi esse rapaz para ver se ele me deixava em paz", diz Euler Fuad, dono da rede de supermercados de Belo Horizonte, Super Nosso - hoje um dos parceiros mais antigos da Dotz.

Outdoor. Depois de dois anos de conversas, em setembro do ano passado, a empresa conseguiu fechar sua parceria mais estratégica, tornando-se o programa de fidelidade do Banco do Brasil. Simples assim? Não. Os executivos do banco concordaram em fechar negócio com a Dotz no início do ano passado, mas até que todos os trâmites fossem concluídos, ia demorar.

Para não ser esquecido, Chade mandou colocar um outdoor com a frase "Aqui tem Dotz" em frente ao prédio do Banco do Brasil em Brasília. "Até hoje, quando saímos do edifício damos de cara com a propaganda da Dotz", diz Delano Valentim, gerente executivo da diretoria de clientes do banco. "Digamos que eles são obstinados."
Fonte: O Estado de São Paulo
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Novos modelos, questões inéditas
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:55 hs.
25/06/2012 - Por serem pioneiras, empresas enfrentam o limbo jurídico da falta de legislação pertinente.

FELIPE GUTIERREZ
DE SÃO PAULO

Foi em uma viagem para Berlim, em janeiro do ano passado, que o cineasta Felipe Dall"anese, 33, conheceu o Airbnb. Pelo site -que oferece um serviço on-line de hospedagem-, ele descobriu uma pessoa que alugava um quarto e hospedou-se lá.

Assim que voltou para São Paulo, fez o mesmo. Disponibilizou pelo site um quarto de seu apartamento para turistas. De março de 2011 para cá, recebeu mais de 30 pessoas e ganhou cerca de US$ 15 mil.

"Não tive nenhum problema, mas faço uma seleção [dos viajantes]. E não é um negócio, se não estou a fim, tenho a opção de não receber", diz Dall"anese, que está de mudança e deve tirar o apartamento do site.

Os hóspedes gostam -as resenhas são favoráveis- e o Airbnb, que possibilitou o encontro, leva uma comissão.

Esse modelo de negócios, que aproveita uma capacidade ociosa (no caso, quartos vazios), é uma das apostas das novas empresas. O problema é que não há regras para essas transações na legislação brasileira.

A lei prevê locação para temporada ou aluguel, mas não há nada sobre hospedar turistas em um quarto de casa durante um curto período.

"A velocidade das leis é muito mais lenta do que a das novas tecnologias", diz Gisele Truzzi, advogada especialista em direito digital.

E nem todos estão contentes com essa forma de hospedar. Como não há pagamento de impostos, o Sinhores-SP (sindicato de hotéis, bares e restaurantes) considera o site "uma concorrência desleal", diz o diretor Edson Pinto.

O Airbnb emitiu um comunicado no qual afirma que está presente em 25 mil cidades do mundo (na última semana, bateu a marca de 10 milhões de hospedagens intermediadas) e que as leis mudam de acordo com o local. Na nota, pede para que os usuários observem as regulações aplicáveis.

Rodrigo Laudes, advogado do Monashees, um fundo de investimentos em "start-ups", recomenda que empresas com modelos inovadores tenham cuidado com uma lista de fatores: propriedade intelectual, marca, efeitos perante o consumidor e aspectos tributários.
Fonte: Folha de São Paulo
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O comércio do futuro não é mais ficção
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:36 hs.
25/06/2012 - Ana passa em frente a sua loja de roupas preferida quando recebe uma mensagem no smartphone: "Ei, você não quer aproveitar as ofertas de hoje?" Ela reluta, mas recebe uma nova mensagem com diversos modelos de acordo com suas preferências de estilo e cor e sapatos combinando. Apesar de estar atrasada, resolve "dar uma olhadinha". Ao entrar na loja, uma vendedora a conduz para o provador, onde as peças que ela escolheu estão à sua espera. Ana então prova as combinações sugeridas e manda um vídeo para as amigas.

Depois de uma rápida enquete, ela decide levar alguns produtos mas, ao escanear um código de barras com seu smartphone, um alerta mostra que uma outra loja oferece o mesmo par de sapatos por um preço 20% menor. A vendedora rapidamente cobre a oferta. Ao deixar a loja, Ana é reconhecida por um scanner em tamanho real que imediatamente a envia uma nova mensagem: "Você acaba de ganhar 60% de desconto no setor de perfumaria e cosméticos". Ana reluta outra vez, mas decide levar uma nova fragrância de sua marca predileta que acaba de chegar à loja. Com um simples toque, ela confirma a compra e agenda a entrega do produto para o mesmo dia em sua casa.

Desafios. Tudo isso ainda parece história de filme de ficção, mas está mais perto do que boa parte dos varejistas imagina. Em menos de cinco anos, a interação entre comércio e consumidor será feita por uma ampla gama de canais: de malas-diretas a redes sociais; de call centers a televisores. Os mais diversos tipos de produtos e serviços estarão ao alcance de um clique no celular conectado à internet, em casa ou no trabalho, na praia ou na consulta ao dentista.

É o chamado varejo omnichannel, uma experiência de vendas integrada que une as vantagens das lojas físicas à abundância de informações da Internet, e que pode ser encarada como estratégia de sobrevivência para o comércio tradicional. Quem não ficar atento a essa nova perspectiva pode estar fadado a comer poeira.

Não há dúvidas de que o público consumidor está pronto para a revolução omnichannel, principalmente, porque a maior parte da tecnologia já está disponível. Até 2016, haverá um total de 7,1 milhões de tablets como o iPad ativos no Brasil e a penetração de smartphones continua crescendo aceleradamente. Segundo o instituto de pesquisa Forrester, o comércio eletrônico já responde por 9% do total das vendas no varejo, movimentando cerca de US$ 200 bilhões anualmente só nos Estados Unidos. Cinco anos atrás esse índice era de 5%. No Reino Unido, o e-commerce já responde por 10% do mercado.

É preciso fazer com que o ato de comprar em lojas físicas também seja uma experiência estimulante e envolvente. Há obstáculos para que a ficção se torne realidade. O domínio da tecnologia é um deles. Poucos estão preparados ou dispostos a aplicar novas ferramentas. Para mudar esse cenário, é necessário sair em busca de novos profissionais, mais jovens e familiarizados com o mundo digital.

O desafiador futuro do comércio digital exige que as empresas deixem de encarar as vendas apenas pelo critério de "mesmas lojas" e passem a se concentrar em parâmetros como o retorno sobre o capital investido. É preciso reconhecer que essa mudança de filosofia de negócios não é uma tarefa simples, já que a febre do e-commerce durante a bolha pontocom traumatizou boa parte das empresas.

Prova desse equívoco foi dada por um estudo da Bain, que mostra como a cotação de varejistas em bolsa é fortemente relacionada ao retorno sobre o capital investido e ao crescimento. Hoje, o varejo digital - no mundo - já é altamente rentável. A média do retorno sobre o investimento em cinco anos da Amazon, por exemplo, é de 17%; já em lojas tradicionais de desconto e de departamentos, é de 6,5%.

Os varejistas tradicionais tendem a acreditar que sua clientela fiel estará sempre aí. Mas, à medida que vão conhecendo o comércio omnichannel, os consumidores aceitam cada vez menos os defeitos das lojas tradicionais. Conseguir um vendedor é tarefa difícil. Quando enfim aparece, não sabe informar detalhes do produto. Item em falta é algo corriqueiro. As filas para pagar são grandes. Devolver um produto é sempre uma via crúcis.

A chegada do mundo omnichannel intensificará a batalha entre varejo tradicional e vendas online. Uma batalha que já está sendo vencida pelo e-commerce, que pouco a pouco "rouba" os consumidores do velho varejo. Criar uma estratégia omnichannel é um passo inevitável que não deve ser postergado. É preciso seguir em frente já.
Fonte: O Estado de São Paulo
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O gene altruísta
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:49 hs.
25/06/2012 - Guerra acadêmica sobre a evolução da ética

RESUMO O biólogo americano E. O. Wilson causa celeuma ao argumentar, em livro, em favor da "seleção de grupo", forma de seleção natural que afeta grupos, e não indivíduos. Ao minimizar importância da tradicional "seleção de parentesco", Wilson propõe uma nova visão sobre a trajetória evolutiva de insetos e humanos.

REINALDO JOSÉ LOPES

EDWARD OSBORNE Wilson, 82, nunca foi um sujeito modesto, embora quase todos os que o conhecem façam questão de louvar a gentileza um tanto antiquada do biólogo, um dos derradeiros exemplares de "cavalheiro do Sul" dos EUA (ele nasceu no Alabama).

Em livro que acaba de ser lançado, o pesquisador da Universidade Harvard -uma das maiores autoridades mundiais em formigas e "bicampeão" do Prêmio Pulitzer- decidiu revisar sua própria (e grandiosa) explicação sobre as raízes da natureza humana.

Em obras como "Sociobiology: The New Synthesis", de 1975, Wilson já explorava o foco da discórdia atual: por que, afinal, somos (ao menos de vez em quando) altruístas? Para ele, a explicação mais correta está na "seleção de grupo", ideia com fedor de heresia para uma parcela importante dos teóricos da evolução.

Seus adversários enxergam a evolução como um jogo cujos protagonistas são indivíduos ou genes -jamais grupos. Essa também era a opinião dele em "Sociobiology". Agora, no entanto, Wilson discorda.

"Indivíduos egoístas se saem melhor do que indivíduos altruístas. Mas grupos de altruístas vencem grupos de egoístas. Todo o resto é comentário", resume ele no recém-lançado "The Social Conquest of Earth" [a conquista social da Terra, ed. Liveright, 352 págs., R$ 80].

De leitura agradável e clara, o livro foi escrito para divulgar as novas ideias do cientista para o grande público. A edição brasileira está prevista para o segundo semestre, pela Companhia das Letras, que ainda lançará, no ano que vem, "O Superorganismo - A Beleza, a Elegância e a Esquisitice das Sociedades dos Insetos".

PARENTESCO Wilson ainda faz questão de cutucar outro vespeiro caro aos biólogos evolutivos: o conceito de seleção de parentesco.

Grosso modo, ele pode ser descrito como a versão evolutiva do nepotismo. Ajuda a expressar como sacrifícios feitos em favor de parentes podem ser uma estratégia vencedora no jogo da evolução, mesmo quando o indivíduo que arrisca a sua vida nem chega a deixar descendentes diretos.

Bobagem, diz Wilson: tanto comportamentos observados na natureza quanto modelos matemáticos -que supostamente mostrariam a importância da seleção de parentesco- podem ser explicados de outras maneiras. Por exemplo, pelo conceito de seleção de grupo.

A seleção de parentesco, escreve ele, é "uma construção matemática fantasma, impossível de ser expressa de maneira que faça algum sentido biológico realista."

Para alguns, a briga põe mais coisas em jogo do que a ortodoxia da teoria evolutiva. Decidir a disputa também ajudaria a determinar se, afinal, o altruísmo puro, desinteressado, faz parte da nossa herança genética -ou não passa de um belo manto para o mais rasteiro favorecimento de parentes.

"Isso é ciência com altas implicações existenciais", escreveu o neurocientista e divulgador científico Jonah Lehrer na revista americana "New Yorker".

Dois anos atrás, ao apresentar uma prévia de suas teses em artigo publicado na revista científica "Nature", Wilson despertou tamanha ira que 130 dos mais renomados biólogos do mundo mandaram uma carta tentando refutá-lo. O debate continuou, com réplica e tréplica na "Nature" e na internet, e ainda não amainou de todo.

"Ed sempre teve um viés favorável à seleção de grupo, embora trate o tema de forma extremamente confusa. Nada mudou [na pesquisa sobre evolução] para justificar a ênfase que ele vem dando à ideia agora", diz Robert Trivers, pesquisador da Universidade Rutgers (EUA), um dos críticos mais ferrenhos da guinada.

Outros, porém, saem em defesa de Wilson. "O que a gente está vendo é pura resistência paradigmática. Thomas Kuhn ia adorar presenciar isso", diz Charbel Niño El-Hani, do Laboratório de Ensino, Filosofia e História da Biologia da Universidade Federal da Bahia.

Historiador da ciência americano, morto em 1996, Kuhn postulou que as grandes mudanças na ciência só acontecem aos trancos e barrancos, quando uma antiga visão de mundo (o tal paradigma) é suplantada por outro paradigma, inconciliável com o anterior.

Para El-Hani, muitos dos que se opõem a reconhecer um possível papel relevante da seleção de grupo o fazem por mero conservadorismo: "Muita gente veio com a conversa de que o Wilson endoidou ou está gagá. São os filhos se sentindo traídos pelo Grande Pai".

HAMILTON Expressão matemática bastante simples, a regra de Hamilton é considerada a base do pensamento quantitativo sobre seleção de parentesco. A álgebra é do britânico William Donald Hamilton (1936-2000), antigo aliado de Wilson e um dos biólogos evolutivos mais admirados do século 20.

A expressão, C

Se a conta parece um pouco abstrusa, podemos compreendê-la a partir de uma anedota, anterior ao trabalho de Hamilton e que acabou por inspirá-lo.

Certa vez perguntaram ao também britânico John Burdon Sanderson (conhecido como "JBS") Haldane (1892-1964), outro gigante da biologia evolutiva, se ele seria capaz de dar a vida para salvar um irmão. Ele fez uma conta rápida e respondeu que seria capaz de se sacrificar alegremente não por um, mas por dois irmãos. Ou por oito primos, tanto fazia.

Por trás da piada está o fato de que criaturas que se reproduzem por meio do sexo, como nós e a vasta maioria dos reinos animal e vegetal, possuem "fatias" genéticas de si mesmas espalhadas pelo genoma de seus parentes.

Lembre-se de que seres humanos normais, por exemplo, possuem 23 pares (a palavra-chave aqui é "pares") de cromossomos, as estruturas enoveladas que abrigam o DNA. Um dos membros de cada par é legado pelo pai; o outro vem do genoma materno.

Isso significa que, a cada geração, quando óvulos e espermatozoides são produzidos, ocorre uma nova divisão, meio a meio, do material genético que será passado para os filhos.

Grosso modo, uma menina carrega 50% do genoma de sua mãe (a conta é a mesma para irmãos, desde que sejam filhos do mesmo pai e da mesma mãe), enquanto uma neta tem 25% do DNA de sua avó. Primos em primeiro grau compartilham entre si 12,5% de seu material genético -e por aí vai.

Portanto -e adicionando uma dose de dramalhão mexicano à brincadeira de JBS-, só fará sentido usar o seu corpo como escudo para proteger o seu irmão dos disparos de um bandido caso você saiba de antemão que seu irmão terá, no futuro, quatro filhos ou mais. Isso porque "quatro sobrinhos" (25%+25%+25%+25%) = 100% "você".

O DNA que caracteriza o seu organismo, em outras palavras, será mantido no grande caldeirão genético da nossa espécie graças ao seu ato heroico, ainda que você pereça sem deixar descendentes.

Claro que esse é o cenário extremo, hollywoodiano, em que a seleção de parentesco poderia favorecer comportamentos altruístas. Nesses casos, o B (de "benefício") da regra de Hamilton é simples: garantir a sobrevivência de membros da família.

Mas mesmo ações bem mais modestas, como tomar conta de um neto ou sobrinho quando a filha ou a irmã precisam ir para o trabalho, podem trazer uma contribuição pequena, mas não desprezível, para a aptidão geral da família -"aptidão" entendida como a capacidade de sobreviver e deixar descendentes viáveis, a medida primordial do sucesso evolutivo.

A formulação da regra de Hamilton, originalmente publicada em artigos no periódico científico "Journal of Theoretical Biology", em 1964, a princípio quase caiu no vazio. Wilson foi um dos poucos partidários de primeira hora.

Em seu último livro, ele conta ter defendido Hamilton "diante de uma plateia em grande parte hostil", num encontro da Real Sociedade Entomológica de Londres, em 1965. A seleção de parentesco é uma das estrelas de um dos livros do biólogo a receber o Pulitzer, "On Human Nature" (sobre a natureza humana), de 1979.

Defender esse tipo de ideia nos anos 1970 não era exatamente um passeio no parque. Acusado de achar que os genes controlavam o comportamento humano como se as pessoas fossem robôs e de até de apoiar o racismo e a extrema direita, Wilson chegou a ser atacado durante uma conferência científica -ativistas derramaram um jarro de água gelada na cabeça dele.

O biólogo Nelio Bizzo, hoje professor de ensino de ciências na USP, estudante de pós-graduação no começo dos anos 1980, lembra como as implicações políticas da obra de Wilson geravam polêmica.

"Cursei a disciplina de sociobiologia durante o mestrado e, no trabalho final, levantei a conjectura de que, se as ideias de Wilson estivessem corretas, o editor do livro deveria ser parente dele. Quase fui reprovado", conta.

"Acho que a carga ideológica da seleção de parentesco era evidentemente muito grande, pois era uma justificativa muito forte para uma série de práticas sociais moralmente inaceitáveis, como o racismo e a xenofobia", diz Bizzo. "Talvez o Wilson seja descendente de uma família que possui um gene que faz as pessoas pensarem que tudo é genético", ironiza.

Apesar do debate político, para muitos a regra de Hamilton parecia unir e explicar, num único conjunto conceitual e com economia, uma série de fenômenos biológicos aparentemente disparatados.

EUSSOCIALIDADE O caso mais importante tinha a ver com o estilo de vida bizarro de certos insetos, como formigas, abelhas e vespas, todos membros da ordem dos himenópteros. Muitos desses animais adotaram a eussocialidade (do grego "eu", "verdadeiro", ou "sociedades verdadeiras", cuja complexidade pouco deve à da sociedade humana).

A praxe nos grupos de insetos eussociais é que a reprodução seja monopólio de uma única rainha, enquanto as demais fêmeas do grupo, divididas em castas de operárias, soldadas etc., nunca deixam descendentes diretos -e são em certa medida descartáveis.

Para Hamilton e companhia, uma pista crucial para entender a estrutura social desses insetos está no sistema que usam para determinar o sexo dos indivíduos, conhecido como haplodiploide.

Começando pelo fim: "diploides" são os organismos com dois conjuntos de cromossomos, como os humanos, as abelhas rainhas e as abelhas operárias. Criaturas haploides têm um só conjunto de cromossomos -é o caso dos zangões.

Rainhas e operárias nascem da união entre fêmeas e machos, tal como nós. Já os zangões são fruto da partenogênese (literalmente, "nascimento virgem"), vindo ao mundo a partir de óvulos não fertilizados, botados pelas rainhas.

Essa "esquisitice" teria uma consequência intrigante para a regra de Hamilton. Por terem só uma cópia de cada cromossomo, os zangões legam sempre os mesmos genes para suas filhas, a não ser que ocorram mutações (se o genoma deles fosse como o nosso, duas filhas poderiam herdar, cada uma, um cromossomo diferente).

Por isso, duas abelhas filhas do mesmo pai e da mesma mãe estão geneticamente muito mais próximas uma da outra do que irmãos mamíferos: compartilham 75% de seus genes. No entanto, o grau de compartilhamento entre essas fêmeas e suas mães ou filhas ainda é o tradicional: 50%. Quanto aos zangões, justamente pela presença de um único conjunto de cromossomos no genoma deles, o compartilhamento cai para 25%.

Esses fatos simples, vistos pelo prisma da seleção de parentesco, pareciam explicar o porquê da rainha solitária, destinada a trazer ao mundo uma multidão de operárias depois de um único voo nupcial com zangões. A monarca não passaria de uma máquina de fazer súditas, as quais teriam muito mais "interesse" em produzir irmãs geneticamente parecidas com elas mesmas do que em criar suas próprias filhas e filhos.

BRECHAS O poder explicativo da seleção de parentesco teria ajudado, portanto, a resolver o enigma da origem de alguns dos animais mais bem-sucedidos da história da Terra. Afinal, embora formigas, abelhas e vespas eussociais correspondam a apenas dezenas de milhares entre cerca de 1 milhão de espécies de insetos conhecidas, esses bichos não têm rival em número de indivíduos. Apenas as formigas correspondem a um quarto do total da biomassa (o "peso" somado dos seres vivos) de animais.

No entanto, uma praga devoradora de celulose sempre rondou essa ortodoxia: o cupim. Mais aparentados às baratas, esses animais são diploides, tal e qual mamíferos como nós, e mesmo assim são adeptos refinados da eussocialidade. Em seu novo livro, Wilson mapeia o avanço da pesquisa nas últimas décadas, revelando, em várias espécies, clara adoção da vida eussocial sem o arranjo genético peculiar de abelhas e formigas.

São seres como besouros, camarões e até roedores que habitam o subsolo africano, entre eles o rato-toupeira-pelado (Heterocephalus glaber). Mesmo no caso de abelhas e formigas, o mais comum é que a rainha se acasale com múltiplos machos, anulando o efeito de proximidade genética entre irmãs que poderia ser gerado pela haplodiploidia "de um marido só".

O resultado desse novo conjunto de dados, argumenta Wilson, é que a associação entre haplodiploidia e vida eussocial "deixou de ter significância estatística".

SELEÇÃO DE GRUPO Para Wilson, é muito mais simples pensar em termos de seleção de grupo. Examinando o que há de comum entre os vários tipos de espécies eussociais, ele afirma que esse estilo de vida depende de vários pré-requisitos para emergir.

Um deles é a existência de um ninho "fortificado", facilmente defensável -um protótipo de colmeia ou formigueiro, digamos.

Outro passo crucial é quando modificações comportamentais, provavelmente ligadas a mutações, levam os filhotes, ao se tornarem adultos, a deixar de se dispersar e criar seus próprios ninhos, permanecendo com a família e cuidando dos irmãos que vão nascendo. Dados experimentais mostram que, nesses casos, estabelece-se uma divisão de trabalho natural dentro da colônia, com o aparecimento de formas rudimentares de rainhas e operárias.

Nesse contexto, afirma o biólogo, ganha a corrida evolutiva o ninho que funcionar como a unidade reprodutiva mais azeitada -e a divisão de trabalho e coesão proporcionadas pela vida eussocial representariam enorme vantagem para os grupos altruístas, diz ele.

O argumento já seria suficientemente ambicioso se a proposta fosse explicar apenas os insetos sociais, que são a especialidade de Wilson. Mas ele também classifica os seres humanos como mamíferos eussociais, ainda que de natureza bem distinta da dos ratos-toupeira-pelados.

Apoiando-se em dados arqueológicos e paleoantropológicos, ele vê os hominídeos (ancestrais do homem) passando pelo processo de criação de "ninhos" defensáveis ao adotarem o hábito de montar acampamentos de caçadores-coletores. Assim como nas espécies eussociais, os acampamentos abrigavam múltiplas gerações de indivíduos aparentados e lançavam mão da divisão de trabalho para obter alimentos, defender-se de grupos vizinhos e atacá-los.

"Invenções" tipicamente humanas, como a linguagem complexa, a arte e a religião, seriam meios refinados para maximizar a coesão interna dos grupos e prepará-los para o confronto com os demais.

"A questão é que os seres humanos não apresentam a divisão reprodutiva de trabalho que vemos nos insetos", ressalva Klaus Hartfelder, biólogo da USP de Ribeirão Preto que estuda o genoma das abelhas.

Para Wilson, as tendências altruístas humanas no interior dos grupos são contrabalançadas pela seleção natural agindo nos indivíduos, com cada um tentando maximizar seu próprio potencial reprodutivo à custa dos demais.

O resultado é uma visão decididamente dualista da natureza humana: a seleção de grupo é a mãe do que chamamos de virtudes, diz Wilson; a seleção natural "individual", a fonte de todos os vícios. Ser humano significa estar dilacerado por essas tendências opostas a cada momento da vida.

RENASCIMENTO Uma coisa é certa: os últimos anos viram um renascimento dos estudos sobre seleção de grupo, embora a maioria dos biólogos ainda relute em aceitá-la.

"Vinte anos atrás, a crítica à seleção de grupo era feroz. Era considerado "naïf" [ingênuo] ter ideias desse campo", conta Diogo Meyer, biólogo evolutivo da USP. "O campo amadureceu, deixou de ser anátema. Mas demonstrações teóricas e empíricas fortes a favor da seleção de grupo ainda são modestas".

Uma objeção tradicionalmente levantada pelos que duvidam da seleção de grupo tem a ver com a relativa vulnerabilidade das sociedades de altruístas ao chamado "mutante egoísta". Num grupo em que predominam altruístas, um sujeito desse tipo teria uma grande vantagem reprodutiva em relação aos demais, e aquela população logo seria "invadida" e dominada por descendentes dele.

Desde o fim dos anos 1990, no entanto, trabalhos de pessoas como David Sloan Wilson (não é parente do outro Wilson) usaram modelos matemáticos para mostrar que, em determinadas condições, a seleção de grupo pode ocorrer. "Pode ser um evento raro", diz Gustavo Caponi, professor de filosofia e história da ciência da Universidade Federal de Santa Catarina. "Mas a evolução tem tempo de sobra para eventos raros acontecerem."

Tais condições envolveriam, por exemplo, grupos relativamente bem separados e homogêneos, de modo que a diversidade de comportamento fosse menor no interior dos grupos do que entre um grupo e outro.

Para Charbel El-Hani, esse tipo de contexto pode favorecer a aplicação que Wilson faz da seleção de grupo à evolução humana. "As culturas humanas conseguem criar esse cenário", diz ele, ressaltando, no entanto, que outros fatores igualmente importantes devem ter influenciado a trajetória evolutiva de nossa espécie.

El-Hani lembra que até a avicultura fornece indícios em favor da seleção de grupo: "Descobriu-se que, depois de um certo limiar, era muito difícil aumentar a produção de ovos de galinha. É que, quando os criadores selecionavam individualmente as galinhas mais produtivas, essas acabam sendo também as "nasty chickens" [galinhas malvadas], que destruíam os ovos das outras." Quando a seleção passou a ser feita pelos grupos que mais botavam ovos, a produtividade voltou a subir.

Apesar da crescente adesão à ideia de seleção de grupo, Wilson parece pisar em terreno mais pantanoso quando diz que a seleção de parentesco inexiste ou é desimportante.

Mesmo entre os supostamente harmoniosos himenópteros, conflitos de interesse genético ocorrem com frequência, lembra Klaus Hartfelder, referindo-se ao seu campo de especialidade, as abelhas domésticas. As operárias, célebres por sua esterilidade, ainda assim são capazes de produzir ovos por partenogênese, e uma rainha pode se acasalar com 20 machos diferentes antes de "constituir família". "O que acontece é que as operárias tendem a destruir os ovos botados por outras operárias cujo pai não é o mesmo que o delas", conta Hartfelder. Coisas parecidas também se dão com formigas.

A acidez do debate está longe de amainar, mas o biólogo da USP vê com tranquilidade a briga. "Essas posições fortes são importantes, é assim que a ciência avança." E, se Wilson estiver certo, talvez esse seja mais um resultado dos profundos instintos tribais que a evolução inscreveu certa vez nos corações de um punhado de primatas bípedes.
Fonte: Folha de São Paulo
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Predadores e professores
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25/06/2012 - Será que as principais universidades dos Estados Unidos ainda hoje são, como outrora, grandes guardiãs da sabedoria, forças motoras do progresso tecnológico e fontes de oportunidades? Ou se tornaram cúmplices inescrupulosas de elites econômicas cada vez mais vorazes?

Quase no fim do filme "Inside Job", documentário de Charles Ferguson que ganhou o Oscar no ano passado, vários economistas importantes são entrevistados sobre seu papel como animadores de práticas questionáveis e da assunção excessiva de riscos durante o período que antecedeu a crise de 2008. Alguns desses acadêmicos proeminentes receberam somas significativas para garantir os interesses de grandes bancos e outras empresas do setor financeiro. Como Ferguson mostra no filme e em seu recente livro, o revelador "Predator Nation" (Nação de predadores, em inglês), ainda hoje muitos desses pagamentos não foram totalmente esclarecidos.

"Predador" é um termo totalmente apropriado para as atividades desses bancos. Como sua quebra traumatizaria o resto da economia, recebem proteções únicas - por exemplo, linhas de crédito especiais dos bancos centrais e relaxamento na regulamentação (medidas que foram anunciadas ou antecipadas nos últimos dias nos EUA, Reino Unido e Suíça).

Charles Ferguson, de Inside Job, acredita que a consultoria acadêmica ao sistema financeiro está fora do controle. Concordo, e controlar isso será complicado enquanto universidades e os bancos "grandes demais para falir" continuarem tão interligados.

Como resultado, as pessoas que administram esses bancos são encorajadas a assumir muitas apostas arriscadas, incluindo atividades que são puramente jogos de azar. Trata-se de um esquema de subsídios do governo perigoso e sem transparência, que, no fim das contas, envolve grandes transferências de dinheiro dos contribuintes para algumas poucas pessoas do setor financeiro.

Para proteger o esquema e garantir sua continuidade, megabancos internacionais contribuem com grandes quantias de dinheiro para os políticos. Por exemplo, o executivo-chefe do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, recentemente testemunhou na Comissão Bancária do Senado dos EUA sobre a aparente falha na administração de risco que provocou prejuízo estimado de US$ 7 bilhões nas operações de corretagem de sua firma. A OpenSecrets.org estima que o JPMorgan Chase, maior conglomerado bancário dos EUA, gastou perto de US$ 8 milhões em contribuições políticas em 2011 e que Dimon e sua empresa fizeram doações para a maioria dos senadores integrantes da comissão. Não é de surpreender que a maior parte das perguntas dos senadores tenha sido marcada pela amabilidade. E a estratégia mais ampla do lobby do JPMorgan Chase parece estar compensando; as "investigações" sobre falhas irresponsáveis na administração e possíveis riscos ao sistema como um todo provavelmente acabarão encobrindo erros.

Para sustentar sua estratégia política, os megabancos internacionais também promovem operações altamente sofisticadas de propaganda e desinformação, com o propósito de pelo menos cobrir com um verniz de respeitabilidade os subsídios que recebem. É aqui que entram as universidades.

Em recente mesa redonda da Comissão Reguladora de Operações a Futuro com Commodities (CFTC), um representante do setor bancário sentado próximo a mim citou um estudo de um destacado professor de finanças da Stanford University para apoiar sua posição contra alguma regulamentação em particular. O representante bancário deixou de mencionar que o professor havia recebido pelo estudo US$ 50 mil da Associação do Setor de Valores Mobiliários e Mercados Financeiros (Sifma, na sigla em inglês), um grupo lobista. (O professor, Darrell Duffie, revelou publicamente o valor de sua comissão e a doou para obras de caridade).

Por que deveríamos levar esse tipo de trabalho a sério - ou mais a sério do que outros trabalhos pagos de consultoria?

A resposta provavelmente é porque a Stanford University tem grande prestígio. Como instituição, conseguiu grandes feitos. E seu corpo docente é um dos melhores no mundo. Quando um professor escreve um estudo em nome de um setor empresarial, esse setor aproveita - e, de certa forma, aluga - o nome e a reputação da universidade. Naturalmente, o representante bancário na mesa redonda da CFTC enfatizou "Stanford" quando citou o estudo. (Não estou criticando essa universidade; na verdade, outros acadêmicos de Stanford, entre os quais Anat Admati, estão na linha de frente da defesa por reformas sensatas).

Ferguson acredita que essa forma de "consultoria" acadêmica está fora do controle. Concordo, e controlar isso será complicado enquanto universidades e bancos "grandes demais para falir" continuarem tão interligados.

Nesse contexto, recentemente fiquei decepcionado ao ler no "The Wall Street Journal" uma entrevista com Lee Bollinger, presidente da Columbia University. Bollinger é um diretor "classe C" no Federal Reserve (Fed) regional de Nova York - indicado pelo Conselho de Governadores do sistema do banco central americano para representar o interesse público.

No que foi aparentemente sua primeira entrevista ou declaração pública sobre questões de reforma bancária (ou mesmo sobre finanças), o principal argumento de Bollinger era de que Dimon deveria continuar no conselho do Fed de Nova York. Ele valeu-se de uma linguagem surpreendentemente não acadêmica - asseverando que as pessoas sugerindo a renúncia de Dimon ou sua substituição são "tolas" e têm uma "falsa compreensão" de como o sistema realmente funciona.

Atualmente, estou requerendo ao Conselho de Governadores do Fed para tirar Dimon de seu cargo. Quase 37 mil pessoas assinaram a petição on-line em change.org*.

A intervenção de Bollinger pode mostrar-se útil para Dimon; afinal, a Columbia University é umas das universidades mais renomadas do mundo. Por outro lado, também poderia se mostrar produtiva para fazer avançar o debate público sobre como os executivos de bancos "grandes demais para falir" sustentam seus subsídios implícitos.

Escrevi uma réplica detalhada da posição de Bollinger. Espero que ele, no espírito do diálogo acadêmico aberto, responda de alguma forma pública - seja por escrito ou concordando em debater pessoalmente comigo o assunto. Precisamos de uma conversa de maior visibilidade sobre como reformar a pouco saudável relação entre universidades e instituições financeiras internacionais subsidiadas, como o JPMorgan Chase. (Tradução de Sabino Ahumada).

Simon Johnson foi economista-chefe do FMI e é cofundador do blog sobre economia www.BaselineScenario.com, professor da MIT Sloan, membro sênior do Instituto Peterson para Economia Internacional e coautor de "White House Burning: The Founding Fathers, Our National Debt, and Why It Matters to You" (Casa Branca em chamas: os pais fundadores, nossa dívida nacional e por que isso é importante para você, em inglês), com James Kwak. Copyright: Project Syndicate, 2012.
Fonte: Valor Econômico
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Real avança como moeda do comércio globalizado
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:12 hs.
25/06/2012 - Acordo de swap de R$ 60 bi com a China e socorro de US$ 10 bi ao FMI reforçam peso da moeda brasileira no cenário internacional e ampliam argumento pela reformulação da cesta monetária que pode substituir o dólar
Nivaldo Souza – Portal IG Economia.

Ao completar a maioridade, tendo no currículo a façanha de superar a inflação e impulsionar a economia nos últimos 18 anos, o real aos poucos alça voo internacional. A moeda brasileira pleiteia agora a entrada na lista das unidades de valor nacionais da cesta monetária do Fundo Monetário Internacional (FMI), conhecida como Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em inglês).

O País negocia no âmbito dos Brics (grupo integrado também por Rússia, Índia, China e África do Sul) e do G-20 (as maiores economias) a abertura da SDR a moedas emergentes para substituir o dólar na condição de papel de pagamento universal comercial globalizado.

Nesse sentido, o país deu dois passos consistentes na semana. Firmou um acordo com a China eliminando a necessidade de contratação de swap (permuta de crédito) nas transações de bilaterais até R$ 60 bilhões, que na prática retira o dólar do caminho do comércio entre chineses e brasileiros, valendo apenas o yuan e o real como moedas de troca. O segundo passo foi o socorro de US$ 10 bilhões concedidos ao FMI , o segundo neste valor em menos de dois anos.

A solução brasileira para a inflação funcionou primeiro fora do país
As ações dão fôlego à proposta feita pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) em novembro de 2010. Na ocasião, durante a reunião do G-20, grupo formado pelas maiores economia do globo, Mantega aproveitou os holofotes do anúncio do primeiro empréstimo bilionário para sugerir o uso da SDR como moeda internacional. A ideia soou um tanto ousada: retirar do dólar o poder de intermediar o comércio mundial.

Perda de valor

A crise nos países desenvolvidos, com a moeda americana perdendo valor em meio à liquidez incentivada pelo governo Obama para impulsionar o consumo e os solavancos financeiros da Europa, é vista como positiva para o real e o yuan entrarem na SDR. A justificativa é de moeda brasileira está fortalecida pela resistência à crise internacional e a chinesa pelo fôlego de sua economia. Assim, podem reforçar o sistema global de pagamentos.

A proposta começa a soar como possível num momento no qual o Euro balança sem conseguir tirar a Europa da turbulência em seu sistema bancário e o dólar patina junto com o fraco desempenho da economia americana.

Resta saber se o Brasil terá força até 2015 para mudar o critério de moedas “livremente utilizáveis” definido pelo FMI em 2000, em ação apontada como decidida pelas atuais moedas de referência para não para barrar os emergentes e não perder influência no mercado global.

Ajuda dos hermanos

A chave para entrar na SDR, contudo, pode estar nos critérios “amplamente utilizada” e “amplamente negociada”, adotados pelo FMI no final do ano passado. É neste ponto que o Mercosul pode ajudar o real.

A liberação para transações com moeda local dentro do bloco econômico, formalizado no final de 2008, pode elevar a classificação de “negociada” e “utilizada” do real fora das fronteiras nacionais. Restrito ainda a Brasil e Argentina, o fluxo livre de pagamento em reais pode render créditos para a moeda brasileira alegar capacidade de circulação internacional ao FMI.

O governo brasileiro já tem, inclusive, a conta da evolução do emprego do real no território argentino. Segundo o Banco Central, as transações em reais atingiram 4.973 operações em 2011. Volume superior às 3.410 do ano anterior e quatro vezes maior que as 1.193 de 2009. Em dinheiro, as transações somaram R$ 1,64 bilhão no ano passado, contra R$ 1,26 bilhão em 2010 e R$ 453,5 milhões, em 2009.

O crescimento do uso de moeda própria no comércio exterior para pagamento em outros países ganhar novos contornos a partir do acordo firmado com a China. Por meio dele, o Brasil se aproxima de Pequim, mostrando afinamento diplomático e comercial ao FMI. E sinaliza ao fundo que o argumento aceito em 2000 para introduzir o euro na SDR, de que França e Alemanha são a musculatura econômica para segurar o bloco, vale para o real e o yuan: fortes separadamente e unidas comercialmente.
Fonte: Portal IG
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Uma aposta no básico
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:43 hs.
25/06/2012 - Para crescer no Brasil, Johnson & Johnson investe na adaptação do portfólio da área médica e cria produtos até 30% mais baratos que as versões tradicionais.

FERNANDO SCHELLER - O Estado de S.Paulo

Em visita ao Brasil há duas semanas, o executivo Gary Pruden, um dos chefes da divisão de produtos para a área médica da multinacional americana Johnson & Johnson visitou o Hospital Albert Einstein, conhecido como centro de procedimentos de alta complexidade. Em seguida, foi à outra referência em saúde no País, o Hospital das Clínicas (HC), onde passou pela área de emergências para conferir de perto a forte demanda por atendimento básico da população. Validou, assim, a principal aposta do grupo para o mercado brasileiro: os produtos para os procedimentos mais realizados no dia a dia.

Pensando em mercados emergentes como o Brasil, a Johnson & Johnson investiu na adaptação do portfólio de produtos da marca para a realidade de sistemas de saúde que trabalham em condições bem distantes do "mundo ideal". Os próprios executivos da Johnson sabem que a realidade do HC, apesar da alta demanda, é bem superior às condições da maioria dos hospitais do País. Essa necessidade pelo produto "de entrada" levou ao desenvolvimento de uma linha econômica de procedimentos corriqueiros - como materiais de sutura e curativos - com preços até 30% mais baratos do que as versões tradicionais.

"Cada economia tem suas necessidades específicas", diz Pruden, presidente mundial do negócio de produtos cirúrgicos da Johnson & Johnson Medical. "No Brasil, o acesso à saúde básica está em crescimento. E o nosso trabalho é encontrar uma maneira de ajudar nesse processo", diz o executivo. E há espaço para crescer, já que o acesso à saúde acompanha o aumento da renda.

No Brasil, o segmento de produtos para o consumo ainda é o líder em receita da Johnson. Na média mundial, porém, os equipamentos e materiais médicos são o principal negócio e contribuem com US$ 26 bilhões para o faturamento anual de US$ 65 bilhões da multinacional.

Concorrentes. Ao voltar os olhos para o mercado de saúde no Brasil, a Johnson & Johnson segue uma série de multinacionais que têm investido no fornecimento de equipamentos para hospitais e postos de saúde. No início do mês, a GE anunciou a compra da fabricante de aparelhos de raio-x XPRO, que atua nas áreas de neurologia, cardiologia e radiologia terapêutica. A rival alemã Siemens e a japonesa Toshiba planejam novas fábricas do segmento no País. A americana Varian Medical Systems, especializada em tratamento para o câncer, também anunciou o início de suas operações no Brasil.

Tanto interesse mercado brasileiro tem razão de ser, na opinião de Pruden. "A América Latina é o mercado que mais cresce dentro da Johnson Medical, e o Brasil é certamente uma parte importante disso", explica o executivo. A expectativa é que o mercado brasileiro cresça pelo menos duas vezes mais do que o americano nos próximos anos. Segundo o executivo, há espaço para a introdução de equipamentos de maior valor agregado da companhia à medida que as necessidades de pronto-socorro sejam bem atendidas.

Apesar de a maior parte das vendas da Johnson & Johnson estar concentrada em materiais de uso corriqueiro nos hospitais, a empresa também fabrica equipamentos que, com o auxílio de imagens, permite que médicos façam cirurgias minimamente invasivas. Outras apostas são as próteses mamárias, as suturas e curativos combinados com medicamentos e dispositivos para tratamento cardiovascular e estético.

Para dar conta de uma demanda maior, a Johnson & Johnson vai ampliar no segundo semestre o terceiro turno de sua fábrica de material para a área médica em São José dos Campos (SP), que tem mil funcionários. A empresa agora se prepara para reforçar o time de vendas, que ganhará mais 50 profissionais, e vai levar seu programa de treinamento de médicos, hoje mais concentrado em São Paulo, para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O contato com os profissionais de saúde é vital para a empresa, pois são eles que poderão recomendar o uso dos produtos da marca. Desde 2010, quando o centro de treinamento de São Paulo foi inaugurado, já recebeu cerca de 6 mil médicos. Com o projeto itinerante, a empresa espera treinar mais 2 mil médicos até o fim do ano.
Fonte: O Estado de São Paulo
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